Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo 14, 7-14)
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: “Se vós me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai. E desde agora o conheceis e o vistes”. Disse Filipe: “Senhor, mostra-nos o Pai, isso nos basta!”. Jesus respondeu: “Há tanto tempo estou convosco, e não me conheces, Filipe? Quem me viu, viu o Pai. Como é que tu dizes: ‘Mostra-nos o Pai’? Não acreditas que eu estou no Pai e o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo por mim mesmo, mas é o Pai que, permanecendo em mim, realiza as suas obras. Acreditai-me: eu estou no Pai e o Pai está em mim. Acreditai, ao menos, por causa destas mesmas obras. Em verdade, em verdade vos digo, quem acredita em mim fará as obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas. Pois eu vou para o Pai, e o que pedirdes em meu nome, eu o realizarei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho. Se pedirdes algo em meu nome, eu o realizarei”.
Celebramos hoje, com grande alegria, a memória de Santo Atanásio, que podemos considerar, de certo modo, como o Doutor da Igreja que “salvou” a fé católica.
No século IV, a Igreja viveu um momento dramático, em que quase deixou de existir. Na prática, muitos começaram a duvidar de que Jesus Cristo, o Filho de Deus feito homem, fosse verdadeiramente Deus, igual ao Pai em tudo. Reconheciam que Ele era o Filho, mas acreditavam que, em algum momento, tivesse sido criado por Deus.
Nesse contexto, Santo Atanásio enfrentou inúmeros exílios e perseguições, sofrendo intensamente para que a fé continuasse sendo proclamada e crida. Isso aconteceu num tempo em que muitos bispos apostataram, tornando-se arianos, e até mesmo o próprio Papa parecia vacilar. E por quê? Porque os poderes políticos da época pressionavam fortemente os bispos.
De certa forma, isso não é tão distante do que vivemos hoje. Os poderes do mundo não aplaudem quando professamos, de maneira firme, que Jesus é Deus que se fez homem e que somente n’Ele está a salvação. Em um contexto de pluralismo religioso, relativismo da verdade e irenismo — onde se tenta implantar uma espécie de religião universal, na qual “todas as religiões são iguais” e o importante seria apenas crer em alguma coisa —, afirmar que Jesus Cristo é o único Caminho, a Verdade e a Vida não é algo bastante inconveniente.
São Atanásio viveu em um mundo semelhante ao nosso nesse aspecto, porém ainda mais intolerante. As perseguições que sofreu foram bastante concretas e intensas, levando-o a viver como um verdadeiro confessor da fé. Não foi mártir, mas de fato ele confessou a fé em meio a enormes provações.
Nesse contexto, o Evangelho de hoje nos fala exatamente da Verdade que Santo Atanásio defendeu com tanto ardor: a relação única entre Jesus e o Pai, sendo Ele, Filho, igual ao Pai em tudo. Cristo não veio nos transmitir algo que ouviu de outros, mas falar daquilo que conhece. Como recorda o Prólogo do Evangelho de São João, “O Filho unigênito, que está no seio do Pai, foi quem o revelou” (Jo 1, 18). Jesus, portanto, é a própria Palavra de Deus que se fez carne e veio nos revelar o Pai eterno.
Santo Atanásio sofreu muito para preservar este artigo fundamental da fé, sobre o qual está edificada toda a Igreja: Jesus Cristo é o verdadeiro Deus eterno que se fez homem e morreu por nós na Cruz; por isso, Ele é o Filho do Pai eterno, amado pelo Espírito Santo, e foi Ele quem fundou a sua Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica.
Logo, peçamos hoje a Santo Atanásio que interceda por nós e ajude-nos a, mesmo em meio às dificuldades, jamais vacilarmos na Verdade e permanecermos firmes em nossa profissão de fé.



























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