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Christo Nihil Præponere"A nada dar mais valor do que a Cristo"
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Confira a história em quadrinhos de Nossa Senhora de Fátima!

Texto do episódio
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No Evangelho deste 17º Domingo do Tempo Comum (Mt 13, 44-52), a Igreja nos faz refletir a respeito de duas brevíssimas parábolas, cada uma composta de apenas um versículo, mas que estão entre as mais extraordinárias que Jesus nos contou.

Aqui, temos uma lição importantíssima do que é aquilo que viveram todos os grandes santos: “O Reino dos Céus é como um tesouro escondido num campo. Alguém o encontra, deixa-o lá escondido e, cheio de alegria, vai, vende tudo o que tem e compra aquele campo.” (Mt 13,44)

A primeira coisa que Jesus faz é trabalhar um pouco a nossa imaginação. Por isso, imaginemos nós mesmos um terreno baldio, de pouquíssimo valor. Consideremos que está em uma área periférica da cidade, num local pantanoso e alagado, repleto de sapos e cobras. Esse terreno está tomado de mato e de ervas daninhas. Tem um solo pobre, nada produtivo. Além disso, o relevo é acidentado! Em suma, um terreno dificílimo de fazer qualquer coisa útil, onde se você construísse uma casa, ela ficaria sujeita a desmoronamento e infiltrações. Enfim, um terreno péssimo, bastante desvalorizado, que as pessoas fizeram de lixão.

Acontece que, no meio desse terreno desprezível, há um tesouro escondido. Um dia, cavando entre o lixo, um homem acaba descobrindo que ali há uma jazida de ouro riquíssima! Um tesouro de que o dono do terreno não tem notícia.

Esse homem então se levanta, volta correndo para a favela onde mora e, chegando em casa, ainda resfolegante, diz:

— Mulher, vamos vender o nosso barraco! Esse carrinho de quinta mão que a gente tem eu vou vender também. E vamos pegar empréstimo no banco, com o agiota, com quem topar emprestar. Nós vamos fazer de tudo, vamos fazer das tripas coração, mas precisamos levantar esse dinheiro, porque vou comprar aquele terreno do lixão.

A mulher diz:

— Você está louco?!

Mas o marido não se importa, vai e vende tudo que tem. Empenha a sua vida! Financeiramente, aos olhos dos outros, o homem está provocando sua própria ruína para comprar um terreno desprezível, que não vale a pena.

O homem então vai ao proprietário do terreno e faz a proposta:

— Quero comprar o seu terreno. Já tenho o dinheiro, pago à vista!

— Não, mas…

— Quanto você está pedindo?

O proprietário diz o valor, o outro logo insiste:

— Ok, vou pagar o dobro, só para ter certeza de que você vai me garantir a venda — e então o homem compra o terreno alegremente!

A mulher dele não tem dúvidas: o marido só pode estar louco; e então entra com um pedido judicial para que ele seja impedido:

— Meu marido enlouqueceu: está querendo vender tudo que tem e o que não tem! — Mas acontece que nem ela nem o dono do terreno sabem do tesouro. Só aquele homem viu o tesouro, e por isso vendeu, feliz, absolutamente tudo o que tinha.

Podemos usar essa história para fazer uma analogia. Em suma brevidade, é exatamente assim a vida de todos os grandes santos da Igreja: homens e mulheres que “venderam tudo”, ou seja, entregaram tudo de si a Deus. Alguém é capaz de dizer qual santo teve uma vida “mansa”? Estamos concluindo julho, o mês do Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo. Por que preciosíssimo? Porque Jesus pagou o preço por nós. Nosso Senhor “vendeu tudo” para adquirir o tesouro que, para Ele, somos nós. No entanto, estaríamos dispostos a “vender tudo” para adquirir o tesouro que é Jesus? Essa é a vida dos santos: eles são aqueles que pagaram o preço.

Vale a pena deixar tudo para trás pelo Sumo e Preciosíssimo Bem! Ainda que, no mundo, aqueles que não viram a Jesus pensem que somos loucos por considerarmos pagar esse preço. Quanto a nós, podemos dizer: “Quem nos separará do amor de Cristo?”, totalmente cientes da lista dos preços que estamos dispostos a pagar: nem a perseguição, nem a morte, nem a vida, nem a espada, nem a fome, nem a penúria (cf. Rm 8, 35-39). Nada! Coisa alguma será capaz de nos separar desse amor preciosíssimo. Estamos dispostos a pagar o preço para estar com Jesus.

