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136. É verdade que as missas gregorianas libertam as almas do purgatório?

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Tanto a missa quanto o canto gregoriano receberam esse nome por causa do grande Papa da Igreja, Gregório Magno. São duas coisas diferentes que não devem ser confundidas.

O canto gregoriano nada mais é do que o modo tradicional de se cantar no rito latino. A missa gregoriana, por sua vez, tem uma origem um tanto quanto inusitada.

Em sua obra intitulada “Diálogos”, São Gregório Magno conta que certa feita, um monge chamado Justo, do Mosteiro de Santo André, sucumbiu e acabou por guardar para si três moedas de ouro, o que feria a regra da santa pobreza. Justo foi descoberto, confessou seu crime e reconciliou-se com a Igreja, porém, o Papa preocupado com a disciplina dos mosteiros, decidiu punir exemplarmente tal ato. Condenou Justo à reclusão e determinou que seu corpo não fosse enterrado no campo santo. E assim foi feito.

Tempos depois, São Gregório apiedou-se da alma de Justo, refletindo que ele, antes de morrer, havia se reconciliado com a Igreja, portanto, sua alma deveria estar padecendo no Purgatório. Decidiu, então, celebrar missa durante trinta dias pela alma de Justo, pretendendo abreviar-lhe a pena. Ao fim da trigésima missa, Justo "apareceu" no mosteiro e disse que estava liberto do Purgatório.

Assim nasceu a devoção das trinta missas para libertar as almas dos fiéis defuntos do Purgatório: as missas gregorianas. É claro que o Papa não desejava inaugurar uma nova devoção, mas o fato é que se tornou um costume repetido até muito recentemente.

Além dessa, existe a tradição do chamado altar privilegiado, ou seja, aquele altar original em que São Gregório Magno celebrou as trinta missas no mosteiro de Santo André. Dizem que apenas uma missa ali celebrada teria o poder de libertar as almas do purgatório e seria equivalente às trinta missas. Os papas subsequentes teriam instituído outros altares privilegiados. O poder das chaves permite que uma missa receba o valor de indulgência de trinta.

As missas gregorianas são uma devoção, não pertencem ao depósito da fé. Contudo, é dever de todo católico e um das sete obras de misericórdia espirituais, rogar a Deus pelos vivos e pelos fiéis defuntos.

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