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206. Um mal chamado suicídio

Nos últimos tempos, o suicídio tem se apresentado uma realidade assustadoramente próxima da sociedade brasileira. Mas que transformações sociais e institucionais estariam nas raízes deste mal? O que podemos fazer para exorcizar este espectro que ronda nossas famílias?

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O suicídio é um tema muito delicado e basta a sua evocação para que alguns tremam de horror. Nos últimos anos, essa prática assustadora, que parecia algo próprio de países escandinavos e do Japão, começou a espalhar-se também pelo Brasil, onde, segundo as estatísticas mais recentes, acontecem 10 mil suicídios por ano, um fenômeno que não exclui nenhuma classe, atingindo desde os mais pobres aos mais ricos, dos leigos aos clérigos.

No início do século XX, um sociólogo chamado Émile Durkheim tentou encontrar as causas que levariam uma pessoa a tirar a própria vida, e, embora seus estudos já estejam desatualizados, ele descobriu algo que ainda merece atenção: para Durkheim, as pessoas que não têm vínculos sociais duradouros — ou seja, família — são as mais propensas a cometer suicídio. Ele afirma, p. ex., que pessoas solteiras e mulheres sem filhos têm mais chances de se suicidarem que os demais.

Algumas décadas mais tarde, o psicólogo Viktor Frankl apresentou novos estudos que chegaram à mesmíssima conclusão. Durante sua estadia no campo de concentração, Frankl percebeu que somente aqueles cujas vidas possuíam algum sentido, quer fosse social ou religioso, conseguiam enfrentar o sofrimento até o fim; todavia, aqueles que já não esperavam mais nada da vida, por assim dizer, acabavam recorrendo ao suicídio. Frankl concluiu que, basicamente, duas são as motivações para alguém não se suicidar:

  • a convicção de que o suicídio causará o sofrimento a alguém próximo;
  • o medo de ir para o inferno.

Com base nesses dados, Viktor Frankl desenvolveu a conhecida logoterapia, que procura ajudar os pacientes a ver o que a vida espera deles, e não o que eles devem esperar da vida. Em outras palavras, a logoterapia tem por objetivo revelar o sentido da vida ao seu paciente. Vale a pena conferir uma entrevista de Frankl, na qual ele conta como conseguiu convencer dois colegas no campo de concentração a não cometerem suicídio, fazendo-os enxergar aquilo que os prendia a esta vida.

No fundo, as causas que levam ao suicídio demonstram, na maioria dos casos, uma enorme imaturidade da vítima. Todo ser humano nasceu para realizar alguma coisa, para cumprir uma missão, para encontrar o sumo bem, ou seja, aquilo que irá realizá-lo definitivamente. Um homem nasceu para ser pai assim como uma mulher nasceu para ser mãe. E isso não somente no plano biológico, mas, sobretudo, no sentido psicológico e espiritual. Portanto, um homem ou uma mulher que se recusa a crescer e ser família acaba negando a sua identidade mais íntima, de modo que a sua vida se torna vazia e qualquer outro propósito se torna efêmero.

Notem que os sofrimentos daqueles que se suicidam não são tão grandes como os de outras pessoas que, mesmo na mais terrível das situações, mantêm-se firmes perante a cruz. Neste sentido, existe uma equação do suicídio: desespero mais sofrimento insensato. Como a pessoa não tem um sentido maior pelo qual viver, qualquer pretexto serve para que ela se jogue de uma ponte.

No caso do clero, a perda da identidade do sacerdote como pai e pastor do rebanho deve ser encarada como um fator decisivo para o fenômeno do suicídio entre os padres. Se um sacerdote se recusa a ser pai, ele termina absolutamente sozinho na sua casa paroquial, resumido à trivialidade de um administrador de paróquia. E isso se torna mais perigoso quando a fraternidade sacerdotal e o ardor missionário não existem mais. O sacerdote acaba se isolando por completo em consolações desonestas e contrárias à sua identidade, o que o leva a um profundo desespero, pois ele se torna alguém completamente desfigurado. Infelizmente, essa situação é tão comum no clero que Voltaire chegou um dia a dizer: “Os padres se encontram sem se saudar, vivem sem se conhecer e morrem sem se chorar”.

Eis aí o porquê de defendermos a família e as instituições sagradas. Como visto, elas nos fornecem um sentido maior para esta vida, encorajando-nos a viver plenamente o chamado do amor, de modo que as pessoas não se tornem descartáveis. Do contrário, seguiremos o caminho iniciado pela revolução industrial, destruindo a família e a Igreja e cedendo lugar aos interesses puramente materiais. Os resultados disso colhemos agora: vamos para a forca depois de termos trocado o Céu por trinta moedas de prata.

Recomendações

  • Émile Durkheim, O Suicídio (trad. de Monica Stahel). São Paulo: Martins Fontes, 2000.
  • Viktor Frankl, A descoberta de um sentido no sofrimento (entrevista no YouTube).

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