Muitos já ouviram falar do grande místico São João da Cruz, mas talvez não conheçam a história de seus pais. Seu pai, Gonçalo, era de uma família nobre, e apaixonou-se por sua mãe, Catarina, que era pobre e de uma classe inferior. A família de Gonçalo, que não aprovava aquele relacionamento, ameaçou tirar-lhe “tudo”. Caso o rapaz insistisse em se casar com Catarina, perderia seu título, bens e direito de herança. Mas ele pagou o preço! Da noite para o dia, Gonçalo ficou pobre e casou-se com Catarina. Isso certamente ficou impresso no coração de São João da Cruz. Quando viu o preço que seu pai pagou pelo amor de sua mãe, ele também contemplou o preço que precisamos pagar pelo precioso amor de Cristo.

Certamente, você também teve que perder algo por amor a Cristo. Mas talvez, neste momento, você me traga um relato similar a este: “Padre, tudo bem, paguei o preço quando me converti; na minha família e no meu emprego, começaram a me chamar de fanático, de ‘beato’, de louco. Perdi meus amigos e tive que fazer outros na igreja. Tudo bem! No começo, eu também paguei esse preço alegremente! Só que agora está pesado… Entende? Eu me reconheço, sim, na parábola do tesouro perdido. Eu vivi essa história, e não me arrependo. Mas não tenho mais essa alegria de quem acabou de encontrar o tesouro! E por isso fico me perguntando: será que aquela alegria não foi passageira? Será que a alegria que vivemos dentro da Igreja não é uma ilusão?”

Pois bem, agora vamos seguir com a parte central do que desejo ensinar hoje. Refletimos sobre a parábola do tesouro, a fim de recordarmos o seu conteúdo. Agora, porém, precisamos considerar: afinal, por que algum tempo atrás vendemos tudo por Cristo, alegremente, mas agora cambaleamos pesadamente?

A primeira coisa sobre a qual devemos meditar é o fato de que realmente vimos o tesouro. O que isso significa? Antes de falarmos desse relacionamento com Jesus, vamos utilizar uma metáfora mais próxima de todos: o casamento. Você, que se casou, é porque um dia se apaixonou por alguém. Um dia, ao ver essa pessoa, o seu coração bateu mais forte e você disse para si mesmo: “Vale a pena deixar tudo por ela!” É como disse Fernando Pessoa: “Tudo vale a pena quando a alma não é pequena.” Então você sabe o que é aquela magnanimidade de quem deixa tudo por um amor.

O problema nessa história é que talvez você nunca tenha observado, de fato, como funciona a alma humana e, consequentemente, o nosso amor. Quando enxergamos o tesouro escondido que uma pessoa é, quando nos apaixonamos por ela, podemos dizer que vivemos uma experiência totalizante. Trata-se de enxergar aquela pessoa com um olhar distinto. De conseguir vê-la e dizer: “Esta pessoa é um presente de Deus para mim!” Eis a experiência que se tem à frente de alguém por quem se está apaixonado. Porém, ao voltar para casa, por mais forte que seja essa paixão, tudo o que você guarda daquela pessoa é uma “abstração esquemática”.

Pense agora em uma pessoa que você tem certeza que lhe amou e a quem você ama. Por exemplo, sua mãe. Pense nela, no amor de sua mãe, aquela mulher por quem você tem tanto carinho, esteja ela aqui na terra ou no Céu. Mas aqui está o que precisamos entender agora: isso que você guarda dela, na sua memória, é uma espécie de esquema mental. Neste momento, se você fizer força para se lembrar de sua mãe, recordará apenas, talvez, de algum momento específico, “congelado”, da vida. Você pode, talvez, imaginá-la sentada no sofá fazendo bordado em ponto cruz ou algo assim. Ou lembrar-se dela sentada ao piano tocando alguma música. Pronto. É um momento congelado na história. Eu me lembro de minha mãe no momento da minha despedida, quando fui morar nos Estados Unidos. Lá estava ela no aeroporto e, quando ouviu a chamada para o voo, disse: “Meu Deus, chegou a hora!”

Vejam, são coisas diversas das quais nos recordamos. Sabemos, no entanto, que a nossa mãe é muito mais do que isso — não é possível resumi-la a essa coleção esquemática de momentos congelados no tempo. Isso não é aquela experiência total e totalizante do que é a sua ou a minha mãe.

