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6. Que fazer se eu não posso me confessar?

Arrependimento profundo e propósito firme de não tornar a pecar. Eis os dois remédios que, privados do remédio da Confissão, temos ao nosso alcance para vivermos esta quarentena e implorarmos a Deus a graça da contrição perfeita.

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Devido às diversas medidas de prevenção contra o novo coronavírus, como a de se evitar aglomerações, muitas pessoas estão tendo dificuldades para se confessar.

Nessa circunstância de privação, precisamos entender em primeiro lugar que Deus, na sua providência, não nos permitiria esse mal se, a partir dele, um bem maior não pudesse ser obtido. Pense-se, por exemplo, na oportunidade que as pessoas estão tendo de examinar a própria consciência, deplorando quantas vezes trataram indevida e até presunçosamente o sacramento da Penitência, com confissões laxas, sem arrependimento firme nem propósito concreto de emenda. 

Precisamos bater no peito, de fato, e reconhecer que, infelizmente, muitos abusamos desse remédio maravilhoso concedido por Cristo à sua Igreja, aproximando-nos do tribunal da Confissão sem a preparação e a reverência necessárias. Como amorosa punição por nosso desleixo, então, Deus permitiu que as circunstâncias tornassem mais custosa a recepção deste sacramento, a fim de que nos dêssemos conta de sua importância e passássemos a dar-lhe, finalmente, o devido valor. 

Concretamente, porém, o que fazer caso nos encontremos em necessidade real de receber o perdão dos pecados por essa que é a via ordinária de Deus nos reconciliar consigo? Como proceder se viermos a cair, desgraçadamente, em pecado mortal?

Às pessoas que se encontram em perigo iminente de morte, o auxílio da Confissão é fundamental, ainda que, para tanto, seja necessário adotar algumas precauções que impeçam o contágio com o novo coronavírus. Nessa matéria, em atenção às palavras de Nosso Senhor, segundo as quais devemos temer muito mais a morte eterna que a corporal (cf. Mt 10, 28) — zelar muito mais por nossa alma imortal que por nossa carne corruptível, portanto —, os sacerdotes têm o dever moral de estar à disposição dos moribundos, não permitindo que partam deste mundo sem o socorro dos sacramentos, especialmente se se encontram “em necessidade espiritual extrema” [1]. 

Às demais pessoas, porém, cabe aconselhar não só que procurem assim que possível receber a absolvição sacramental [2], mas também que cresçam no arrependimento sincero de seus pecados passados e no fortalecimento de sua intenção de não mais pecar no futuro. Como já dito, temo-nos confessado muitíssimo mal; por falta de contrição e de sincero propósito de emenda, são inúmeras as confissões nulas que acontecem no dia a dia das paróquias [3]. Santos sacerdotes, como o Cura de Ars e o Padre Pio, que tanto cuidado demonstravam ao dispensar o Sangue de Nosso Senhor através do perdão sacramental, e que chegavam a negar a muitas pessoas a absolvição de seus pecados, certamente tomariam a mesma atitude com muitos de nós, por nossa impenitência e relaxamento moral. 

Diante desse quadro, vemo-nos quase que obrigados a perguntar ao Senhor, como fez Abraão (cf. Gn 18, 23-33), se é justo que, pelo mau uso que alguns fazem do sacramento da Penitência, todos sejam privados de tão salutar remédio… Examinemos, porém, nossas consciências e, batendo no peito, reconheçamos nossas próprias misérias. Se em atitude de intercessão pela humanidade, quisermos dirigir a Deus esses queixumes sinceros de quem ama os sacramentos da Igreja, peçamos então a Ele que, em atenção a seus eleitos, abrevie o flagelo que se abate sobre nós (cf. Mt 24, 22). Mas não nos esqueçamos de suplicar-lhe, ao mesmo tempo, o dom da contrição perfeita, para que se tornem frutos de caridade ardente as sementes tão pobres que lançamos na terra com nossas orações.

Notas

  1. Vale a pena consultar, a esse respeito, o que ensinam os grandes moralistas Santo Afonso Maria de Ligório e Dominic M. Prümmer. Do Manual de Teologia Moral escrito por esse último, a propósito, cite-se o seguinte (v. III, n. 72ss): “Ainda que com perigo para a própria vida ou sob outros grandes incômodos temporais, o pastor de almas deve administrar os sacramentos aos fiéis que se encontram in extrema necessitate spirituali. Deve, por exemplo, em tempo de peste ou de outra doença contagiosa, administrar os sacramentos do Batismo e da Penitência mesmo com risco de vida, de acordo com o que diz Jo 10, 11: ‘O bom pastor dá a vida por suas ovelhas’. O mesmo se aplica ao sacramento da Extrema Unção, quando há a certeza de que o enfermo não é capaz de receber o sacramento da Penitência.”
  2. Quando o Pe. Paulo Ricardo gravou este vídeo, ainda no início das restrições que estavam sendo impostas pelas autoridades para conter o avanço do novo coronavírus, não se sabia ao certo de que modo as autoridades eclesiásticas procederiam à administração dos sacramentos. Por isso, fica subentendida no vídeo uma certa impossibilidade geral e absoluta de receber a absolvição sacramental. Em muitos lugares, porém, tem-se desenvolvido novas formas de celebrar esse sacramento, de modo que a impossibilidade a que o padre faz referência é, na verdade, relativa. Como atualização deste vídeo, portanto, recomendamos que se assista à Homilia Dominical de n. 500, “Uma Páscoa singular”, e ao episódio “O desejo dos sacramentos” (n. 280), do programa Ao vivo com Pe. Paulo, publicados nos dias 11 e 13 de abril de 2020, respectivamente.
  3. Como subsídio para os que querem aprender a se confessar validamente, recomendamos os esclarecedores episódios nn. 273 e 476 do programa Homilia Dominical: “Preparação para a Confissão” e “Orientações para se confessar direito”.
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