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Homilia Dominical
17 Jan 2020 - 25:23

Sigamos o Cordeiro Imolado!

Nós, batizados no Espírito Santo, precisamos seguir Jesus Cristo, o Cordeiro Imolado, onde quer que Ele vá. Para isso, é necessário primeiro segui-lo na sua morte, para recebermos, de suas mãos chagadas, a plenitude da vida. Não desanimemos diante das adversidades, reergamo-nos do chão, abracemos novamente a cruz que havíamos abandonado, e sigamos o Cordeiro Imolado, Aquele que mesmo ferido permanece de pé, a fim de nos mostrar que, ao final de tudo, Ele triunfará!  
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Homilia Dominical - 17 Jan 2020 - 25:23

Sigamos o Cordeiro Imolado!

Nós, batizados no Espírito Santo, precisamos seguir Jesus Cristo, o Cordeiro Imolado, onde quer que Ele vá. Para isso, é necessário primeiro segui-lo na sua morte, para recebermos, de suas mãos chagadas, a plenitude da vida. Não desanimemos diante das adversidades, reergamo-nos do chão, abracemos novamente a cruz que havíamos abandonado, e sigamos o Cordeiro Imolado, Aquele que mesmo ferido permanece de pé, a fim de nos mostrar que, ao final de tudo, Ele triunfará!  
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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo 1, 29-34)

Naquele tempo, João viu Jesus aproximar-se dele e disse: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. Dele é que eu disse: ‘Depois de mim vem um homem que passou à minha frente, porque existia antes de mim’. Também eu não o conhecia, mas se eu vim batizar com água, foi para que ele fosse manifestado a Israel”. E João deu testemunho, dizendo: “Eu vi o Espírito descer, como uma pomba do céu, e permanecer sobre ele. Também eu não o conhecia, mas aquele que me enviou a batizar com água me disse: ‘Aquele sobre quem vires o Espírito descer e permanecer, este é quem batiza com o Espírito Santo’. Eu vi e dou testemunho: Este é o Filho de Deus!”

Meditação. — 1. Neste 2.º Domingo do Tempo Comum, temos a oportunidade de refletir novamente sobre o batismo de Jesus; porém, agora, sob a perspectiva do Evangelho de São João, que diferentemente dos sinóticos, não narra como ocorreu o batismo, mas o apresenta como recordação posterior de um fato já ocorrido. Neste Evangelho, ao ver Jesus, João Batista exclama: “Eis o Cordeiro de Deus”. No aramaico que era falado tanto por Jesus como por João Batista , a palavra “cordeiro” é a mesma que é usada para designar “servo”, de modo que a exclamação “Eis o Cordeiro de Deus” representa como que um eco de “Eis o meu filho muito amado”, que foi ouvido dos céus durante o batismo do Senhor.

O referido termo é traduzido como “cordeiro” e não como “servo”, porque, ao longo de todo o Evangelho de São João, Jesus é apresentado claramente como o Cordeiro Pascal. Ou seja, “o servo de Deus” profetizado por Isaías como aquele que carregou nossas dores e sofreu pelos nossos pecados é, ele próprio, o Cordeiro Pascal. Conforme a cronologia do Evangelho de João, Jesus morreu na Cruz no mesmo momento em que os cordeiros, no Templo de Jerusalém, estavam sendo sacrificados. Isso significa que Jesus nasceu para morrer. Ele é o Cordeiro Imolado que veio conscientemente para esta hora, a fim de dar a sua vida por nossa salvação, como Ele próprio diz: “Ninguém tira a minha vida, eu a dou livremente” (Jo 10, 18). Desde o início, João Batista enxergou essa realidade de que Jesus veio como Cordeiro Pascal para tirar o pecado do mundo.

Na narrativa do Evangelho deste domingo, encontra-se em João Batista uma clara e infusa consciência das verdades de fé. Primeiro, ele destaca que Jesus é eterno, que já existia antes dele próprio, mesmo o Batista sendo seis meses mais velho que Cristo: “Depois de mim vem um homem que passou à minha frente, porque existia antes de mim” (Jo 1, 30). Isso certamente está em consonância com aquilo que o Evangelista João afirma alguns versículos antes: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus” (Jo 1, 1) e “o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1, 14). Aqui, já se afirma evidentemente que Jesus é Deus eterno.

Além disso, João explica que Jesus é quem, de fato, “batiza no Espírito Santo” (Jo 1, 33) justamente por ter visto “o Espírito Santo descer e permanecer sobre Ele, como uma pomba do céu” (Jo 1, 32), e conclui dizendo: “Eu dou testemunho: este é o Filho de Deus” (Jo 1, 34). Essas palavras de João, o precursor, são claras e inquestionáveis. Enquanto nos Evangelhos sinóticos é Deus Pai que identifica o Cristo dizendo: “Esse é o meu Filho muito amado”, no Evangelho de São João, é João Batista, preparando os caminhos do Senhor, quem diz: “Este é o Filho de Deus”.