E mais: com o passar do tempo, essas memórias que temos podem se tornar contaminadas por lembranças ruins. Também nos recordamos das más experiências. Afinal, não temos só vivências boas e experiências de completude, aquilo que nos faz rir à toa. Também nos lembramos dos defeitos da pessoa, e aqueles defeitos vão “gritando” em nossa memória. É possível que, de repente, aquela abstração da pessoa, presente na sua memória, torne-se uma abstração ruim. Onde está aquela pessoa com quem você alegremente se casou?

Ontem mesmo celebrei um casamento e, quando saí de casa, brinquei com o Padre Overland: “Padre, será que quando chegarmos na porta do Céu, Deus vai nos perdoar por todos os casamentos que celebramos? Pelo mal que fizemos para essas pessoas!?” — Claro que é brincadeira! Mas vejam, normalmente todos que se casam estão apaixonados, alegres, realizados. Até que o tempo vai passando e aquela experiência totalizante que você teve quando se apaixonou por aquela pessoa — aquela experiência da descoberta do tesouro — vai se tornando cada vez mais uma lembrança esquemática, meio fantasmagórica.

O tempo corre e os defeitos do seu cônjuge começam a “gritar”, enquanto suas virtudes parecem estar cada vez mais escondidas. E assim, sua rotina com aquela pessoa torna-se pesada. Isso não ocorre somente com o casamento. Pelo mesmo processo, tudo vai se tornando pesado: os filhos, o emprego, as amizades, o acordar cedo no domingo para ir à Missa. O sacerdócio também fica pesado! E por quê? Porque, outrora, vimos o tesouro, mas agora vemos somente um fantasma daquela primeira descoberta.

Essa memória esquemática que temos não é viva. É simplesmente isto: uma memória. É bom tê-la, ela está lá como um recurso: afinal, se você não a tivesse, acordaria ao lado de sua esposa e perguntaria: “Bom dia, quem é você mesmo?” Nós precisamos nos lembrar de quem são as pessoas — por mais que às vezes estejamos agindo como quem tenta esquecê-las. Essa memória esquemática é útil até mesmo para que você se reconheça ao olhar-se no espelho.

Desse modo, está claro que a memória é algo bom, mas é simplesmente um recurso: um gancho esquemático que traz à tona alguma verdade. Imagine um garoto que coleciona figurinhas de futebol. Ele tem o álbum do campeonato daquele ano e vai completando aos poucos, colando as figurinhas uma a uma. O que aquilo significa para o garoto? Ora, trata-se de uma memória esquemática do mundo do futebol. Imagine que alguém entregue esse mesmo álbum, por exemplo, para um membro de uma tribo aborígene na Austrália, onde ninguém sabe o que é futebol, e peça que essas pessoas colecionem aquelas figurinhas: é evidente que eles não possuem a mesma vivência do menino brasileiro — que segue os jogadores nas redes sociais, sabe as grandes jogadas, assistiu a vários jogos, lembra-se das grandes vitórias de seu clube do coração. Todas aquelas figurinhas são, portanto, um conjunto esquemático de experiências vividas. Mas para quem não sabe o que é futebol, aquilo não significa nada.

Vejam, no entanto, que embora o álbum de figurinhas represente o futebol, ele não é o futebol. E podemos dizer a mesma coisa dessa memória que você tem de sua esposa ou de seu marido, dos seus filhos, do seu emprego, da sua vocação. Da mesma forma, é isso que acontece com o seu relacionamento com Jesus: é só uma lembrança esquemática, fantomática — importante e necessária, porque você precisa entrar na igreja e compreender quem é aquele homem pregado na Cruz.

Assim como qualquer pessoa com a qual convivemos, nós temos uma memória de Jesus. Mas como fazer para que, a partir dessa memória somente esquemática, continuemos nos doando, assim como Gonçalo fez por amor a Catarina? Precisamos trazer essa memória de volta à vida. Nós, que fizemos catequese, que frequentamos a Igreja, que assistimos à Missa todos os domingos, que temos uma experiência com Jesus, que estamos há longos anos na caminhada, somos de Deus, já encontramos o tesouro! Um dia, decidimos deixar o pecado, e deixar tudo alegremente para seguir Jesus. Quanta alegria! Mas hoje, é preciso que saibamos manter viva essa visão.

