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Homilia Dominical
7 Out 2016 - 27:28

Os leprosos curados por Cristo

Dos dez leprosos curados por Cristo, apenas um voltou para agradecer. Assim também, de bilhões de seres humanos agraciados todos os dias por Deus, continuam sendo pouquíssimos os que voltam, com fé e de coração agradecido, para reconhecer o senhorio de Cristo e o seu grande amor por cada um de nós.
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Homilia Dominical - 7 Out 2016 - 27:28

Os leprosos curados por Cristo

Dos dez leprosos curados por Cristo, apenas um voltou para agradecer. Assim também, de bilhões de seres humanos agraciados todos os dias por Deus, continuam sendo pouquíssimos os que voltam, com fé e de coração agradecido, para reconhecer o senhorio de Cristo e o seu grande amor por cada um de nós.
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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 17, 11-19)

Aconteceu que, caminhando para Jerusalém, Jesus passava entre a Samaria e a Galileia. Quando estava para entrar num povoado, dez leprosos vieram ao seu encontro. Pararam à distância, e gritaram: "Jesus, Mestre, tem compaixão de nós!"

Ao vê-los, Jesus disse: "Ide apresentar-vos aos sacerdotes".

Enquanto caminhavam, aconteceu que ficaram curados. Um deles, ao perceber que estava curado, voltou glorificando a Deus em alta voz; atirou-se aos pés de Jesus, com o rosto por terra, e lhe agradeceu. E este era um samaritano.

Então Jesus lhe perguntou: "Não foram dez os curados? E os outros nove, onde estão? Não houve quem voltasse para dar glória a Deus, a não ser este estrangeiro?" E disse-lhe: "Levanta-te e vai! Tua fé te salvou".

Em profundo contraste com a mentalidade relativista do homem moderno, para quem o importante é "acreditar em alguma coisa" — ainda que seja em si mesmo, em opiniões falsas ou em deuses fantasiosos —, o Evangelho de São Lucas, relatando-nos a cura de dez leprosos, alude à mediação universal exercida por Cristo na salvação humana: é a humanidade do Verbo encarnado o instrumento próprio de que Deus se serve para agraciar os homens, e não há outro (cf. 1Tm 2, 5; Suma Teológica, III, q. 26). Ainda que sejam poucos os cristãos — ou seja, que só uma pequena porção do mundo volte para atirar-se aos pés de Jesus e reconhecer o seu senhorio —, a verdade não depende de "maioria de votos". Assim como os nove leprosos do Evangelho também foram curados, é também de Cristo que recebem graças aqueles que estão fora da Igreja, mesmo que não o saibam, mesmo que não creiam.

A ouvidos desatentos, uma mensagem como essa pode soar intolerante ou extremista, mas, é forçoso reconhecer, não pode dizer-se verdadeiramente cristão quem negocia o senhorio absoluto de Cristo sobre todos os homens e sobre todos os povos. Ele veio, por exemplo, para os astecas, e os missionários católicos bem o sabiam. Tão logo pisaram em continente americano, de fato, não hesitaram um só instante em converter os corações desses homens a Cristo, substituindo os sacrifícios humanos que eles ofereciam pelo único sacrifício capaz de, ao mesmo tempo, aplacar a ira dos céus e satisfazer a inquietude das almas. Ele veio para os povos indígenas que viviam no Brasil à época do Descobrimento, e São José de Anchieta bem o sabia. Por isso, esse santo missionário não mediu esforços para cruzar grandes extensões de terra e formar para o Redentor, também entre os nativos que aqui viviam, "sacerdotes e povo de reis" (Ap 5, 10). Ele veio, por fim, para redimir todas as culturas que existiram, existem e virão a existir, a fim de pacificá-las "pelo sangue de sua cruz" (Cl 1, 20) e transportar os homens todos "para o reino de seu Filho bem-amado" (Cl 1, 13).

É evidente que uma fé assim tão exclusiva constitui "pedra de escândalo". Em uma de suas poesias, Santa Teresinha do Menino Jesus recorda que a mesma mãozinha do Menino Jesus, que acariciava o rosto de Nossa Senhora, é a mão poderosa de Deus a sustentar o universo inteiro. E, no entanto, mesmo que pareça difícil de aceitar, é isto o que desde sempre ensina a santa Igreja Católica: que a segunda Pessoa da Santíssima Trindade, a Palavra eterna e incriada de Deus, em um momento específico da história e em um lugar concreto do espaço, se fez carne, habitou no meio dos homens, morreu, ressuscitou, subiu aos céus e, agora, está sentado à direita de Deus Pai, de onde distribui a todos as graças do Céu.

Na vida diária de todo cristão, essa verdade significa bem concretamente que, ainda hoje, nós podemos ser tocados e verdadeiramente curados de nossas lepras por meio da humanidade de Cristo. Presente no Céu e sob o véu do sacramento da Eucaristia, Jesus de Nazaré age com poder nas almas que crêem nEle, alimentando-as com o pão da sua graça, a fim de que permaneçam de pé e cresçam, dia após dia, no seu amor. Peçamos pois a Ele, neste domingo, que nos ajude a comungar bem e a transformar toda a nossa existência em uma "ação de graças" ininterrupta. Mais do que uma lepra física, Cristo livra-nos das doenças do espírito — muito mais perigosas e corrosivas que as da carne —, e nós jamais lhe seremos suficientemente agradecidos por tão grande misericórdia.

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