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Homilia Dominical
27 Abr 2018 - 26:26

“Sem mim nada podeis fazer”

“Sem mim nada podeis fazer”: este “nada” de que fala Jesus no Evangelho deste domingo é radical e definitivo. Ninguém pode realizar qualquer ato de virtude sem o auxílio da graça divina. A única coisa que conseguimos fazer sem a ajuda de Deus é o pecado. Assista a esta homilia do Padre Paulo Ricardo e saiba porque, sem uma vida de oração íntima com Jesus Cristo, o único lugar a que chegaremos é o inferno.
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Homilia Dominical - 27 Abr 2018 - 26:26

“Sem mim nada podeis fazer”

“Sem mim nada podeis fazer”: este “nada” de que fala Jesus no Evangelho deste domingo é radical e definitivo. Ninguém pode realizar qualquer ato de virtude sem o auxílio da graça divina. A única coisa que conseguimos fazer sem a ajuda de Deus é o pecado. Assista a esta homilia do Padre Paulo Ricardo e saiba porque, sem uma vida de oração íntima com Jesus Cristo, o único lugar a que chegaremos é o inferno.
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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo 15, 1-8)

Naquele tempo, Jesus disse a seus discípulos: “Eu sou a videira verdadeira e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que em mim não dá fruto ele o corta; e todo ramo que dá fruto, ele o limpa, para que dê mais fruto ainda. Vós já estais limpos por causa da palavra que eu vos falei.

Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira, assim também vós não podereis dar fruto, se não permanecerdes em mim.

Eu sou a videira e vós os ramos. Aquele que permanece em mim, e eu nele, esse produz muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. Quem não permanecer em mim, será lançado fora como um ramo e secará. Tais ramos são recolhidos, lançados no fogo e queimados. Se permanecerdes em mim e minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes e vos será dado. Nisto meu Pai é glorificado: que deis muito fruto e vos torneis meus discípulos.

Meditação. — 1. Jesus está reunido com seus discípulos para juntos celebrarem a Páscoa. Trata-se de um momento singular e de grande intimidade em que o Senhor abre o próprio coração aos seus amigos, incentivando-os a permanecerem unidos e fiéis à sua Palavra, para que deem muitos frutos. “Sem mim nada podeis fazer”, adverte-os Jesus, fazendo-os enxergar a radical dependência deles com relação à graça de Deus. Para gerar “muitos frutos”, os ramos — ou seja, os discípulos — precisam permanecer atados à videira; do contrário, serão lançados fora e secarão.

O Evangelho deste 5.º Domingo da Páscoa é uma clara advertência contra a heresia do pelagianismo. No século V, um monge oriundo da Bretanha começou a pregar contra a doutrina do pecado original, dizendo que, para conquistar a santidade, bastariam um esforço pessoal e atos constantes de virtude. Para o monge Pelágio, a morte de Cristo na cruz teria servido de exemplo para a humanidade, de modo que qualquer pessoa poderia perfeitamente ser santa se o imitasse dia após dia.

Santo Agostinho opôs-se firmemente a esse ensinamento. Ele, que durante longos 30 anos viveu a miséria dos pecados mortais, sabia perfeitamente da incapacidade do homem para todo bem. De fato, ninguém pode realizar qualquer ato de virtude sem o auxílio da graça divina. O “nada” de que fala Jesus no Evangelho é o nada mais radical que existe. A única coisa que conseguimos fazer sem a ajuda de Deus é o pecado, motivo pelo qual São Paulo recordava aos filipenses: “Porque é Deus quem, segundo o seu beneplácito, realiza em vós o querer e o executar” (2, 13).