Sabem como se chama isto que estou explicando nesta longa homilia? Oração!

Quando nos encontramos com Jesus, foi em algum momento de oração — tenha sido esse momento durante uma pregação, lendo um livro ou assistindo a um filme. O que importa é que, de repente, Jesus ficou vivo para cada um de nós. Tivemos um encontro com Ele! Resgate em sua memória o dia em que isso aconteceu. Pode ser que tenha acontecido há tanto tempo que você nem se lembre mais.

Um dia, Jesus foi, para a maior parte de nós, uma pessoa viva com a qual nos encontramos. Mas agora, talvez para muitos Ele seja apenas mais uma memória esquemática, que precisamos trazer à vida outra vez através da oração.

Dito isso, voltemos à história do casamento. Um belo dia, você que é casado se apaixonou por sua Catarina, por seu Gonçalo. Apaixonou-se, enfim, por uma pessoa viva: um tesouro escondido que você encontrou, e pelo qual se dispôs a deixar tudo para se tornarem os dois uma só carne. É uma experiência humana comum, que um dia aconteceu com vocês, casados. Estão lembrados? Talvez tenha sido há anos e anos, uma memória quase apagada lá no passado — mas você já gostou muito dessa pessoa!

Pois bem, por um momento, ressuscite essa memória. Isso existiu! Não foi um engano! Esta pessoa é preciosa! 

Aí, você pode dizer: “Padre, acontece que eu não sabia que meu marido (ou minha esposa) teria este e aquele defeito, e agora tudo isso está gritando!” Mas perceba que esses defeitos, tão presentes em sua memória, são apenas parte de seu esquema mental do que a pessoa é. Ninguém é um defeito. Essa pessoa é preciosa, pois Cristo morreu na Cruz por ela.

A pessoa com quem você se casou é preciosa aos olhos de Deus. Jesus nos olha e não enxerga apenas o nosso defeito. Ele vê o preço que pagou por nós, e conclui que valemos a pena! Deus nos ama, e não se arrepende de ter pagado o preço da Cruz por nós. Jesus olha para mim e para você. Precisamos entender isso: somente Deus é capaz de nos ver como realmente somos! Nós olhamos uns para os outros — e até mesmo para nós mesmos — e enxergamos apenas alguns aspectos, mas Deus vê a cada um de nós por inteiro.

Você está com raiva de seu marido? Pois saiba que Deus o vê com outros olhos, não com os seus. Ele sabe que o seu marido, assim como você, é precioso! Está chateado com sua esposa? Lembre-se de que Deus a olha com um olhar inteiro, que a vê em profundidade. O Senhor vê o tesouro que somos, cada um de nós. Somos preciosos aos seus olhos! (cf. Is 43, 1-7)

Até mesmo quando pensamos em nós mesmos, temos uma mera lembrança esquemática. Deus, por sua vez, não tem uma lembrança de quem somos, Ele nos vê com luz sobrenatural. Deus vê a nossa história inteira, cada detalhe, cada fibra do coração, cada recanto da alma. Ele vê e ama, e renova o seu sacrifício da Cruz. E paga o preço desse amor: seu Preciosíssimo Sangue. Alegremente!

E de repente, apenas por eu narrar essas coisas, por trazer à nossa lembrança esse preço que Jesus pagou, começamos a olhar para nós mesmos de uma forma diferente — deixamos de ser apenas mais uma memória esquemática. Por uma fração de segundo, conseguimos vislumbrar que somos amados! Que somos vistos por Deus, que Ele nos conhece realmente! Então, cada um de nós é capaz de meditar: “Meu Deus, eu sou outra pessoa. Não sou aquilo que penso que sou. Eu valho o sangue do Redentor! Eu não pagaria esse preço por mim. Eu acharia que é uma loucura, um engano, que alguém aceitasse pagar esse preço por mim. Eu chamaria de louco quem me dissesse que o próprio Deus acha que sou precioso o bastante para que Ele venha ao mundo dar o seu sangue para me resgatar e levar ao Céu.”

Mas Deus não se engana, nem engana ninguém. Ele olha para nós com um olhar que somos incapazes de ter. Por isso, não podemos nos conhecer de verdade, como Deus nos conhece. Temos somente esse “esquema de nós mesmos” em nossa cabeça. Deus é diferente: Ele nos vê com profundidade. E, vendo-nos assim, Ele, que conhece em detalhes todos os nossos pecados e defeitos, nos ama e perdoa. Ele sabe de tudo, sabe o que comprou quando decidiu pagar aquele preço — lembre-se: alegremente! Jesus não morreu na Cruz enganado. Ele sabe quem eu e você somos perfeitamente, mais do que jamais saberemos, nem mesmo no Céu alcançaremos a profundidade desse conhecimento sobre nós mesmos.

