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Homilia Dominical
5 Mai 2016 - 27:11

Desapegar-se do mundo para elevar-se com Cristo

Das várias lições que podemos tirar meditando o mistério da Ascensão do Senhor, a maior delas é o desapego do mundo. Embora essa expressão pareça muitas vezes severa, trata-se apenas de um sinônimo para “liberdade interior”. Quem se prende às coisas deste mundo é incapaz de elevar-se para o Céu.
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Homilia Dominical - 5 Mai 2016 - 27:11

Desapegar-se do mundo para elevar-se com Cristo

Das várias lições que podemos tirar meditando o mistério da Ascensão do Senhor, a maior delas é o desapego do mundo. Embora essa expressão pareça muitas vezes severa, trata-se apenas de um sinônimo para “liberdade interior”. Quem se prende às coisas deste mundo é incapaz de elevar-se para o Céu.
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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc
24, 46-53)

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: "Assim está escrito: O Cristo sofrerá e ressuscitará dos mortos ao terceiro dia e no seu nome serão anunciados a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém.

Vós sereis testemunhas de tudo isso. Eu enviarei sobre vós aquele que meu Pai prometeu. Por isso, permanecei na cidade, até que sejais revestidos da força do alto".

Então Jesus levou-os para fora, até perto de Betânia. Ali ergueu as mãos e abençoou-os. Enquanto os abençoava, afastou-se deles e foi levado para o céu. Eles o adoraram. Em seguida voltaram para Jerusalém, com grande alegria. E estavam sempre no Templo, bendizendo a Deus.

*

As lições que extraímos do mistério da Ascensão do Senhor são três, a saber: humildade, eficácia e desapego.

Primeiro, assim como Cristo Se escondeu de Seus discípulos, inaugurando outra espécie de presença entre eles — não mais aquela sensível, senão outra mais elevada, através da fé —, também nós precisamos nos ocultar, se quisermos efetivamente ascender com Ele aos céus. Isso aponta tanto para a virtude da humildade — por meio da qual nos ocultamos à vista dos outros e procuramos unicamente o louvor de Deus — quanto para a vida de oração, como ensinou Jesus: "Tu, quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora ao teu Pai que está no escondido" (Mt 6, 6). Quem ama, de fato, tem necessidade de estar a sós com a pessoa amada, tratando intimamente com ela, conforme dito de Santa Teresinha do Menino Jesus: "Para os amantes é necessária a solidão" [1].

Esse escondimento é o que dá eficácia ao nosso apostolado, assim como o escondimento de Cristo nos céus foi fecundo para os Seus Apóstolos, como Ele mesmo havia anunciado: "É de vosso proveito que eu me vá" (Jo 16, 7). As nossas obras, igualmente, só terão frutos, se nos unirmos a Deus através da oração. De nada servem as preocupações e a agitação de Marta, sem o repouso "aos pés do Senhor" e a escuta da Palavra, que são a parte de Maria, "a única necessária" e a "que não lhe será tirada" (cf. Lc 10, 38-42). No seio da Igreja também, a vida contemplativa é como o coração de toda a sua atividade apostólica. É por isso que Santa Teresinha do Menino Jesus, mesmo vivendo durante toda a sua vida em uma clausura, pôde ser proclamada "padroeira das missões". Ela tinha descoberto o seu lugar "no coração da Igreja": o Amor, que dá forma a todas as obras cristãs, sejam quais forem [2].

Por fim, a última e mais importante lição que nos ensina este mistério é o desapego do mundo. Don Divo Barsotti dizia que uma folha grudada à árvore não é levada pelo vento: pode até ser agitada para lá e para cá, mas não voa. Se quisermos ascender com Jesus ao Céu, precisamos abandonar o que é terreno, romper os laços que nos prendem a este mundo e que impedem a nossa elevação espiritual. Embora a expressão "desapego" pareça muitas vezes severa, trata-se ela simplesmente de um sinônimo para "liberdade interior", já que o apego às coisas terrestres nos conduz justamente à escravidão. Desprendamo-nos, portanto, tendo diante dos olhos o desprendimento de Cristo, que é o nosso modelo.

Referências

  1. Poesias, XVII, 3. In: TERESA DO MENINO JESUS, Santa. Obras completas: escritos e últimos colóquios. São Paulo: Paulus, 2002, p. 546.
  2. Manuscrito B, 3v. In: TERESA DO MENINO JESUS, Santa. Obras completas: escritos e últimos colóquios. São Paulo: Paulus, 2002, p. 173.
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