Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Mc 11, 27-33)
Naquele tempo, Jesus e os discípulos foram de novo a Jerusalém. Enquanto Jesus estava andando no Templo, os sumos sacerdotes, os mestres da Lei e os anciãos aproximaram-se dele e perguntaram: "Com que autoridade fazes essas coisas? Quem te deu autoridade para fazer isso?" Jesus respondeu: "Vou fazer-vos uma só pergunta. Se me responderdes, eu vos direi com que autoridade faço isso. O batismo de João vinha do céu ou dos homens? Respondei-me". Eles discutiam entre si: "Se respondermos que vinha do céu, ele vai dizer: 'Por que não acreditastes em João?' Devemos então dizer que vinha dos homens?" Mas eles tinham medo da multidão, porque todos, de fato, tinham João na qualidade de profeta. Então eles responderam a Jesus: "Não sabemos". E Jesus disse: "Pois eu também não vos digo com que autoridade faço essas coisas".
Celebramos hoje, com grande alegria, a memória de São Justino, mártir. Este santo viveu no período que chamamos de idade sub-apostólica, época em que ainda havia pessoas que tinham conhecido os Apóstolos. Trata-se da primeira leva de santos, num momento em que a Igreja já estava sendo perseguida e martirizada.
São Justino nasceu na Samaria, o mesmo território onde Jesus encontrou a samaritana no poço de Sicar. Ele foi leigo e um grande estudioso, de modo que, além de conhecer profundamente a doutrina cristã, para ele a verdadeira filosofia, também defendeu a Igreja diante dos imperadores romanos.
Justino escreveu as Apologias ao imperador Antonino Pio, nas quais relatou com detalhes a vida dos primeiros cristãos. É interessante lermos as apologias de Justino e ver como a Igreja nasceu católica, e não protestante. Justino nunca disse: “Nós, cristãos, seguimos a autoridade das Escrituras e trazemos a Bíblia debaixo do braço para que cada um a interprete como quiser”. Ele falou, ao explicar sobre a vida cristã para o imperador, de uma Igreja plenamente católica, descrevendo, por exemplo, os ritos sacramentais que os católicos usam até hoje.
Esse santo, um grande apologista, não se limitou a defender a fé com escritos, mas com a própria vida, derramando o seu sangue. Ele é um exemplo extraordinário que nos inspira, sobretudo nestes tempos de crise.
Necessitamos de leigos que estudem a doutrina cristã e, convencidos dela, não somente vejam com a inteligência a verdade da fé, mas a experimentem por meio de uma santidade profunda, pois quando nos debruçamos sobre as verdades da fé e começamos a buscar um conhecimento mais profundo, terminamos, com a graça de Deus, tendo delas um conhecimento também experimental. Deus pode e quer nos dar a experiência das verdades que estudamos, e é por meio dela que nos tornamos capazes de derramar o sangue por amor a Cristo.
Vivemos numa época em que a Igreja passa por uma grande apostasia, onde os católicos não estão mais prontos para o martírio. Por isso, diante do primeiro aperto do mundo, a alma “espana” e abandona a fé. Antigamente, para que os católicos apostatassem, eram necessárias ameaças, cadeias e torturas. Hoje, não é preciso muito: basta uma censura das redes sociais ou o medo de que os “amigos” olhem torto para que o fiel já mude de opinião e se conforme ao mundo.
Atualmente, muitos leigos, diante das verdades católicas e das falsidades e mentiras do mundo, alegremente abandonam as primeiras para abraçar as segundas: ideologias como a de gênero, relativismo religioso, indiferentismo, uma moral sexual laxa… Eis o caminho largo que os católicos de hoje têm preferido em vez da verdadeira fé! E essa grande apostasia se dá desde o mais pequeno fiel até homens ilustres e importantes do clero.
Infelizmente, não temos mais leigos do “calibre” de um São Justino, homens que verdadeiramente se ponham a estudar como ele, um filósofo que não quis apenas conhecer as coisas, mas saboreá-las por dentro, tendo um conhecimento experimental da verdade que o tornou capaz de derramar o sangue para testemunhar a fé.
Portanto, peçamos hoje a intercessão de São Justino, a fim de que ele nos dê a graça de verdadeiramente experimentarmos as verdades que ele defendeu com seus escritos e com o seu sangue, para que também nós sejamos dignos das promessas de Cristo.




























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