Uma devoção para tempos dramáticos
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Uma devoção para tempos dramáticos

Em Fátima, além de dar aos pastorinhos uma visão do inferno, a Virgem Santíssima também mostrou-lhes o caminho para a salvação: a devoção ao seu Imaculado Coração, que, longe de ser um “ato mágico”, é na verdade uma escola de conversão.

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo 14,1-6)

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 1“Não se perturbe o vosso coração. Tendes fé em Deus, tende fé em mim também. Na casa de meu Pai, há muitas moradas. Se assim não fosse, eu vos teria dito. Vou preparar um lugar para vós, e quando eu tiver ido preparar-vos um lugar, voltarei e vos levarei comigo, a fim de que onde eu estiver estejais também vós. E para onde eu vou, vós conheceis o caminho”.

Tomé disse a Jesus: “Senhor, nós não sabemos para onde vais. Como podemos conhecer o caminho?” Jesus respondeu: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim”.

Com grande alegria celebramos a memória de Nossa Senhora do Rosário de Fátima. Hoje é o aniversário da primeira aparição de Nossa Senhora na Cova da Iria, em Fátima, Portugal, e isso aconteceu em 1917. Nossa Senhora, como sabemos, apareceu a três pastorinhos, Lúcia, Francisco e Jacinta. e durante essas aparições, que duraram de maio a outubro de 1917, Nossa Senhora previu para aquelas crianças a história do século XX e, pelo que a gente está vendo, boa parte também do século XXI que estamos vivendo.

Nossa Senhora falava da necessidade da devoção ao seu Imaculado Coração para reparar os males que iriam acontecer durante esse século. Deus quer instaurar a devoção ao Imaculado Coração de Maria exatamente para evitar que tantas almas se perdessem e tanta miséria e desgraça acontecesse no mundo. É importante compreendermos que Fátima nos descortina diante dos olhos uma visão da história, que é uma visão sobrenatural. Ou seja: Nossa Senhora está nos ajudando a ver os acontecimentos do último século com uma luz sobrenatural.

Nós podemos pegar livros de história, os acontecimentos que foram narrados pelos historiadores, mas nenhum dos historiadores que relatam a história do século XX irá contar do jeito que Nossa Senhora contou. Nossa Senhora conta a história diante de uma visão dramática: a visão do inferno. Ou seja, muitíssimas almas estão se perdendo e indo para o inferno. Essa é a primeira notícia de Fátima. Nossa Senhora é uma Mãe bondosa, que nos ama e está vendo os seus filhos se precipitarem na condenação eterna, e, para nos alertar, mostra a três pastorinhos o inferno.

Essa notícia é importante para os homens do século XX e XXI, porque talvez nunca na história da Igreja nós tenhamos vivido um período em que se crê tão pouco no inferno. Nossa Senhora, em sintonia com aquilo que é a pregação de dois mil anos da Igreja, aparece a três pastorinhos para dizer o seguinte: “Milhões e milhões de pessoas estão se precipitando no fogo eterno”. Ou seja: a história do século XX e XXI, os acontecimentos históricos dramáticos que estão nos livros de história e na memória das pessoas, tudo o que aconteceu no século XX e está acontecendo no XXI, tudo isso está levando as pessoas para o inferno

 Nossa Senhora quer opor a isso um remédio, que é a devoção ao seu Imaculado Coração. Como podemos, então, reverter tanto mal e tanta desgraça com essa devoção ao Imaculado Coração de Maria? Bom, pode parecer que Nossa Senhora esteja propondo uma coisa meio “supersticiosa” ou “mágica”; mas não é isso. A própria Virgem Santíssima, em aparições subsequentes e locuções interiores que ela deu a Lúcia, deixou muito claro: as pessoas que estão ouvindo os apelos dela em Fátima e que estão fazendo penitência ainda não estão no caminho.

