Uma mestra da vida espiritual
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Uma mestra da vida espiritual

Celebramos hoje a memória de Santa Teresa d’Ávila, Doutora da Igreja, que nos deixou em sua obra “Caminho de Perfeição” um itinerário claro de como é possível progredir na vida de oração e intimidade com Cristo.

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 12,1-7)

Naquele tempo, milhares de pessoas se reuniram, a ponto de uns pisarem os outros. Jesus começou a falar, primeiro a seus discípulos: “Tomai cuidado com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia. Não há nada de escondido que não venha a ser revelado, e não há nada de oculto que não venha a ser conhecido.

Portanto, tudo o que tiverdes dito na escuridão, será ouvido à luz do dia; e o que tiverdes pronunciado ao pé do ouvido, no quarto, será proclamado sobre os telhados.

Pois bem, meus amigos, eu vos digo: não tenhais medo daqueles que matam o corpo, não podendo fazer mais do que isto. Vou mostrar-vos a quem deveis temer: temei aquele que, depois de tirar a vida, tem o poder de lançar-vos no inferno.

Sim, eu vos digo, a este temei. Não se vendem cinco pardais por uma pequena quantia? No entanto, nenhum deles é esquecido por Deus. Até mesmo os cabelos de vossa cabeça estão todos contados. Não tenhais medo! Vós valeis mais do que muitos pardais”.

Com grande alegria celebramos hoje a memória da Doutora da Igreja Santa Teresa d’Ávila. Santa Teresa Viveu 500 anos atrás e com 67 anos conseguiu não apenas reformar o Carmelo, mas também deixar um imenso legado espiritual para toda a Igreja.

O que podemos aprender de Santa Teresa d’Ávila? Qual é seu legado? Primeiro precisamos olhar para a sua vida. Santa Teresa d’Ávila nasceu na Espanha em 1515 de pais muito virtuosos. A mãe, Beatriz, morreu logo cedo, e Santa Teresa confiou-se à Virgem Maria, dizendo diante de uma imagem que ela seria sua mãe; de fato, Maria cuidou muito de Teresa. O pai, Alonso, era homem de muita virtude e deu à menina uma boa educação, mas queria dar-lhe também um bom casamento. No entanto, graças à formação que Teresa recebeu das agostinianas de Ávila, ela começou a querer dedicar-se completamente a Deus; mas não queria ser agostiniana, e sim carmelita. O pai porém não lhe deu permissão.

Aos 20 anos, ela decidiu sair de casa às escondidas para entrar no Carmelo e escolheu justamente o Dia de Finados, 2 de novembro, para fazê-lo. Teresa diz que foi um esforço tão grande, que seus ossos desconjuntaram ao entrar no Carmelo. Passado um tempo, o pai aceitou a vocação. Teresa, porém, logo caiu enferma, tomada por uma doença estranha sem cura conhecida. O pai pediu permissão para levar Teresa — que então se chamava Dona Teresa de Ahumada, porque as carmelitas da época podiam conservar seus títulos de nobreza —, a fim de buscar tratamento para a doença. No caminho, um tio chamado Pedro deu a Teresa um livro espiritual, o Terceiro Abecedário, com o qual ela aprendeu o que é recolhimento e como fazer oração pessoal.

Aqui vemos que a doença foi providencial: enquanto a comunidade carmelita vivia a vida regular, Santa Teresa, devido à enfermidade, tinha mais tempo para rezar e estar sozinha com Deus, que começou a realizar dentro dela uma transformação extraordinária. Foi assim que, durante os 19 anos seguintes, Santa Teresa procurou cultivar uma zelosa vida de oração. Ela não tinha diretor espiritual nem quem a aconselhasse ou soubesse dizer-lhe o como ia sua vida de oração. No entanto, ele tinha uma determinada determinação, para usar uma expressão sua. Aqui está a primeira lição de Santa Teresa d’Ávila, ensinada no livro Castelo Interior, nas II Moradas, onde explica que, quando a alma decide ter vida interior, o inferno se desata contra ela. Em outra passagem, ela afirma: “Murmure quem murmurar, reclame quem reclamar. Mesmo que lhe faltem as forças, mesmo que o mundo caia em cima de ti, não voltes atrás, continua a rezar, continua nessa determinada determinação de rezar”.

Eis a primeira lição desta grande Doutora — a necessidade da vida de oração. Se quisermos ser santos, precisamos rezar e rezar muito, porque é necessário dar a Deus a possibilidade de nos transformar o coração. Só haverá santos se houver antes a ação divina que opera nos corações. Em teologia, essa operação é chamada “graça atual” e ocorre principalmente na vida de oração. Na prática, o meio de alcançar graças atuais está em receber bem os sacramentos, confessar-se direito e comungar com piedade, mas, sobretudo, em rezar generosamente e estar disposto a deixar Deus ir transformando a própria vida, para que as virtudes se desenvolvam.

Após quase duas décadas de oração, Teresa viu acontecer dentro de si uma transformação extraordinária, à qualé costume referir-se como “a conversão de Santa Teresa”. Um dia, enquanto rezava em frente a uma imagem de Jesus flagelado, ela notou em si uma transformação interior; a partir daquele momento, soube que estava a crescer cada vez mais na vida de oração.

Esse progresso está relatado no Livro da Vida, escrito por ela justamente por não ter diretor espiritual, na esperança de que alguém, lendo sua história, soubesse explicar o que se estava passando com ela. Eis a grande providência de Deus com Santa Teresa d’Ávila: pela primeira vez na história da Igreja, depois de 1500 anos, surgiu um santo que descrevesse o modo como alcançou a santidade. O relato da vida interior de Santa Teresa nos proporciona um parâmetro de estudo, um caminho de referência que pode ser trilhado por todos.

É belíssimo o Livro da Vida, com tantas manifestações místicas, visões extraordinárias e exemplos de grandes virtudes; mas o importante, mais do que tudo, é entender que todos temos um chamado à santidade. Pode ser que não experimentemos manifestações extraordinárias como as de Santa Teresa (levitar, transverberação, visões e êxtases etc.); pode ser que o nosso caminho seja o ordinário e comum — como, por exemplo, o de Santa Teresinha do Menino Jesus —, uma coisa porém é certa: ninguém será santo sem vida de oração, sem intimidade com Jesus, sem se abrir à graça de Deus, que vai fazendo a nossa vontade assimilar-se cada vez mais à sua santa e divina vontade.

Como Jesus no Horto das Oliveiras, que, mesmo em grande agonia, pôs sua vontade humana, sempre ordenadíssima, à disposição da divina, também nós somos chamados a submeter e conformar nossos caprichos e vontades desordenadas à vontade de Deus. É a oração o que tornará isso possível. — Que Santa Teresa d’Ávila nos abençoe do céu, concedendo-nos a graça de rezar de forma amorosa e constante, sem jamais desfalecer. Somente num relacionamento de amor, num trato de amizade com Jesus, como ela costumava dizer, é que seremos transformados naquele a quem amamos.

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