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Homilia Dominical
15 Set 2017 - 25:34

O pecado não é uma trivialidade

No Evangelho deste domingo, Nosso Senhor conta a seus discípulos a parábola do credor incompassivo, explicando-lhes a necessidade do perdão. Nosso Senhor demonstra, com isso, que o ato de perdoar não é uma realidade corriqueira, mas algo que exige de nós uma profunda conversão. Nos dias de hoje, contudo, ao invés de perdoar de verdade, são muitos os que adotam o discurso da tolerância, receitando remédios falsos para um mal que leva à morte.
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Homilia Dominical - 15 Set 2017 - 25:34

O pecado não é uma trivialidade

No Evangelho deste domingo, Nosso Senhor conta a seus discípulos a parábola do credor incompassivo, explicando-lhes a necessidade do perdão. Nosso Senhor demonstra, com isso, que o ato de perdoar não é uma realidade corriqueira, mas algo que exige de nós uma profunda conversão. Nos dias de hoje, contudo, ao invés de perdoar de verdade, são muitos os que adotam o discurso da tolerância, receitando remédios falsos para um mal que leva à morte.
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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
( Mt
18, 21-35)

Naquele tempo, Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou: "Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?"

Jesus respondeu: "Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete. Porque o Reino dos Céus é como um rei que resolveu acertar as contas com seus empregados. Quando começou o acerto, levaram-lhe um que lhe devia uma enorme fortuna. Como o empregado não tivesse com que pagar, o patrão mandou que fosse vendido como escravo, junto com a mulher e os filhos e tudo o que possuía, para que pagasse a dívida.

O empregado, porém, caiu aos pés do patrão e, prostrado, suplicava: 'Dá-me um prazo, e eu te pagarei tudo!' Diante disso, o patrão teve compaixão, soltou o empregado e perdoou-lhe a dívida.

Ao sair dali, aquele empregado encontrou um de seus companheiros que lhe devia apenas cem moedas. Ele o agarrou e começou a sufocá-lo, dizendo: 'Paga o que me deves'.

O companheiro, caindo aos seus pés, suplicava: 'Dá-me um prazo, e eu te pagarei!' Mas o empregado não quis saber disso. Saiu e mandou jogá-lo na prisão, até que pagasse o que devia.

Vendo o que havia acontecido, os outros empregados ficaram muito tristes, procuraram o patrão e lhe contaram tudo.

Então o patrão mandou chamá-lo e lhe disse: 'Empregado perverso, eu te perdoei toda a tua dívida, porque tu me suplicaste. Não devias tu também ter compaixão do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti?'

O patrão indignou-se e mandou entregar aquele empregado aos torturadores, até que pagasse toda a sua dívida.

É assim que o meu Pai que está nos céus fará convosco, se cada um não perdoar de coração ao seu irmão".

O Evangelho deste domingo é um grande comentário àquela parte do Pai-Nosso em que pedimos a Deus o perdão de nossos pecados, e se insere no chamado discurso eclesiológico, em cujo conteúdo se encontram todos os ensinamentos de Cristo para a formação da Igreja. O perdão, ensina Jesus, é imprescindível à comunhão com Deus, porque apaga de nossos corações as rixas do pecado e nos vincula outra vez ao seu corpo místico.

Jesus narra a parábola do credor incompassivo para demonstrar que o perdão não é uma realidade trivial, mas algo que exige de nós uma profunda conversão. Não pode receber o perdão divino quem não perdoa igualmente aos seus irmãos.

No mundo atual, porém, constitui um grande obstáculo à verdadeira misericórdia o surgimento de uma ideologia que propaga uma falsa espécie de perdão. Trata-se da chamada "tolerância". Em nome de um bem-estar social, nega-se a existência do pecado e as suas consequências malignas para a alma humana.

Imagine a seguinte situação: você se sente mal e vai a um médico para que descubra as causas de suas dores. O médico faz o diagnóstico e você, então, fica sabendo que está com câncer. O doutor o acalma, explica que o câncer tem cura, mas que será necessária, porém, uma longa e dolorosa série de tratamentos: cirurgia para retirada do tumor, sessões de quimioterapia e, depois, fisioterapia para que você recupere seus movimentos.

A notícia o escandaliza e, por isso, você decide buscar o diagnóstico de outro médico. Mas, para sua desgraça, esse outro médico não é sincero como o primeiro e, pensando simplesmente em poupá-lo da dor, diz-lhe que sua doença é apenas um mal-estar corriqueiro. Ele receita-lhe uma pílula de morfina para cortar o desconforto e você, achando-se saudável, vai para casa tranquilo.

A tolerância é o remédio desse segundo médico. Infelizmente, não estamos dispostos a enxergar nossa doença profunda, o que nos leva a procurar qualquer solução fácil, qualquer morfina que retire nossas dores, que acabe com nossas crises de consciência. Porém, a única cura verdadeira para nossas enfermidades encontra-se nos méritos da cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. O bom médico deve, sim, receitar-lhe um longo e doloroso tratamento: a frequência aos sacramentos, a penitência, a mortificação, as obras de caridade... E depois de tudo isso, você ainda terá de crescer em virtudes até que, enfim, morra o homem velho e nasça o homem novo, cujo coração é capaz de perdoar.

Um grande número de cristãos, porém, não quer mudar de vida e prefere ficar com os remédios dos charlatões, que os livram de sua situação "opressora" sem que seja necessário, por outro lado, adequar-se às exigências do Evangelho. Os bons médicos, enquanto isso, são continuamente acusados de "rigorismo", "radicalismo", "fanatismo" etc. E com isso as almas se perdem.

Em 1946, o Papa Pio XII dedicou uma de suas radiomensagens a um Congresso Nacional sobre Catequese, realizado em Boston, nos EUA. Nessa radiomensagem, o papa dizia o seguinte: Perhaps the greatest sin in the world today is that men have begun to lose the sense of sin — "Talvez o maior pecado do mundo de hoje seja que o homem tenha começado a perder o sentido do pecado". Essa declaração do Santo Padre ficou famosa e ainda vale para os dias atuais, embora mereça uma atualização: o homem já perdeu totalmente o sentido do pecado. Hoje, o único pecado intolerável é dizer que existe pecado.

Na mesma radiomensagem, o servo de Deus recorda que o pecado deve ser entendido a partir da crucificação de Cristo, onde se revelou todo o amor de Deus. Para nos perdoar, Deus precisou sacrificar seu Filho unigênito, precisou submeter-se a uma terrível terapia para curar nossas doenças. Isso demonstra a gravidade do pecado, e que o perdão não é algo banal.

O servo impiedoso da parábola, portanto, precisaria voltar seus olhos para a grande misericórdia de seu patrão. A extensão de sua dívida, conforme está no Evangelho, seria algo na casa dos bilhões de reais hoje em dia. Mas ele achava que o perdão era uma trivialidade, que nada custava.

Pela fé, no entanto, nós sabemos: o perdão de nossos pecados custou o preciosíssimo sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo. Por isso, somente o acolhimento humilde e generoso das terapias de Deus poderá curar verdadeiramente os nossos corações.

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