A Bíblia nos diz, no Evangelho de São Lucas, que Jesus saiu da última ceia com os seus Apóstolos cantando hinos. É a única vez na história da vida de Jesus que nós sabemos que Ele cantou — quando saiu naquele momento derradeiro para, subindo ao Monte das Oliveiras, pagar alegremente o preço por nós. Ele sabia que viveria a agonia, que suaria sangue, que sofreria dores terríveis e logo morreria na Cruz — não abandonado por Deus, mas sentindo-se como se estivesse abandonado — e ainda assim ele foi, alegremente, para o calvário.

Percebam que estamos fazendo aqui uma meditação coletiva. Estamos nos servindo da imaginação para que, vendo os atos de Jesus, enxerguemos um pouco daquele olhar divino e alegre que Jesus nos direciona. Muitas vezes, olhamos para Ele emburrados, tristes, mal-humorados, chateados, decepcionados, entediados, ressentidos. Jesus, porém, não nos olha assim. Ele, que nos vê inteiros e de verdade, olha para nós alegremente.

Ao fazer essa meditação, o que é que eu estou fazendo? Eu estou conduzindo vocês em um momento de oração. E é claro, você pode dizer: “Mas, padre, eu não estou rezando.” Claro que está. Você está ouvindo Deus. O que é a oração? É um diálogo com Deus. Deus está falando na sua alma. Deus está falando do preço que você tem, do amor que Ele tem por você. Quando você enxerga isso, você vê o tesouro escondido. Quando você vê o quanto é precioso, você vê o tesouro escondido. Quando você vê o quanto o seu marido é precioso para Jesus, sua esposa é preciosa para Jesus, vê o grande tesouro escondido que é o amor de Jesus por nós.

Quem não vê o amor de Jesus por uma pessoa, não a conhece. Eu olho em sua direção agora, mas o vejo de verdade se enxergar o amor que Jesus tem por você. Senão, estarei vendo apenas um esquema de minhas memórias, nem sempre muito corretas. Às vezes, até mesmo distorcidas. Só vemos as pessoas de verdade quando nos lembramos do amor que Cristo tem por elas. Eu olho para você e vejo o tesouro escondido, o amor de Cristo por você e por mim. Então, vale a pena, alegremente, ser padre e dar tudo por vocês. Vale a pena, alegremente, ser esposo e dar tudo pela esposa. Vale a pena, alegremente, ser esposa e dar tudo pelo esposo. Vale a pena, alegremente, ser pai e mãe e dar tudo pelos seus filhos. Vale a pena ser irmão e irmã e dar tudo pelos irmãos.

Mais uma vez: “Tudo vale a pena quando a alma não é pequena” — mas a única alma que não é pequena é a de Cristo. Com que alma o Senhor nos vê! Eis o tesouro escondido!

Amarremos as pontas para concluir a nossa meditação. Primeiro (e urgente): precisamos de oração. Por que precisamos rezar? Porque somente na oração vemos a realidade, e enxergamos as pessoas que estão ao nosso lado: vemos quem são nossos pais, cônjuge, filhos. Também é somente na oração que enxergamos o que são os nossos bens materiais: casa, campo, conta bancária ou o que quer que tenhamos. Finalmente, é apenas pela oração que sabemos quem somos: corpo, saúde, vida; os nossos dias e a nossa vocação. É somente na oração que enxergamos tudo isso, porque quando rezamos, a alma de Cristo, que tudo vê, mostra-nos o que precisamos enxergar também.

Eis o tesouro escondido, o amor de Cristo que vê todas essas coisas e dá a elas o peso adequado que cada uma deve ter. E é por isso que, se não recorremos à oração, estamos fora do mundo. Quando não rezamos — e muito! — todos os dias, passamos a viver presos àqueles “esquemas fantasmagóricos”, àquilo que nos limitamos a guardar na memória — uma memória muitas vezes má, vã e ridícula em face do que as coisas realmente são, e assim acabamos supervalorizando coisas que não têm valor e desvalorizando o que é precioso.