Esse testemunho de João contraria de forma veemente as ideias escabrosas de alguns teólogos modernos que defendem que Jesus não tinha consciência de quem Ele era. Neste Evangelho, vemos que não só Jesus, mas o próprio João Batista sabia quem Ele era: “Eu dou testemunho: este é o Filho de Deus”. Jesus nem possuía discípulos ainda e João já sabia quem ele era. E foi o próprio anúncio de João Batista, que pela segunda vez o apontou como “Cordeiro de Deus” (Jo 1, 36), que fez André e João seguirem Jesus. Observa-se, portanto, desde o início, esse reconhecimento de que Jesus é o Filho eterno de Deus que veio batizar no Espírito Santo e morrer na Cruz pelos nossos pecados, é o Cordeiro de Deus que será imolado.

2. Para uma aplicação prática deste Evangelho em nossas vidas, podemos refletir sobre o que o batismo nos ensina. Primeiramente, podemos dizer que o batismo é uma morte por afogamento em que morre Adão, o homem velho, para ressuscitar Cristo, o homem novo. Nesse sentido, o ritual de batismo é inevitavelmente um ritual de morte, que, portanto, está intrinsecamente ligado à Cruz de Cristo, e à sua Páscoa, sua passagem da morte para a ressurreição.

Isso significa que nós, batizados no Espírito Santo, precisamos seguir Jesus Cristo, o Cordeiro Imolado, onde quer que Ele vá. Para isso, é preciso primeiro segui-lo na sua morte, para recebermos, de suas mãos chagadas, a plenitude da vida.

No Evangelho de João, a designação de Jesus como “Cordeiro” torna-se sua identidade clássica. No livro do Apocalipse — também escrito pelo discípulo amado —, Jesus é constantemente chamado de “Cordeiro”. Ele é o “Cordeiro Imolado, que estava de pé” (Ap 5, 6), ou seja, o Cordeiro que foi ferido e morto, mas que ressuscitou. Quando no mesmo Apocalipse (7, 9-16) São João narra a queda da Babilônia, ele menciona uma multidão — daqueles que foram salvos — que segue o Cordeiro onde quer que Ele vá. Aqui, cabe a cada um de nós um exame de consciência: “Eu sigo Jesus onde quer que Ele vá? Ou só o sigo quando Ele vai para a ressurreição e não quero segui-lo quando Ele me convida a abraçar a cruz e ser, juntamente com Ele, crucificado?”.

Mais à frente, São João diz: “Bem-aventurados os mortos que, desde agora, morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que descansem de suas fadigas, pois suas obras os acompanham” (Ap 14, 13). Esse versículo riquíssimo exorta-nos que feliz é aquele que morre antes mesmo de morrer; ou seja, que, no Senhor, morreu para este mundo. Na sequência, afirma que só descansaremos de nossas fadigas no Céu, se nossas obras nos acompanharem, se colocarmos em prática a fé que professamos. Temos aqui uma clara refutação à ideia protestante de que só a fé salva, sem necessidade de obras. Isso é de uma insensatez colossal: pensar que a religião do amor não gera pessoas que amam, mas apenas egoístas que não são capazes de configurar a sua vida à de Cristo. Isso é tão absurdo quanto vexatório.

3. Nossas obras só nos acompanham quando seguimos o Cordeiro em qualquer circunstância. Para isso, nós, batizados, devemos aderir à verdade proclamada por São Paulo na Carta aos Colossenses (3, 3): “Estais mortos e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus”. É fundamental que, a cada dia, assumamos o nosso batismo, que, na prática, é uma forma de morte: morrer para o mundo, para o diabo, para o pecado e para o homem velho que está em nós.

Só é possível alcançar essa morte batismal, quando nossa fé se reflete em obras. É, sim, indispensável crer na Palavra de Deus, mas também é imprescindível colocá-la em prática por meio de obras concretas. Nesse sentido, é necessário destacar, como o faz o livro do Apocalipse, que essas obras são “fadigas”, ou seja, são exaustivas e exigem de nós uma profunda abnegação. Aqueles que foram salvos e seguiram o Cordeiro Imolado não eram um bloco de carnaval que euforicamente desfilava por uma avenida seguindo um Rei Momo. Seguir o Cordeiro não é uma festa, é um sacrifício, pois precisamos segui-lo onde quer que Ele vá. Existem lugares nos quais o Cordeiro Jesus Cristo não vai de modo algum; e há outros em que Ele vai, mas que nós relutamos em ir. Tomemos a nossa cruz, e carreguemo-la como um grande estandarte que nos identifica como aqueles que seguem o Cordeiro.

Não desanimemos, pois, diante das adversidades e tragédias que nos cercam. Se em algum momento fraquejarmos, reergamo-nos do chão, abracemos amorosamente a cruz que havíamos abandonado, e sigamos o Cordeiro Imolado, Aquele que mesmo ferido e morto permanece de pé ressuscitado, a fim de nos mostrar que, ao final de tudo, Ele triunfará! Sigamos o Cordeiro Jesus Cristo no seu batismo, que é prefiguração da sua morte, a fim de que com Ele triunfemos no Céu.   

Oração. — Senhor Jesus Cristo, Vós que sois o Cordeiro Imolado cuja paixão, morte e ressurreição libertou-nos da escravidão do pecado, auxiliai-nos a seguir-vos fielmente em todas as circunstâncias, a fim de que correspondamos com nossas obras à salvação que nos destes. Assim seja!

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