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“Queriam precipitá-lo dali abaixo”

O ser humano, cego de inveja, pode entregar-se aos crimes mais atrozes. Foi a inveja que matou Caim; foi também ela que quis dar cabo de José do Egito. Assim também o Diabo, arrastando consigo multidões de invejosos, procurou a todo custo entregar Jesus Cristo à morte.

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc
4, 24-30)

Vindo a Nazaré, disse Jesus: "Em verdade vos digo: nenhum profeta é bem aceito na sua pátria. Em verdade vos digo: muitas viúvas havia em Israel, no tempo de Elias, quando se fechou o céu por três anos e meio e houve grande fome por toda a terra; mas a nenhuma delas foi mandado Elias, senão a uma viúva em Sarepta, na Sidônia. Igualmente havia muitos leprosos em Israel, no tempo do profeta Eliseu; mas nenhum deles foi limpo, senão o sírio Naamã".

A estas palavras, encheram-se todos de cólera na sinagoga. Levantaram-se e lançaram-no fora da cidade; e conduziram-no até o alto do monte sobre o qual estava construída a sua cidade, e queriam precipitá-lo dali abaixo. Ele, porém, passou por entre eles e retirou-se.

O Evangelho da Missa mais uma vez nos mostra Cristo ser rejeitado por seus conterrâneos em Nazaré. O Senhor, como narra São Lucas, acabara de ler na sinagoga um trecho de Isaías (cf. Is 61, 1s). Para espanto e assombro de muitos, Jesus lhes declara que é a seu respeito que aquela profecia fora escrita: "Hoje", diz com coragem e franqueza, "se cumpriu este oráculo que acabais de ouvir" (Lc 4, 21). Admirados com as "palavras de graça que procediam de sua boca", começaram os ouvintes a perguntar-se: "Não é este o filho de José" (Lc 4, 22), o carpinteiro? Sabiam quem era Cristo, conheciam-no desde menino, já lhe haviam experimentado a boa índole e visto a sua simplicidade, a sua modéstia, a pobreza em que vivia com Maria e José. Espantavam-se agora, indignados, ao verem-no cheio da "força do Espírito Santo" (Lc 4, 14), ensinando como tendo autoridade e não como os escribas (cf. Mt 7, 29). Por isso, cheios de cólera diante de tamanha "presunção", enxotaram-no da sinagoga e, conduzindo-o à força até ao alto dum monte, buscavam precipitá-lo dali abaixo.

São Beda, o Venerável, nota neste episódio dois paralelos interessantes com a terceira tentação do Senhor (cf. Lc 4, 9-12). Com efeito, o que hoje o povo tenta fazer a Jesus em Nazaré é, fundamentalmente, o mesmo que Satanás procurara fazer-lhe no deserto. Assemelham-se os nazarenos com o demônio, em primeiro lugar, no motivo que os leva a tais barbaridades: a inveja; em segundo, na desgraça que desejam produzir: levando o Senhor ao alto seja do Templo, seja dum monte, precipitá-lo dali. Vemos, assim, a humanidade toda ela configurada ao diabo; nas suas intenções, nos seus desejos, nas suas obras, os nazarenos nos mostram neste trecho a que ponto a inveja endemonia o ser humano, fá-lo mancípio do pai da mentira, serviçal do príncipe deste mundo. Roído de ódio, que fez Satanás aos nossos primeiros pais senão, induzindo-os à morte eterna, privá-los da felicidade celeste que ele próprio, por soberba, havia perdido? Assim também o povo de Nazaré, sabendo das origens humildes e modestas de Cristo, arde de inveja por um homem tão "ninguém" e tão igual a todos arvorar-se à condição de Messias.

Temos aqui, pois, a mesma história de Abel e Caim, de José e seus irmãos — a inveja instigando ao fratricídio. Que este Evangelho nos estimule a rejeitar, por um lado, tudo quanto nos configura a Satanás e a abraçar, por outro, a humildade e o espírito de serviço por que nos tornamos semelhantes a Jesus. Ele, embora de condição divina e cheio de glória, "não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se aos homens" (Fl 2, 6s). Convertamos o nosso coração neste Quaresma. Aproveitemos este tempo de penitência e preparação espiritual para lutarmos contra todo movimento de inveja que porventura brotar em nossa alma. Mantenhamos o olhar fixo nAquele que, embora exteriormente fosse reconhecido como um de nós, quis "humilhar-se ainda mais, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz" (Fl 2, 8) para remissão de nossas tão grandes e tristes misérias.

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