Aquele que frequenta a Igreja mas não tem rezado vem se arrastando, porque não está mais enxergando a preciosidade que um dia encontrou. É preciso, no entanto, que façamos renascer todos os dias aquele olhar de quem encontrou o tesouro. Precisamos de oração todos os dias como precisamos respirar, comer, dormir, tomar banho. Muitos acordam e sabem que Deus lhes chama para rezar, mas pensam: “De novo? Já rezei ontem!” Mas ninguém pensa: “Dormir de novo? Já dormi ontem!”

A oração é uma atividade necessária para nos mantermos com os pés no chão. Não é algo próprio somente dos padres e monges, porque nenhum de nós nasceu para viver num mundo fantasmagórico, restrito às lembranças esquemáticas e aos “monstrinhos” que criamos ao nosso redor. Lembramo-nos, por exemplo, do Brasil e de algumas de suas histórias traumáticas, e passamos a odiar nosso país; olhamos para o nosso emprego, lembramos de algo desagradável, e aí já não queremos mais trabalhar; pensamos no cônjuge sob algum aspecto que nos decepciona, e decidimos pelo  divórcio; olhamos para nós mesmos, com nossos traumas e percepções distorcidas a nosso respeito, e de repente estamos presos em pensamentos de morte, querendo o nosso próprio fim.

Porque não rezamos, não percebemos que vivemos num mundo repleto de fantasmas que nós mesmos criamos. Porque existe somente uma única alma que vê tudo e que vê as coisas como elas realmente são, é a alma de Jesus — rezando é que temos acesso a este verdadeiro tesouro escondido. Todas as vezes que, alegremente, renunciamos às coisas, é porque as vemos, de alguma forma, debaixo do olhar da eternidade. Havia algum aspecto de eternidade, por exemplo, quando você se apaixonou por seu futuro marido ou esposa. É levando todas as coisas para a oração que descobrimos, de fato, o que elas verdadeiramente são.

A oração é necessária para nos mantermos sadios. Quando não rezamos todos os dias, logo passamos a respirar nossas próprias feridas, não suportando mais a vida e, ao mesmo tempo, ninguém mais nos suporta. Por quê? Porque só vivemos a partir daquelas recordações esquemáticas, traumáticas e muitas vezes distorcidas, daquilo que é verdadeiramente a nossa vida. Mas se trouxermos tudo para Jesus, se olharmos todas essas coisas em Jesus e com Jesus, então teremos o tesouro escondido. Veremos tudo a partir do olhar de Deus.

Tudo isso, porém, só acontece quando rezamos sempre e rezamos de verdade. E para que isso aconteça precisamos meditar, fazendo isso que fizemos aqui, hoje: deixar a imaginação ir girando ao redor de uma memória, levando-a até Jesus, pensando em como Ele vê essas coisas. Vamos nos recordando das cenas da vida de Jesus, trazendo-as para as memórias que temos de nosso emprego, de nossa saúde, de momentos de nossa vida. Vamos fazendo isso, trazendo as coisas a Ele, uma a uma — e então começaremos a ver! Porque uma luz divina nos iluminará, trazendo-nos a experiência do real e da verdade, aos olhos de Deus. Isto é a oração!

É claro que estamos falando de somente um aspecto da oração — mas é o aspecto mais importante e urgente de que precisamos; é aquilo de que precisamos para não vivermos a partir de nossas feridas, pois quem vive assim fere os outros e a si mesmo.

Jesus é o tesouro escondido. Você já o encontrou alguma vez? Então precisa se recordar disso todos os dias. Levar essa memória para a oração, para novamente ver e rever. Não nos esqueçamos: aquilo que guardamos, que pensamos já saber do que se trata, é só uma memória. Uma coisa é a memória, outra é a visão atual, que temos na hora da oração. É como o namorado que tem uma memória da namorada em sua mente, mas quando ela aparece à sua frente ele sente o coração palpitar! Mais uma vez: oração é isso. A oração é ver!

Então vamos, com alegria, retomar os nossos propósitos de oração. Ainda não sabe ou não entendeu como meditar? Procure saber! Pesquise os nossos vídeos e cursos ensinando a orar e meditar. Encontrou algo em outro lugar? Então aprenda a rezar, de verdade! Você precisa descobrir e redescobrir esse tesouro escondido: Jesus vivo! Não mais “esquemático”, mas vivo e encontrado na vida de oração.

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