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O Papa Bento XVI recentemente lançou o último volume da trilogia "Jesus de Nazaré". No excelente "A Infância de Jesus", ele contempla o nascimento de Jesus e na página 61 diz:

"Como se disse, a manjedoura faz pensar nos animais que se encontram nela e o seu alimento. Aqui no Evangelho não se fala em animais."

Por causa desta frase, o Papa foi acusado de revolucionário, de querer tirar os animais do presépio. Isso não é verdade, pois, já na página seguinte, ele continua: ‘nenhuma representação do presépio prescindirá do boi e do jumento", portanto, a dúvida está dirimida: o Papa Bento XVI não retirou o boi e o jumento do presépio.

Neste livro, o Sumo Pontífice apresenta um resumo sobre os animais do presépio, mas em uma reflexão anterior, ele fala mais longamente sobre o significado e a origem do presépio dentro da espiritualidade cristã. Ele diz que o centro do ano litúrgico está na Páscoa, no entanto, durante a Idade Média, diante de toda a ênfase de Cristo na cruz, no Calvário, o Natal foi sendo deixado de lado. São Francisco de Assis, com sua sensibilidade espiritual de místico, mas também de pregador, foi quem suscitou no coração dos fiéis um apreço pela festa do Natal.

São Francisco teve uma visão do Menino Jesus dormindo e aproximou-se devagar, mas Ele acordou. Estava dormindo no coração da cristandade e através da pregação de Francisco surgiu novamente como devoção. Ela é importante porque na Páscoa, Deus se apresenta como o Vitorioso, o Onipotente, Aquele que vence a Morte. Contudo, a visão da Cruz pode causar medo e quando Ele se apresenta inerme, indefeso, como uma criança tudo muda.

O Pobrezinho de Assis queria que as pessoas vissem as privações que Jesus sofreu ao nascer e, por isso, fez uma representação do presépio vivo, colocando nele o boi e o jumento. O Papa, como o gigante teólogo que é, vê na presença desses animais a continuidade do Antigo no Novo Testamento. Ele cita três textos bíblicos que levam ao entendimento da presença do boi e do jumento na gruta de Belém, utilizada pelos pastores para alimentar os animais.

Dos Padres da Igreja vem a tradição de que realmente Jesus nasceu numa gruta. Escritos de Orígenes dão conta de que os pagãos, querendo impedir que o lugar do nascimento de Jesus fosse venerado pelos cristãos, construíram sobre esta lapa um templo em honra ao deus Adonis. Fizeram assim, o favor de determinar o exato local onde Deus Menino nasceu.

Jesus nasce numa gruta onde os animais são alimentados e sua mãe Maria o envolve em faixas. Os Padres interpretam os dois sinais: na manjedoura o fato de que Jesus se faz alimento e nas faixas o sudário que o envolverá na morte.

Então, os homens são como o boi e o jumento? Essa ideia não poderia ser mais correta. Nas primeiras figurações do presépio na Idade Média, sempre se pintava esses animais com traços quase humanos, pois eles, de fato, representam os homens. Em Isaías, cap. 1, 3, vê-se: "O boi conhece o seu dono, e o jumento a manjedoura de seu senhor, mas Israel é incapaz de conhecer, meu povo não pode entender." Os animais irracionais são capazes de conhecer a presença de Deus, mas o homem, marcado pela soberba, não.

Contudo, a profecia de Isaías é para o homem e não para o animal irracional. O Papa mostra claramente, nesse primeiro texto, as duas cegueiras que não impedem que Jesus seja reconhecido: Herodes, num palácio, vestido com roupas finas, em contraposição às vestes pobres de João Batista, não foi capaz de reconhecer a visita de Deus. Como tem sede de poder deve pagar o preço dela e, assim, se torna paranoico, com mania de perseguição, sentindo medo diante de uma pequena criança, de um menino.

Ousadamente, o Papa Bento diz que não somente os poderosos - representados por Herodes - mas também os sábios, os biblistas - representados pelos magos - que em sua sabedoria humana não sabem reconhecer o Salvador. Essa cegueira pode ser aplicada ao homem moderno que na erudição, na sofisticação intelectual perde a visita de Deus que vem na simplicidade de uma palavra encarnada, envolta em faixas e deitada numa manjedoura.

No boi e no jumento os Santos Padres viram os dois povos - os judeus e os gregos - que deveriam reconhecer a presença do salvador que estava diante deles. A presença de Deus leva aos dois outros textos citados pelo Papa. A versão grega de Habacuc (3, 2): «No meio de dois seres vivos (…) tu serás conhecido, quando vier o tempo, tu aparecerás», no qual os dois seres vivos poderiam ser a representação dos dois anjos querubins que guardam a arca da Aliança, no trecho do Êxodo, 25, 18-20: "Nas duas extremidades da placa, faz dois querubins de ouro batido: cada um sairá de uma extremidade da placa cobrindo-a com as asas estendidas para cima. Estarão diante um do outro, olhando para o centro da placa.". A manjedoura se transforma na Arca da Aliança.

O livro "A Infância de Jesus" deve ser lido e meditado, até mesmo rezado, sendo reconhecido como uma grande obra para se entender melhor sobre o grande mistério da Encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo.

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