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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 12, 54-59)

Naquele tempo, Jesus dizia às multidões: “Quando vedes uma nuvem vinda do ocidente, logo dizeis que vem chuva. E assim acontece. Quando sentis soprar o vento do sul, logo dizeis que vai fazer calor. E assim acontece. Hipócritas! Vós sabeis interpretar o aspecto da terra e do céu. Como é que não sabeis interpretar o tempo presente? Por que não julgais por vós mesmos o que é justo?

Quando, pois, tu vais com o teu adversário apresentar-te diante do magistrado, procura resolver o caso com ele enquanto estais a caminho. Senão ele te levará ao juiz, o juiz te entregará ao guarda, e o guarda te jogará na cadeia. Eu te digo: daí tu não sairás, enquanto não pagares o último centavo”.

Celebramos hoje com grande alegria a memória do primeiro santo nascido em território brasileiro, o bem-aventurado Antônio de Sant’Anna Galvão, popularmente conhecido como Frei Galvão. Nascido no interior de São Paulo, na cidade de Guaratinguetá em 1739, S. Antônio pertenceu à Ordem dos Frades Menores Alcantarinos, uma reforma de estrita observância da Ordem franciscana. Professou votos em 1761 e, logo no ano seguinte, foi ordenado presbítero. Exerceu diversas funções dentro de sua comunidade, inclusive a de sacristão do próprio mosteiro. Entregue de corpo e alma à expansão do Reino de Deus, S. Antônio dedicou-se ativamente à evangelização de São Paulo, fecundando suas terras com muitas obras de caridade, a ponto de fundar um convento para algumas monjas concepcionistas, às quais serviu ainda como diretor espiritual. Morreu em odor de santidade no dia 23 de dezembro de 1782. Foi declarado beato por S. João Paulo II no dia 25 de outubro de 1998 e elevado à honra dos altares em 11 de maio de 2007 pelo Papa Bento XVI.

Apesar de ser considerado o primeiro santo brasileiro, Frei Galvão nasceu numa época em que o Brasil ainda era território português. Além disso, como se sabe, em 1773 a Companhia de Jesus foi oficialmente suprimida por ordem do Papa Clemente XIV. No entanto, já durante o pontificado de Bento XIV, em 1758, o Marquês de Pombal conseguira do Rei José I de Portugal que os jesuítas fossem deportados da América, deixando assim um vácuo sem precedentes na história intelectual do nosso país. De um dia para outro, o Brasil perdeu boa parte de seus professores, e é no contexto dessa miséria espiritual e educativa que terá lugar a atividade evangelizadora de Frei Galvão. Ele, como bom franciscano, terá como principal arma para levar luz e inteligência ao povo paulista a entranhável devoção à Imaculada Conceição da Virgem Maria, à qual Portugal e, por tabela, o próprio Brasil estavam consagrados havia séculos. Tamanha, pois, era a confiança de Frei Galvão em Nossa Senhora que ele fez questão de assinar com sangue, arrancado do próprio peito, o testemunho de sua consagração à Virgem Imaculada. — Que, a exemplo de S. Frei Galvão, possamos também nós, cativados pelo zelo maternal de Nossa Senhora, Virgem antes, durante e depois do parto, entregar-nos por inteiro a ela, na qualidade de escravos necessitados e com a docilidade de filhos obedientes, abandonados aos cuidados desta nossa Mãe inviolável, puríssima e intacta, em seu corpo e em seu Coração.

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