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256. Solenidade da Natividade de São João Batista

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc
1, 57-66.80)

Completou-se o tempo da gravidez de Isabel, e ela deu à luz um filho. Os vizinhos e parentes ouviram dizer como o Senhor tinha sido misericordioso para com Isabel, e alegraram-se com ela. No oitavo dia, foram circuncidar o menino, e queriam dar-lhe o nome de seu pai, Zacarias. A mãe, porém disse: "Não! Ele vai chamar-se João".

Os outros disseram: "Não existe nenhum parente teu com esse nome!" Então fizeram sinais ao pai, perguntando como ele queria que o menino se chamasse. Zacarias pediu uma tabuinha, e escreveu: "João é o seu nome". E todos ficaram admirados. No mesmo instante, a boca de Zacarias se abriu, sua língua se soltou, e ele começou a louvar a Deus. Todos os vizinhos ficaram com medo, e a notícia espalhou-se por toda a região montanhosa da Judeia. E todos os que ouviam a notícia ficavam pensando: "O que virá a ser este menino?" De fato, a mão do Senhor estava com ele. E o menino crescia e se fortalecia em espírito. Ele vivia nos lugares desertos, até o dia em que se apresentou publicamente a Israel.

Celebramos hoje com grande alegria a solenidade do nascimento de São João Batista, primo do Salvador. E para bem aproveitarmos esta celebração, é importante considerarmos as razões por que a Igreja Católica comemora em sua Liturgia apenas três natividades, a saber: de Nossa Senhora, de Jesus Cristo e do Precursor. Todos os homens, com efeito, estão implicados no pecado de Adão, pai do gênero humano, de sorte que todos herdam uma natureza privada da santidade e da justiça originais que os nossos protoparentes receberam de Deus antes da Queda (cf. CIC 404); ora, é apenas por meio do Batismo que é apagada em nós a mancha do pecado original e nos é conferida a vida da graça (cf. CIC 405); por isto, todo homem, desde a sua concepção, nasce em estado de pecado — avesso, pois, a Deus — e necessita, para ser justificado, do lavatório da regeneração: "Quem não renascer da água e do Espírito não poderá entrar no Reino de Deus" (Jo 3, 5).

Há, no entanto, três casos especialíssimos em que, por disposição da divina Providência, existe santidade desde o ventre materno: em primeiro lugar, Jesus Cristo, por ser o próprio Verbo encarnado, não poderia herdar de forma nenhuma a herança de Adão: Ele, ao assumir a forma de servo, elevou o que é humano sem diminuir o que é divino, passando "pelas mesmas provações que nós, com exceção do pecado" (Hb 4, 15); Maria Santíssima, por sua vez, foi preservada do pecado, vencendo-o por sua santa e Imaculada Conceição; João Batista, enfim, foi santificado já no seio de sua mãe, conforme aquilo de São Lucas: "Ora, apenas Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança estremeceu no seu seio; e Isabel ficou cheia do Espírito Santo" (Lc 1, 41). A Igreja crê, portanto, que foi por ocasião da visitação de Nossa Senhora à sua prima que Deus purificou do pecado aquele que, nas palavras de Zacarias, seria "chamado profeta do Altíssimo" (Lc 1, 76).

Justificado, assim, desde o seu primeiro encontro com Cristo, São João Batista foi preparado e santificado pelo Pai para poder preparar como convinha as veredas do Filho (cf. Mt 3, 3). Ele, que é com justiça o último e o maior de todos os profetas (cf. Lc 7, 26), constitui como que a abóboda e o remate do Antigo Testamento: inaugurando o Evangelho (cf. Lc 16, 16; At 1, 22) pela pregação da conversão e da penitência, o Batista quer nos levar a morrer para o pecado, a fim de que Jesus Cristo, "o Cordeiro de Deus" (Jo 1, 29), nos faça nascer para a graça e para a vida verdadeira. Ouçamos hoje com atenção os apelos do Precursor; convençamo-nos de que, se não morrermos para nós mesmos e para o nosso egoísmo, não poderemos deixar o Cristo ser gerado em nós. Convertamo-nos, pois, e façamos penitência, com amor e generosidade, porque o Reino de Deus está próximo (cf. Mt 3, 2)!

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