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520. Sem Jesus, desfalecemos

Ele, que conhece de antemão todas as nossas necessidades, espera que recorramos confiadamente à sua bondade e poder, pois somos como gente esfomeada, sedenta de Deus e de verdade, quase a desfalecer de cansaço pelo deserto deste mundo.

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo
6, 1-15)

Naquele tempo, Jesus foi para o outro lado do mar da Galileia, também chamado de Tiberíades. Uma grande multidão o seguia, porque via os sinais que ele operava a favor dos doentes. Jesus subiu ao monte e sentou-se aí, com seus discípulos. Estava próxima a Páscoa, a festa dos judeus.

Levantando os olhos, e vendo que uma grande multidão estava vindo ao seu encontro, Jesus disse a Filipe: "Onde vamos comprar pão para que eles possam comer?" Disse isso para pô-lo à prova, pois ele mesmo sabia muito bem o que ia fazer. Filipe respondeu: "Nem duzentas moedas de prata bastariam para dar um pedaço de pão a cada um".

Um dos discípulos, André, o irmão de Simão Pedro, disse: "Está aqui um menino com cinco pães de cevada e dois peixes. Mas o que é isso para tanta gente?" Jesus disse: "Fazei sentar as pessoas". Havia muita relva naquele lugar, e lá se sentaram, aproximadamente, cinco mil homens.

Jesus tomou os pães, deu graças e distribuiu-os aos que estavam sentados, tanto quanto queriam. E fez o mesmo com os peixes. Quando todos ficaram satisfeitos, Jesus disse aos discípulos: "Recolhei os pedaços que sobraram, para que nada se perca!"

Recolheram os pedaços e encheram doze cestos com as sobras dos cinco pães, deixadas pelos que haviam comido. Vendo o sinal que Jesus tinha realizado, aqueles homens exclamavam: "Este é verdadeiramente o Profeta, aquele que deve vir ao mundo". Mas, quando notou que estavam querendo levá-lo para proclamá-lo rei, Jesus retirou-se de novo, sozinho, para o monte.

No Evangelho desta sexta-feira, em que damos início à leitura continuada do sexto capítulo de São João, Nosso Senhor se retira a um lugar deserto (cf. Mt 14, 13a; Mc 6, 31ss; Lc 9, 10b), às margens orientais do Mar da Galiléia (cf. Lc 9, 10; Jo 6, 22ss), e realiza ali a primeira multiplicação dos pães (cf. Mt 14, 13b-21; Mc 6, 32-44; Lc 9, 11-17). Este milagre aconteceu, diz o evangelista, pouco antes da celebração da Páscoa, razão por que se reveste de um tom fortemente eucarístico. Não por acaso, Jesus falará mais adiante do pão da vida (cf. Jo 6, 26-47) e declarará, sem sombra de dúvida, a necessidade de que seus discípulos comam a sua carne e bebam o seu sangue (cf. Jo 6, 48-59). Trata-se, com efeito, de um ponto de virada no ministério público de Cristo, pois é neste momento, de modo particular, que muitos de seus seguidores, escandalizados com o que acabaram de ouvir, decidem abandoná-lO e Judas Iscariotes, já seduzido por Satanás, começa a vacilar na fé (cf. Jo 6, 70s). É também neste contexto que João situa a profissão de Pedro (cf. Mt 16, 16), o qual, cheio de seu costumado fervor, fala em nome de todos os Apóstolos: "E nós cremos e sabemos que tu és o Santo de Deus" (Jo 6, 69), ou seja, o Messias (cf. Jo 10, 36; Mc 1, 24).

O Texto Sagrado deixa claro, além disso, que o motivo primário desta multiplicação dos pães foi a misericórdia de Cristo; de fato, o termo que São Mateus emprega para descrever o estado de ânimo em que Jesus se encontrava (cf. Mt 14, 14), ἐσπλαγχνίσθη, dá a entender que o Senhor sentiu uma entranhada comoção, que fez surgir em sua alma santíssima um intenso afeto de misericórdia diante da indigência daquelas turbas, provenientes de todas as cidades da região. Do ponto de vista espiritual, por outro lado, também se pode entender esse milagre tanto a) como uma prefiguração do banquete eucarístico quanto b) como uma expressão de que Deus tem poder para fazer muito com o nosso pouco. Com efeito, naquele menino que oferece a Jesus cinco pães de cevada e dois peixes (cf. Jo 6, 9), com os quais foram alimentados cinco mil homens, podemos ver simbolizados a cada um de nós, que tão pouco amor somos capazes de oferecer a Nosso Senhor.

No entanto, Ele, que conhece de antemão todas as nossas necessidades, espera que recorramos confiadamente à sua bondade e poder, pois somos como gente esfomeada, sedenta de Deus e de verdade, quase a desfalecer de cansaço pelo deserto deste mundo. Cientes, pois, de nossa profunda fome de Jesus Eucarístico, aproximemo-nos hoje do Altar de Cristo com um coração renovado pela esperança e peçamos a este compadecido Senhor que se digne aceitar o nosso pobre amor, a fim de o multiplicar, por sua graça, em atos constantes de caridade.

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