Mas, por quê? Porque ainda não estão verdadeiramente se convertendo e fazendo propósito de emenda. Se Nossa Senhora está propondo a devoção ao seu Imaculado Coração, ela quer dizer o seguinte: “Vocês estão vendo o coração mau de vocês? Estão vendo o meu coração bom? Muito bem, esse coração mau de vocês tem de mudar com a graça de Deus, através dos meios da graça, que são a pregação, os sacramentos, a oração, a penitência, a récita do santo Rosário, para que vocês, convertidos, parem de ofender a Deus e, portanto, sejam salvos”. Nesse sentido, a devoção ao Imaculado Coração de Maria consiste em um meio que Nossa Senhora quis utilizar para mudarmos de vida.

E para ela nos levar a isso, nos levar a perceber que é aí que está a salvação, ela propôs duas coisas práticas: uma que podemos fazer individualmente, outra que era para ser feita pela Igreja do mundo inteiro. Primeira coisa: a comunhão reparadora dos cinco primeiros sábados. Nossa Senhora foi até Lúcia em Pontevedra e disse: “Vocês devem fazer e espalhar pelo mundo a devoção de as pessoas se confessarem uma vez por mês, comungarem, rezarem o Terço e meditarem os mistérios da salvação”. É um pequeno exercício espiritual, um pequeno “retiro” que Nossa Senhora propõe todos os meses para nós. Esse é o início de uma escola, o começo de uma mudança na vida de cada pessoa. Mas todos devem aderir a essa devoção dos cinco primeiros sábados.

Além disso, havia uma ação coletiva a ser realizada, isto é, para a Igreja do mundo inteiro: a consagração da Rússia ao Imaculado Coração. Isso, Nossa Senhora o disse em Tuy, em 1929. No entanto, Nossa Senhora não foi ouvida de imediato…

E o que aconteceu? Aconteceu exatamente o que Nossa Senhora previra: “Se não consagrarem a Rússia ao meu Imaculado Coração, vai acontecer guerra e perseguição à Igreja. A Rússia vai espalhar os seus erros pelo mundo inteiro, os justos serão perseguidos e o Santo Padre terá muito que sofrer”.

Isso, ela o disse em 1929. Infelizmente não se ouviu o seu clamor e, somente neste ano, em 25 de março de 2022, o Papa Francisco fez a consagração da Rússia. Pela primeira vez um Papa pediu aos bispos do mundo inteiro que se unissem a ele para consagrar a Rússia a Nossa Senhora. E é interessante que a internet desempenhou um papel importante nisso tudo, porque realmente o número de bispos que se uniu ao Papa consagrando a Rússia ao Imaculado Coração de Maria foi muito maior do que em todas as outras tentativas anteriores (tentativas que não nomeavam a Rússia explicitamente). Então, finalmente, agora em 2022, nós tivemos a consagração da Rússia, ou seja, 93 anos depois do pedido de Nossa Senhora. E a própria Nossa Senhora,numa locução interior a Lúcia, disse e previu isso: “Não quiseram me ouvir. No fim, eles vão fazer a consagração, mas será tarde”.

O que quer dizer “será tarde”? Bom, não precisa ter muita imaginação para enxergar por que ficou tarde. Porque a Rússia já espalhou seus erros; porque a Segunda Guerra Mundial aconteceu; porque tantas outras guerras aconteceram; porque, de fato, a Igreja foi perseguida; porque, de fato, os justos sofreram; e porque, de fato, o Santo Padre teve e terá muito que sofrer. Está aí. Mas Nossa Senhora diz que, apesar disso tudo, no fim o seu Imaculado Coração triunfará

 Nós estamos celebrando neste ano, então, a memória de Nossa Senhora de Fátima e, olhando em retrospectiva essa história passada, para dar um grande graças a Deus por essa consagração que aconteceu agora, no dia 25 de março, feita pelo Papa Francisco, e, ao mesmo tempo, sabendo que vivemos tempos dramáticos, que Nossa Senhora espera de nós que tenhamos devoção ao seu Imaculado Coração, ou seja, que realmente o nosso coração, arrependido, se volte para Deus, faça o propósito de não mais pecar, fazer penitência, parar de ofender a Deus, para entregarmos e confiarmos sinceramente nossa vida ao seu Imaculado Coração.

