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144. Como devemos fazer o sinal da cruz?

Existe uma grande probabilidade de o sinal da cruz ser de origem apostólica. Traçar sobre si este sinal, portanto, não é um ato supersticioso, mas uma verdadeira entrega da própria vida à cruz salvadora de Cristo.

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Atualmente, a legislação para o Ocidente com relação ao sinal da cruz está contida no Cerimonial dos Bispos. Na nota de nº 81, no número 108, verifica-se uma citação do antigo ritual romano para a celebração da santa missa, que diz:

"Ao benzer-se, volta para si a palma da mão direita com todos os dedos juntos e estendidos, faz o sinal da cruz da fronte ao peito do ombro esquerdo ao direito. Quando abençoa os outros ou benze outras coisas volta o dedo mínimo para aquilo que abençoa e ao abençoar estende a mão direita mantendo os dedos juntos e unidos."

Mas, nem sempre foi assim. É evidente a legislação atual deve ser seguida, principalmente quando a matéria é litúrgica, contudo, não se pode negar que existem outras práticas devocionais por influência de outros ritos. É por isso que é necessário ir às origens do tema.

Existe uma grande probabilidade de que o sinal da cruz seja de origem apostólica. São Basílio de Cesareia diz no seu tratado sobre o Espírito Santo que existem várias tradições que foram recebidas dos apóstolos que não estão escritas nas Sagradas Escrituras. E diz mais: "para relembrar o que vem primeiro e e mais comum, quem ensinou por escrito a assinalar com o sinal da cruz aqueles que esperam em Nosso Senhor Jesus Cristo?" ou seja, o sinal da cruz, no século IV, já era tido como de origem apostólica.

O primeiro sinal claro da prática devocional do sinal da cruz está no escrito De corona militis, de Tertuliano, diz:

"Em cada caminhada e movimento, em cada entrada e saída, no vestir, no calçar, no banho, no estar à mesa, no acender as luzes, no deitar, no sentar, no lidar com qualquer ocupação, marcamos a testa com o sinal [da cruz]." (3,4: PL 2, 80A)

Ele está apresentando uma tradição, ou seja, algo que já se tinha costume, já era certo. Isso no final do século II, início do século III. No entanto, o sinal tal como atestado por Tertuliano possivelmente é aquele pequeno sinal da cruz feito na fronte e não esse de que foi falado. Esse gesto tem um fundamento bíblico, conforme se vê no Livro de Ezequiel, cap. 9, v. 4, no qual o profeta tem uma visão de Deus falando ao anjo: "passa no meio da cidade, no meio de Jerusalém e marca com um tao (sinal da cruz) na testa dos homens que gemem por tantas abominações que nela praticam". Trata-se, portanto, de um sinal arraigado na profecia do Antigo Testamento e não demorou para que a Igreja reconhecesse nesse 'tao' o sinal da cruz de Cristo.

São Gaudêncio de Bréscia diz: "Esteja a Palavra de Deus e o sinal da cruz no coração, na boca e na fronte. Em meio à comida, em meio à bebida, em meio às conversas, nas abluções, nos leitos, nas entradas, nas saídas, na alegria, na tristeza." (Sermo VIII, De evangelii lectione primus: PL 20, 890) Apesar de ser na ordem inversa da que é utilizada hoje, esse texto ilustra a inegável relação entre a Palavra de Deus e o sinal da cruz.

Por causa dessa relação o sinal da cruz pequeno foi se estendendo. Até que se chegou na controvérsia cristológica do monofisismo (Jesus, uma só natureza), algumas pessoas, para atestar a fé de que em Jesus existem duas naturezas, passaram a fazer o sinal da cruz com dois dedos e ampliaram o sinal, para que os dois dedos foram notados.

Com o passar do tempo, surgiu a vontade de se expressar o mistério da Trindade e o das duas naturezas de Jesus, de modo que os três dedos foram unidos simbolizando a Trindade e dois dedos foram recolhidos simbolizando as duas naturezas. Por causa da riqueza desse sinal, ele permaneceu durante toda a Idade Média, inclusive no Ocidente. O Papa Inocêncio III ensina:

"O sinal da cruz deve então ser feito com três dedos, pois ele assinala sob a invocação da Trindade; a respeito da qual disse o profeta: 'quem pendurou com três dedos a massa da terra?' (Isaías 40,12). É assim que se desce do alto para baixo, e da direita se passa à esquerda, pois Cristo desceu do céu à terra e dos Judeus passou para os gentios. Alguns [sacerdotes], porém, fazem o sinal da cruz da esquerda para a direita, pois devemos passar da miséria para a glória, assim como Cristo passou da morte para a vida e do inferno para o paraíso, para que eles assinalem a si mesmos e os outros em uma só direção. Se olhares com atenção, também sobre os outros, faremos o sinal da cruz da direita para a esquerda, já que não os assinalamos como que dando-lhes as costas, mas apresentando-nos de frente." (De sacro altares mysterio, 2, 45: PL 217, 825)

Havendo tanto simbolismo nos três dedos juntos e nos dois recolhidos, como explicar, então, os cinco dedos estendidos, conforme a legislação atual determina? Eles representam as cinco chagas de Cristo, que são o sinal da cruz. Cristo, com a sua cruz, tira toda a condenação do homem (por isso, da esquerda para a direita). O sinal da cruz é um sacramental, seja na forma reduzida como na mais ampla, que deve ser usado abundantemente.

Por fim, é preciso recordar a tradição da região ibérica que assinala o pequeno sinal da cruz, antes do grande sinal da cruz pedindo a Deus o livramento do mal, com a famosa oração: "pelo sinal da santa cruz, livre-nos, Deus nosso Senhor, dos nossos inimigos."

Fazer o sinal da cruz com devoção não é um ato supersticioso, mas uma verdadeira entrega da própria vida à cruz salvadora de Cristo.

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