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No curso Engenharia da Santidade, mostramos que o progresso na vida espiritual depende sobretudo da oração, que é a base mais sólida do edifício que pretendemos construir. Se se exclui essa base, todo o prédio vem abaixo, porque ele não pode se sustentar sozinho. A vida mística é, ao fim e ao cabo, a regra mais básica para todo católico que deseja chegar à perfeição, seja na espiritualidade inaciana, franciscana, carmelita ou laical.

A santidade é o fruto mais excelente da intervenção divina na alma humana. Trata-se de algo sobrenatural, que nasce da relação íntima entre Deus e o homem. Quanto mais nos aproximamos do Senhor, mais Ele modifica o nosso coração, enviando-nos virtudes teologais para levarmos uma vida divina, como “filhos de Deus sem defeito no meio duma geração má e perversa” (Fl 2, 15).

Naturalmente, o inimigo de Deus conhece bem o potencial da vida de oração, e sabe do risco que os seus projetos malignos correm caso todos os católicos decidam-se pela vida mística. Com efeito, o diabo tem investido todas as suas forças para mundanizar a Igreja e esvaziá-la de qualquer vestígio sobrenatural, algo que São Pio X já denunciava no início do século XX. E, para destruir a ordem sobrenatural, teólogos modernistas ensinam que a “ação divina é uma e a mesma com a ação da natureza, como a causa primeira com a causa segunda” (Pascendi). Em outras palavras, a nova teologia desconsidera o mundo espiritual.

Vejamos um exemplo prático: o modo como entendemos a celebração eucarística atualmente. As pessoas não se identificam mais com o mistério da liturgia, mas com a “presença de palco” do sacerdote, que se tornou o centro da celebração. A música, os gestos, a própria Comunhão eucarística perderam todo o sentido, para darem espaço à atividade humana. No livro Introdução ao Espírito da Liturgia, Joseph Ratzinger não poupou críticas às “inovações mais absurdas da últimas décadas” que puseram de lado a cruz, “a fim de libertar a vista dos fiéis para o sacerdote” (2012, p. 62).

Essa mesma naturalização da Igreja se observa em outras atividades. A Confissão, por exemplo, é tratada como um desabafo ou orientação psicológica, e quase não se veem esforços para ajudar os fiéis a se manterem em estado de graça. Também o uso das vestes litúrgicas se resume a um exibicionismo, que não se recorda da dimensão sacramental. Em suma, a Igreja fica reduzida a uma instituição social, a mais um número no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ).

Toda essa situação é dramática porque não existe santidade sem relação sobrenatural com Deus. Se as pessoas não lutarem para se manterem livres do pecado mortal, elas jamais se santificarão, pois o Espírito Santo não poderá movê-las, assim como o vento não pode mover um barco cujas velas estão furadas. É urgente, pois, uma redescoberta do sobrenatural. Do contrário, o edifício espiritual da Igreja estará com os dias contados.

Referências

  • Joseph Ratzinger. Introdução ao espírito da Liturgia. 5.ª ed. Prior Velho: Paulinas, 2012.
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