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196. Bem-aventurados os que morrem no Senhor!

Após seis anos de luta com o câncer, faleceu neste domingo, 19 de novembro de 2017, aos 51 anos de idade, Ana Cristina Santa Rosa Azevedo, irmã mais velha do Pe. Paulo Ricardo. Por isso, na transmissão ao vivo de hoje, Pe. Paulo convida você, que faz parte de nossa família, a meditarmos juntos sobre o mistério da morte cristã.

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A Igreja dedica as últimas semanas do tempo litúrgico aos Novíssimos, isto é, às coisas que acontecerão com o homem no fim de sua vida: a morte, o juízo, o Céu e o Inferno. Por isso, a razão de ser desta aula é, por um lado, meditar sobre o modo como os cristãos devem lidar com a morte e, por outro, agradecer às pessoas que rezaram e expressaram suas condolências pelo falecimento da irmã do Padre Paulo Ricardo, Ana Cristina († 19/11/2017).

Há seis anos, Ana Cristina foi diagnosticada com câncer de mama. Apesar da esperança do tratamento — sessões de quimioterapia e radioterapia, retirada das duas mamas etc. —, tanto ela quanto sua família já estavam cientes de que se tratava de um caso grave, uma vez que a doença havia invadido a corrente sanguínea e, portanto, aumentado as chances de o câncer se desenvolver em outras regiões do corpo.

E foi o que, de fato, ocorreu.

Depois de um tempo de trégua, Ana Cristina voltou ao médico para tratar de uma dor de cabeça. Uma radiografia acabou revelando a existência de um tumor no cérebro, gerado por um tipo de câncer meníngeo, que atinge todo o sistema nervoso. O diagnóstico médico para esse tipo de câncer costuma ser bastante negativo.

Nesse tempo entre a certeza da morte e a agonia da espera, Deus a agraciou, por quase um ano e meio, com uma vida espiritual profunda e a oportunidade de unir-se a Jesus no sacrifício da cruz. Ana Cristina viveu seus últimos dias com grande fé e bom humor, algo mesmo surpreendente se se considerar a gravidade da doença da qual ela padecia. O câncer, que devia ter afetado sua memória, não a impediu, contudo, de amar a Deus e se preparar para o encontro definitivo com Ele no Céu.

Esse testemunho da misericórdia divina deve nos fazer recordar aquele versículo do livro do Apocalipse que diz: “Felizes os mortos que doravante morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, descansem dos seus trabalhos, pois as suas obras os seguem”. Morrer no Senhor significa morrer na fé, significa morrer sob as graças do Altíssimo, como cumprimento do preceito bíblico de que, sem fé, é impossível agradar a Deus (cf. Hb 11, 6).

Existem duas maneiras de se agradar a Deus, sendo uma mais elevada que a outra, conforme a explicação de Frei Maria Eugênio. A primeira forma, que é a menos elevada, diz respeito à ordem natural da criação: “Alguns atos humanos, atos de bondade natural, e até mesmo a bondade da própria natureza, agradam a Deus”. Mas há uma segunda maneira de fazê-lo, que é a da “alegria íntima” do Senhor que vê o próprio Filho refletido na criatura, por meio da fé:

Não há outro meio além da fé para dar esta alegria a Deus, para entrar em sua alegria, para entrar, poderíamos dizer, no ritmo de suas operações trinitárias. Consequentemente, para falar de forma adequada, não há outro meio senão a fé para entrar na própria essência de Deus, naquilo que ele é, no mundo sobrenatural ao qual fomos destinados — em nossa Pátria (cf. Hb 11, 14-16) já que, como filhos de Deus, nós somos os seus “herdeiros” (cf. Rm 8, 17).

A fé teologal une o ser humano à Pessoa de Cristo de uma maneira singular. Trata-se mesmo de uma hipóstase, e não apenas de uma “disposição interior”, como adverte o autor da Carta aos Hebreus: “A fé é 'hipóstase' das coisas que se esperam; prova das coisas que não se vêem” (11, 1). Tal união faz com que Deus, ao olhar para a criatura humana, veja o reflexo de Jesus, o seu Filho amado, em quem põe a sua afeição (Mt 3, 17). Isso explica como tantos santos viveram o momento da morte na mais profunda paz de espírito, uma vez que, pela graça da fé batismal, estavam totalmente unidos a Cristo.

Ana Cristina pôde experimentar essa paz à medida que sua beleza exterior, debilitada por conta da doença, cedia espaço a uma beleza interior, alcançada por meio da recepção dos sacramentos e de uma vida intensa de oração. Toda a sua família teve a graça de acompanhar essa transformação e alegrar-se por ver que Deus a queria como o “jardim de suas delícias”. Ana Cristina viveu seu matrimônio espiritual com o Senhor.

É a partir da fé, portanto, que os cristãos devem lidar com a morte. De fato, nossa memória sensitiva traz-nos recordações que podem gerar saudade, dor e tristeza diante da perda de uma pessoa querida. Embora essas lembranças não sejam em si mesmas ruins, elas devem, entretanto, ser ordenadas pela memória espiritual, que coloca a alma diante das verdades eternas e, com isso, afasta o risco do desânimo, do desespero e das depressões, sentimentos muito comuns entre aqueles que não têm os olhos fixos na vontade de Deus.

Padre Paulo Ricardo, apesar da dor de perder sua querida irmã, pôde testemunhar a alegria de saber que Deus a havia acolhido na vida eterna, preparando-a para isso durante vários dias. Mas essa alegria e paz interior só se obtêm por meio de uma vida de oração íntima e constante na presença de Deus, através da qual se experimenta a realidade do mar: agitado pelas ondas da superfície, mas profundamente pacífico em seu interior.

Motivados por esse grande testemunho de Ana Cristina, continuemos a pedir a Deus por ela ao mesmo tempo em que nos preparamos para nosso encontro definitivo, por meio da fé e da oração.

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