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Christo Nihil Praeponere"A nada dar mais valor do que a Cristo"
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A Igreja sempre afirmou que o batismo é necessário para a salvação da alma. E jamais disse que os não batizados têm como destino o inferno. Parecem afirmações contraditórias, mas não são. Somente Deus tem o poder de condenar uma alma ao inferno. O conhecimento de quem vai ou não para o fogo eterno não foi dado nem ao homem nem à Igreja. O Concílio Vaticano II, em sua constituição dogmática Lumen Gentium, diz em seu número 14:

O sagrado Concílio volta-se primeiramente para os fiéis católicos. Fundado na Escritura e Tradição, ensina que esta Igreja, peregrina sobre a terra, é necessária para a salvação. Com efeito, só Cristo é mediador e caminho de salvação e Ele torna-Se-nos presente no Seu corpo, que é a Igreja; ao inculcar expressamente a necessidade da fé e do Batismo, confirmou simultaneamente a necessidade da Igreja, para a qual os homens entram pela porta do Batismo. Pelo que, não se poderiam salvar aqueles que, não ignorando ter sido a Igreja católica fundada por Deus, por meio de Jesus Cristo, como necessária, contudo, ou não querem entrar nela ou nela não querem perseverar.

São plenamente incorporados à sociedade que é a Igreja aqueles que, tendo o Espírito de Cristo, aceitam toda a sua organização e os meios de salvação nela instituídos, e que, pelos laços da profissão da fé, dos sacramentos, do governo eclesiástico e da comunhão, se unem, na sua estrutura visível, com Cristo, que a governa por meio do Sumo Pontífice e dos Bispos. Não se salva, porém, embora incorporado à Igreja, quem não persevera na caridade: permanecendo na Igreja pelo «corpo», não está nela com o coração. Lembrem-se, porém, todos os filhos da Igreja que a sua sublime condição não é devida aos méritos pessoais, mas sim à especial graça de Cristo; se a ela não corresponderem com os pensamentos, palavras e ações, bem longe de se salvarem, serão antes mais severamente julgados.

Os catecúmenos que, movidos pelo Espírito Santo, pedem explicitamente para serem incorporados na Igreja, já lhe estão unidos por esse desejo, e a mãe Igreja já os abraça com amor e solicitude.

Além disso, para tornar ainda mais clara a urgência do batismo, no dia 20 de outubro de 1980, foi publicado pela Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, o documento “Instrução Pastoralis Actio sobre o batismo de crianças”. Nele se vê uma explicação detalhada acerca da apostolicidade do batismo dos pequenos. Trata-se realmente de uma tradição antiquíssima da Igreja que, porém, teve sua prática reduzida por volta do século IV:

É verdade que na prática do Batismo das crianças se verificou um certo retrocesso, no decurso do século IV. Nessa época, em que os próprios adultos adiavam a sua iniciação cristã, levados pelo temor dos pecados futuros e com o medo da penitência pública, muitos pais, movidos pelas mesmas razões, adiavam o Batismo dos seus filhos. Mas deve-se observar também que Padres e Doutores, como um São Basílio, um São Gregário de Nissa, um Santo Ambrósio, um São João Crisóstomo, um São Jerônimo ou um Santo Agostinho — que tinham sido eles próprios batizados na idade adulta, em virtude deste estado de coisas — reagiram em seguida vigorosamente contra uma tal negligência, pedindo com insistência aos adultos para não retardarem o Batismo , necessário para a salvação, e muitos de entre eles insistiram igualmente para que o mesmo fosse administrado também às criancinhas.

Diante disso, não há como responder objetivamente à pergunta, pois não nos foi revelado. É preciso confiar na infinita misericórdia do Senhor. ELE morreu para que toda a humanidade fosse salva. Quando uma criança morre, os corações se confrangem pela salvação dela, sendo assim, quanto mais Cristo que morreu para salvá-la. Deus é amor e ama a criança que morre sem batismo muito mais que qualquer homem.

Todavia, o que a Igreja sabe, pois lhe foi dito pelo próprio Senhor é que o batismo é necessário para a salvação, disso não se pode concluir, contudo, que não exista um outro modo de salvação, pois a mesma Igreja já admitiu anteriormente que, embora só tivesse sido dado o conhecimento do caminho do Batismo (com matéria e forma), ele pode ser mais amplo, pois aceitou o batismo de sangue e também o batismo de desejo.

Em um caso hipotético de um chinês que nunca tenha ouvido falar de Cristo e de sua Igreja, seria lógico pensar que, em vista disso, ao morrer tenha como destino o inferno? Se ele nunca ouviu falar da salvação comprada por Cristo ou mesmo remotamente da Igreja, do sacramento, da doutrina, como falar em condenação eterna? Não. Mais lógico é imaginar que, de algum modo, essa pessoa será alcançada pela misericórdia divina.

Por isso a Igreja se empenha tanto em levar o anúncio da Boa Nova a todos os povos. E também em batizar as pessoas. A fé da Igreja é a de que Deus ama o homem muito mais que o homem, por isso quer a sua salvação. Diante de uma criança que morreu sem batismo o que se pode fazer é colocá-la no coração de Deus e confiar que o Seu amor a alcançará.

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