2. Apesar de a Igreja já ter condenado o pelagianismo no XV Sínodo de Cartago, há ainda hoje um número enorme de católicos que, sem se professarem pelagianos, vivem, contudo, esse erro, prescindindo da graça de Deus nas suas obras de apostolado. Essas pessoas guiam os seus projetos apenas pela própria iniciativa, de modo que a vida de oração se converte em algo supérfluo e extremamente raro no exercício de seus ministérios. No fim das contas, elas acabam decepcionadas, porque não conseguem pôr em prática as suas “ideias geniais”, e abandonam a missão.

Na verdade, o pelagianismo é uma grande manifestação de soberba e vaidade, porque se baseia em uma falsa autonomia do homem com relação à providência divina. Os que assim se comportam querem conquistar o Céu pelos próprios méritos. E se, por um descuido, caem em desgraça, logo iniciam uma série de lamúrias e protestos, como se aquela queda fosse alguma coisa surpreendente. Dessas almas, São Francisco de Sales faz a seguinte avaliação:

Essa excessiva ansiedade da pessoa não tanto por curar-se como por saber que está curada, para ficar satisfeita consigo mesma; esses secretos despeitos que a impedem de fazer as pazes com a sua consciência, porque é mais cômodo abandoná-la como incorrigível; essas melancolias em que mergulha; essa incessante e obsessiva contemplação das faltas cometidas e de si própria; essa necessidade de lamentar-se mais diante dos homens do que diante de Deus com o imperceptível desejo de despertar compaixão; todas essas penas se devem a um mesmo “pai” espiritual que se chama amor-próprio. (Introdução à vida devota, VI, 261)

3. O Concílio Vaticano II afirmou que “todos na Igreja, quer pertençam à hierarquia quer por ela sejam pastoreados, são chamados à santidade” (Lumen Gentium, V, 39). Essa santidade, porém, não se resume a algumas obras de caridade e cumprimento de preceitos religiosos. O verdadeiro santo é forjado na vida de oração íntima, por meio da qual a sua vida produz frutos de amor autêntico. Na oração, os cristãos “tocam” a carne de Cristo e recebem dela as forças necessárias para resistir ao pecado e realizar o bem. Em outras palavras, a vida de oração íntima produz uma amizade com a pessoa de Jesus, que vai nos moldando conforme a sua santa vontade.

A oração íntima é uma relação de amizade, um encontro com quem sabemos que nos ama. Não se trata de ler algum livro e passar alguns minutinhos pensando, mas de um colóquio em que nos dirigimos ao Amado e Ele se dirige a nós com a sua Palavra.

É importantíssimo que os cristãos entendam essa dinâmica da oração, sobretudo os principiantes, para que não caiam nas ciladas da heresia das obras, isto é, o ativismo que leva a um esgotamento das energias e torna o apostolado ineficaz e infrutífero. Para o progresso espiritual, a alma precisa seguir a ordem correta dos estágios: (i) a permanência constante na graça (o que corresponde às 1.ªs Moradas de Santa Teresa), (ii) a correspondência às graças atuais (2.ªs Moradas) e, bem depois, (iii) o apostolado (3.ªs Moradas). E isso só se consegue mediante a oração de intimidade.

A vida cristã deve seguir, pois, este itinerário bem simples de São Josemaría Escrivá: “Primeiro, oração; depois, expiação; em terceiro lugar, muito em ‘terceiro lugar’, ação” (Caminho, 82). Assim produziremos os frutos desejados por Nosso Senhor.

Oração. Senhor Jesus, meu amigo, vós conheceis perfeitamente a minha alma e o meu coração. Sabeis que não amo nem desejo suficientemente amar meus irmãos e dar a minha vida por eles como vós o fizestes por mim. Mas vós tirais água do rochedo, então podeis tirar amor do meu coração. Ensinai-me, pois, a amar de verdade, a fim de que eu seja um ramo ligado à videira e produza muitos frutos.

Propósito. — Tomar um caderno e uma caneta e, todos os dias, escrever uma carta para Jesus como a um amigo, relatando humildemente as próprias dificuldades e pedindo a Deus o auxílio da sua graça na tarefa da própria santificação.

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