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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 28, 8-15)

Naquele tempo, as mulheres partiram depressa do sepulcro. Estavam com medo, mas correram com grande alegria, para dar a notícia aos discípulos. De repente, Jesus foi ao encontro delas, e disse: “Alegrai-vos!” As mulheres aproximaram-se, e prostraram-se diante de Jesus, abraçando seus pés.

Então Jesus disse a elas: “Não tenhais medo. Ide anunciar a meus irmãos que se dirijam para a Galileia. Lá eles me verão”. Quando as mulheres partiram, alguns guardas do túmulo foram à cidade, e comunicaram aos sumos sacerdotes tudo o que havia acontecido. Os sumos sacerdotes reuniram-se com os anciãos, e deram uma grande soma de dinheiro aos soldados, dizendo-lhes: “Dizei que os discípulos dele foram durante a noite e roubaram o corpo, enquanto vós dormíeis. Se o governador ficar sabendo disso, nós o convenceremos. Não vos preocupeis”.

Os soldados pegaram o dinheiro, e agiram de acordo com as instruções recebidas. E assim, o boato espalhou-se entre os judeus, até o dia de hoje.

A PRIMEIRA APARIÇÃO [1]. — Ponto 1. — “Como estivessem amedrontadas e voltassem o rosto para o chão, disseram-lhes eles: ‘Por que buscais entre os mortos aquele que está vivo?’” (Lc 24, 5). São dignas de ser repreendidas, por não crerem no testemunho dos anjos. É por isso que, embora alegres, correm amedrontadas, isto é, felizes por tudo o que tinham visto, mas com medo de que talvez não seja verdade. É a mesma contradição que experimentam aqueles que, apesar de movidos por piedosos afetos de credulidade, não chegam a dar o passo da fé, por pensarem ser demasiado bom para ser verdade que Deus, feito homem, morra e ressuscite, só para que nós, criaturas desprezíveis, vivamos para sempre e com Ele ressuscitemos. E no entanto é verdade: “Alegrai-vos! Não tenhais medo”. É verdadeira a nossa fé, são fundadas as nossas esperanças, é certa a nossa vitória, se crermos profundamente em quem por nós tanto trabalhou e sofreu, só para nos alegrar com a boa-nova deste domingo: “Lá eles me verão”.

Ponto 2. — “Não está aqui, mas ressuscitou” (Lc 24, 6). Antes de saírem às pressas, deram-lhes os anjos um sinal inequívoco da ressurreição: “Não está aqui”. Com este argumento se prova também a nossa ressurreição espiritual. É como se nossa própria concupiscência, não um anjo veraz, fora forçada a dizer-nos hoje: “Não estais mais sepultados aqui nesta imperfeição, neste mau afeto, nesta imperfeição, nesta frouxidão de espírito”. Alegra-te, se é esta a tua condição; do contrário, esforça-te para que seja, pois não te faltam as graças daquele que, para não morreres, desceu aos infernos, e, para viveres, tornou glorioso à vida: “Não está aqui, mas ressuscitou”.

Ponto 3. — “Ide depressa e dizei aos discípulos que Ele ressuscitou dos mortos” (Mt 28, 7). Em nome de Cristo dão os anjos esta ordem às mulheres. Não mereciam os Apóstolos, contudo, receber tão grata notícia, já que o tinham abandonado covardemente. Cristo porém olha mais para os extremos do seu próprio amor do que para as exigências do nosso mérito, amando até os que não o merecem. Que isto nos sirva hoje também de consolo, a nós, que somos tão indignos do amor de Nosso Senhor: “Não entreis em juízo com o vosso servo” (Sl 142, 2), mas “tende piedade de mim, Senhor, segundo a vossa bondade” (Sl 50, 3).

Referências

  1. Tradução adaptada de Nicolaus von Avancini, Vita et doctrina Jesu Christi, apud Joannem Blaeu, & viduam Alex. Harttung, 1673, p. 188. O ponto n. 1, totalmente adaptado, é de autoria da equipe CNP.
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