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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 13, 54-58)

Naquele tempo, dirigindo-se para a sua terra, Jesus ensinava na sinagoga, de modo que ficavam admirados. E diziam: “De onde lhe vem essa sabedoria e esses milagres? Não é ele o filho do carpinteiro? Sua mãe não se chama Maria, e seus irmãos não são Tiago, José, Simão e Judas? E suas irmãs não moram conosco? Então, de onde lhe vem tudo isso?” E ficaram escandalizados por causa dele. Jesus, porém, disse: “Um profeta só não é estimado em sua própria pátria e em sua família!” E Jesus não fez ali muitos milagres, porque eles não tinham fé.

No Evangelho de hoje, vemos o povo de Nazaré escandalizado diante da pregação de Cristo. Afinal, não é Ele o carpinteiro Jesus, conhecido de todos, filho de José e Maria, um pobre e “insignificante” casal? Com que razão, pois, Ele se arroga o poder de ensinar, não como os fariseus e mestres da Lei, mas como quem tem autoridade (cf. Mt 7, 29)? Sabemos que a resposta a estas inquietações dos nazarenos, como o próprio evangelista faz questão de notar, deve-se à incredulidade. Há, no entanto, uma outra pergunta que, mesmo para muitos crentes, costuma ser ocasião de escândalo e perplexidade. Se Jesus é Filho virginal de Maria, por que então se perguntam seus conterrâneos: “Seus irmãos não são Tiago, José, Simão e Judas? E suas irmãs não moram conosco?” De fato, fala-se muitas vezes nas SS. Escrituras de irmão e irmãs de Jesus (cf. Mt 13, 55-56; Lc 8, 19; Jo 2, 12; At 1, 14; 1Cor 9, 5; Gl 1, 19), o que parece implicar, obviamente, que Maria teve outros filhos além dele.

Antes de solucionar essa dificuldade, convém ter bem claro que é de fé expressamente definida que a SS. Virgem Maria permaneceu virgem intacta no nascimento de seu divino Filho e também depois, ao longo de toda a sua vida. Noutras palavras, ela foi virgem antes, durante e após o parto, sem jamais perder a integridade física, como atesta a Tradição bimilenar da Igreja e a generalidade dos Santos Padres, tanto gregos como latinos. Apoiados, contudo, naqueles supostos “irmãos” mencionados na Bíblia, muitos protestantes tendem a aceitar apenas a virgindade “ante partum”, a fim de salvaguardar a concepção miraculosa de Cristo, mas rejeitam, às vezes por mero desprezo à doutrina católica, que Maria tenha permanecido virgem depois de dar à luz. Ora, para entender como se compatibilizam, de um lado, o dogma da virgindade perpétua de Nossa Senhora e, de outro, as referidas passagens bíblicas devem-se ter em mente três coisas:

a) Em primeiro lugar, é somente a Igreja, de cujas mãos recebemos a Bíblia, que tem autoridade para determinar qual é a legítima interpretação da Bíblia, e não os fiéis individuais; b) além disso, sabemos que é frequente nas Escrituras o uso do nome “irmão” e “irmã” em sentido amplo, já que os hebreus não possuíam uma palavra específica para designar diferentes graus de parentesco, como entre primos, sobrinhos, tios etc. (cf. Gn 12, 5; 13, 8; 29, 15; Ex 2, 11; Ct 4, 9; 2Sm 19, 12-13); c) por fim, as mesmas Escrituras contêm indicativos claros, para quem os sabe ler sem preconceito, de que estes “irmãos” do Senhor eram, na verdade, ou primos ou membros mais ou menos próximos da família: no caso de Tiago, por exemplo, sabemos tratar-se de Tiago Menor — o Maior, com efeito, é irmão de S. João, filho de Zebedeu e Maria Salomé (cf. Lc 5, 10) —, cujos pais eram Alfeu e uma outra Maria, chamada mulher de Cléofas (cf. Mt 10, 3; 27, 56; Mc 15, 20; Jo 19, 25). Eis porque, aliás, o Senhor crucificado não confiou o cuidado de sua Mãe SS. a um de seu “irmãos”, como seria de esperar, mas a João, o discípulo amado (cf. Jo 19, 26-27).

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