Que a celebração de Nossa Senhora neste ano de 2022 seja para nós um ponto verdadeiramente de decisão, decisão de vida, decisão de levar a sério a mensagem de Fátima. Uma vez que a consagração da Rússia está feita, vamos nos concentrar naquilo que Nossa Senhora pediu, que é fazer constantemente essa devoção dos primeiros sábados e ter uma vida espiritual séria, em que busquemos mudar o nosso próprio coração transformando-o num coração semelhante ao Imaculado Coração da Virgem Maria. Peçamos a ela que nos dê as suas virtudes e transforme o nosso coração.

Não se trata de uma devoção “mágica” ao Imaculado Coração da Virgem Maria. Trata-se verdadeiramente de uma escola, de uma Mãe que veio nos mostrar o quanto nosso comportamento está precipitando milhões e milhões de almas no inferno, e para reparar tanto mal o seu Imaculado Coração é verdadeiramente o nosso caminho, proteção e refúgio.

No final, ele triunfará. Mas para que estejamos com Nossa Senhora na hora do triunfo, é necessário que o Coração de Maria triunfe desde já no coração de cada um de nós. Não pensemos que o triunfo do Coração Imaculado de Maria vai acontecer magicamente. O triunfo do Imaculado Coração de Maria vai acontecer, se ele triunfar na sua vida, sobre os seus pecados, sobre as suas misérias. Assim, então, teremos um tempo de paz interior, e o seu Imaculado Coração triunfará em nossos corações.

* * * 

Sua ausência não será perpétua (v. 1-12a). — V. 1. Não se perturbe o vosso coração de tristeza, pelas coisas que vos disse sobre minha partida. Tendes fé em Deus, tende pois fé em mim também. Muitos interpretam a locução tendes fé (gr. πιστεύετε = vós credes) em sentido imperativo: “Crede em Deus, crede em mim!” É mais provável, porém, a interpretação da Vulgata: “Assim como credes em Deus”, isto é, pondes em Deus a vossa confiança, “crede também em mim”, ou seja, confiai que não vos hei de privar de meu auxílio, ainda que esteja longe de vós.

V. 2. Na casa de meu Pai há muitas moradas (μοναί) preparadas para vós e para muitos outros [1]; se assim não fosse (gr. εἰ δὲ μή), eu vos teria dito, porque vou (πρόδρομος, Hb 6,20) preparar um lugar para vós (εἶπον ἂν ὑμῖν ὅτι πορεύομαι ἑτοιμάσαι τόπον ὑμῖν). É difícil a interpretação desta proposição, razão por que dissentem sobre ela os autores. — 1) Alguns interpretam o porque (lt. quia, gr. ὅτι) como conjunção relativa para introduzir uma oração subordinada objetiva: “Se assim não fosse, eu vos teria dito que vou” etc.; mas essa explicação contradiz o contexto, pois no v. seguinte Cristo promete ir para lhes preparar um lugar. — 2) Muitos o interpretam no mesmo sentido, mas convertem a cláusula em interrogação: “Se assim não fosse, [por acaso] vos teria dito que vou preparar um lugar para vós?” Ora, entre as coisas que o Senhor disse até agora aos Apóstolos não se lê nada parecido. — 3) A vasta maioria dos intérpretes entende o porque em sentido causativo: “Se assim não fosse, eu não vo-lo teria dito (nem vos alimentado com vã esperança); de fato, vou preparar um lugar para vós”.

Santo Agostinho: “Como pode preparar moradas, se já há muitas? Ainda não são, se devem ser preparadas. É que agora prepara moradas preparando os que nela hão de morar”. Cristo, por conseguinte, sobe aos céus para nos preparar um lugar, seja enviando-nos o Espírito Santo, seja distribuindo entre nós os frutos da redenção, seja enfim atraindo a si nossos corações.

