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224. Mentir é sempre pecado?

Existem circunstâncias nas quais é lícito mentir? Qual o problema, afinal, de contar uma “mentirinha de nada"? Neste episódio de “A Resposta Católica", confira a solução do Magistério da Igreja para essa questão, entenda o que é a restrição mental e saiba em que condições ela pode ser usada.

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As pessoas tendem a considerar a mentira como um pecado circunstancial, como se determinadas situações - salvar pessoas em risco de vida, por exemplo - a tornassem moralmente legítima. No entanto, a doutrina tradicional da Igreja ensina que a mentira é sempre e intrinsecamente má. “A mentira é, por sua natureza, condenável" [1], diz o Catecismo. Isso significa dizer que ela não é pecado porque é proibida - como é comer carne na Sexta-Feira Santa, uma proibição de que se pode obter dispensa -, mas porque é desordenada em si mesma. Por isso, não é justificável mentir em nenhuma circunstância.

O Catecismo da Igreja Católica define a mentira como “falar ou agir contrariamente à verdade, para induzir em erro" [2]. No caso, trata-se de falar ou agir contrariamente àquilo que está na própria mente. Uma pessoa, por exemplo, que estivesse enganada a respeito de algo e o comunicasse, pensando ser a verdade, não mentiria. Se, ao contrário, se começa a dizer coisas que não estão de acordo com o que está na mente, a razão de ser da palavra, que é comunicar os pensamentos, desaparece.

É preciso levar em conta, sobretudo, o grande apreço que os cristãos devem ter pela verdade, pois Nosso Senhor se definiu como “o caminho, a verdade e a vida" [3] e o Espírito Santo foi chamado por Ele de “o Espírito da Verdade" [4]. Ao mesmo tempo, é com seriedade que Jesus repreende os mentirosos: “O vosso pai é o diabo, (...) nele não há verdade. Quando ele fala mentira, fala o que é próprio dele, pois ele é mentiroso e pai da mentira" [5].

Em certas circunstâncias, existe a possibilidade de se recorrer à chamada restrição mental. Em sentido estrito, também ela é pecaminosa, pois não passa de um modo “sofisticado" de mentir. Em sentido amplo, porém, sendo uma frase ou um gesto ambíguo, ela pode ser justificada, caso exista uma razão grave e proporcionada, como salvar uma vida, manter a boa fama, guardar o sigilo de Confissão ou o segredo profissional etc. Às vezes, uma pessoa faz uma pergunta imprudente, tentando descobrir algo que ela não tem o direito de saber.

Algumas passagens de padres da Igreja, como Orígenes, São João Crisóstomo, Santo Hilário de Poitiers e Cassiano, são um pouco difíceis e parecem tentar justificar a mentira. Na verdade, quando se se depara com os textos originais e com seus respectivos contextos, percebe-se que eles estão falando, na verdade, da restrição mental, e não da mentira, que, como já dito, é sempre condenável.

Opõe-se à mentira a virtude da veracidade. Numerosos são os mártires cristãos que derramaram o próprio sangue para não dizer uma mentira, seja com palavras ou gestos. Em algumas ocasiões, durante as perseguições do Império Romano, bastava que um cristão jogasse um punhado de incenso num braseiro para honrar a imagem de César, para que salvasse a sua vida. Os mártires, no entanto, vendo que aquele gesto seria uma simulação, preferiam a morte a ofender Nosso Senhor com uma só mentira. Por isso tantos deles eram colocados nas arenas, jogados aos leões, crucificados e queimados vivos.

Sobre a gravidade da mentira, o Catecismo explica que, “embora a mentira, em si, não constitua mais que um pecado venial, torna-se mortal quando lesa gravemente as virtudes da justiça e da caridade" [6]. Quem ama a Deus e a justiça, no entanto, deve firmar um real compromisso com a verdade, procurando evitar não só os grandes pecados, mas também as faltas veniais. Como dizia Santo Agostinho, “nós nunca mentimos, porque somos filhos da luz".

Referências

  1. Catecismo da Igreja Católica, 2485
  2. Ibidem, 2483
  3. Jo 14, 6
  4. Jo 16, 13
  5. Jo 8, 44
  6. Catecismo da Igreja Católica, 2484
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