Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo 3, 31-36)
“Aquele que vem do alto está acima de todos. O que é da terra, pertence à terra e fala das coisas da terra. Aquele que vem do céu está acima de todos. Dá testemunho daquilo que viu e ouviu, mas ninguém aceita o seu testemunho. Quem aceita o seu testemunho atesta que Deus é verdadeiro. De fato, aquele que Deus enviou fala as palavras de Deus, porque Deus lhe dá o espírito sem medida.
O Pai ama o Filho e entregou tudo em sua mão. Aquele que acredita no Filho possui a vida eterna. Aquele, porém, que rejeita o Filho não verá a vida, pois a ira de Deus permanece sobre ele”.
O Evangelho de hoje é a conclusão do diálogo de Jesus com Nicodemos, no qual nos coloca diante do ponto-chave da nossa fé: Ele veio de Deus e nos dá testemunho daquilo que viu e ouviu junto do Pai.
Na realidade, São João apresenta nesse diálogo aquilo que já havia anunciado de forma lapidar no Prólogo: “Ninguém jamais viu a Deus, mas o Filho Unigênito, que está voltado para a intimidade do Pai, foi quem o deu a conhecer” (Jo 1, 18). Ou seja, Jesus atesta que viu Deus face a face e, por isso, fala com a autoridade do Senhor, e nós somos chamados a crer n’Ele.
Muitas pessoas, porém, não entendem em que consiste o ato de fé. Ele não nasce a partir de milagres — embora estes existam e Deus possa realizá-los —, pois são apenas um auxílio para uma fé ainda imperfeita. Também não se fundamenta em sentimentos interiores, em algo que simplesmente produz comoção. O ato de fé acontece quando cremos na Palavra de Cristo.
Pensemos na Eucaristia: o que vemos? Os olhos veem pão, a boca sente o gosto de pão, e o tato percebe a textura de pão. Contudo, ouvimos a Palavra: “Isto é o meu Corpo” e, mesmo que tudo pareça dizer o contrário, cremos no que escutamos.
Isso não se aplica apenas em relação aos sentidos exteriores, mas também aos interiores. Muitas vezes, ao comungar, não sentimos nada: nenhuma consolação, nenhum fervor; às vezes, estamos até distraídos ou entediados. Ainda assim, somos chamados a fazer um ato de fé: “Eu creio. Nada em mim atesta isso, nem os sentidos exteriores, nem os interiores; mas há uma Palavra que é veraz, e eu creio nela”.
Este é o ato de fé: crer na Palavra de Cristo, confiar que Ele não se engana nem pode nos enganar. Ele não se engana, porque é a Sabedoria encarnada e não pode errar; e porque, sendo infinitamente bom, não poderia nos iludir — pois Ele é a própria Verdade encarnada.
Assim, o ato de fé acontece quando a inteligência reconhece essa Verdade e a vontade a sustenta, dizendo: “É Ele quem fala, é Ele quem testemunha; logo, eu creio”. A vontade dá, então, firmeza à inteligência.
Neste Tempo Pascal, somos chamados a renovar, com fervor, o nosso ato de fé no Cristo Ressuscitado. Ele prometeu que ressuscitaria — e, de fato, ressuscitou —, não apenas para manifestar a sua glória, mas para nos conduzir, com Ele, à vida eterna. Creiamos, portanto, com total confiança, e deixemo-nos atrair por essa vida nova que já começou em nós, até que, um dia, participemos plenamente da sua glória no Céu.




























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