V. 3. Mas sua ausência não será perpétua: E quando eu tiver ido preparar-vos um lugar, voltarei. A vida da Igreja é uma παρουσία contínua de Cristo [2]; aqui, porém, o Mestre se refere à sua vinda na morte de cada um dos fiéis, ou no Juízo Final. — E vos levarei comigo, para estardes comigo e tomardes parte em minha glória; a fim de que onde eu estiver estejais também vós, para que vivamos na mesma casa como membros da mesma família.

V. 4s. E para onde eu vou, vós conheceis o caminho, isto é, já deveis saber suficientemente que vou para o Pai pela morte de cruz; ou então: “Já sabeis que volto para o Pai e conheceis o caminho que vos levará também a vós até Ele, a saber: seguindo a mim e minhas palavras”, o que é mais conforme ao v. 6. Tomé, contudo, não entendeu estas palavras figuradas, por isso fez aquela pergunta cheia de ingênua admiração: Senhor, nós não sabemos para onde vais. Como podemos conhecer o caminho? Talvez pensasse em alguma viagem a ser feita.

V. 6. Jesus respondeu: Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Estas palavras estão entre as profundas de Cristo e são como um resumo áureo do IV Evangelho. — É o caminho (ἡ ὁδός), antes de tudo, pela fé (ninguém, com efeito, pode ir ao Pai senão por Ele); é o caminho enquanto exemplar perfeitíssimo (por sua vida e doutrina) para todos os homens; é o caminho, por ser o Mediador entre Deus e os homens (cf. 1Tm 2,5), para que, por meio dele, tenhamos acesso ao Pai (cf. Ef 2,18). — É a verdade (ἡ ἀλήθεια) porque, enquanto Verbo de Deus, é a expressão substancial do intelecto paterno e, enquanto Verbo encarnado, é o órgão perfeitíssimo da divina revelação, luz que ilumina todo homem (cf. Jo 1,9). — É a vida (ἡ ζωή) porque, antes da criação, nele estava a vida (cf. Jo 1,4) e, após a encarnação, tornou-se o princípio e a fonte da vida ético-religiosa e da vida sobrenatural e eterna (cf. Jo 5,26; 11,25) [3].

Notas

  1. Costumam os autores interpretar esse trecho como variedade de moradas, por referência a diferentes graus de glória (na casa de meu Pai há diversas moradas, umas mais dignas que outras); mas o sentido parece ser antes quantitativo que qualitativo, como notou até mesmo *Loisy, modernista condenado pelo magistério da Igreja: “Jesus não consola os discípulos anunciando-lhes que terão lugares desigualmente brilhantes no céu, mas que terão todos e cada um o seu” (Le quatrième Évangile, Paris, 1903, p. 742).
  2. “Cristo está de fato, desde o momento de sua ressurreição, sempre a vir ao mundo, à Igreja e aos homens como o Senhor ressuscitado” (B. F. Westcott, The Gospel according to St. John, Londres, 1908, vol. 2, p. 168).
  3. Escreve o autor da Imitação de Cristo (III 56, 1): “Sem caminho não há por onde andar; sem verdade, nada se conhece; sem vida, não há quem possa viver. eu sou o caminho que deves seguir, a verdade que deves crer, a vida que deves esperar. Eu sou caminho direto, verdade infalível, vida interminável, verdade suma, vida verdadeira, ditosa e inefável” (trad. port. de J. I. Roquete. 12.ª ed., São Paulo: Ave-Maria, 1959, p. 374). — “jesus é a luz do mundo, o caminho, a verdade e a vida; fora dele não há senão trevas, erro e morte. Mas o meio normal de participar desta luz e da vida de Cristo é ser incorporado à sua Igreja, e à sua Igreja visível. Toda a obra do Salvador se ordena a reunir numa só barca, sob um só pastor, os filhos de Deus dispersos pelo mundo” (J. Huby, “L’Évangile et les Évangiles”, em: Verbum Salutis XI. 2.ª ed., Paris, 1954, p. 286s).
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