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135. Por que o Papa insiste no latim?

O Papa Bento XVI instituiu, em 2012, a Pontifícia Academia da Latinidade, a fim de promover, em todo o mundo, o estudo da língua latina. Muitos questionaram essa decisão de Sua Santidade, alegando que o latim é uma língua morta, ininteligível, e que a liturgia está muito melhor agora, rezada em língua vernácula.

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No dia 10 de novembro de 2012, o Papa Bento XVI instituiu a Pontifícia Academia da Latinidade para promover o estudo do latim no mundo todo. Alguns questionam essa decisão de Sua Santidade alegando que o latim é uma língua morta, ininteligível e que a liturgia está muito melhor agora na língua materna. Qual seria, então, a finalidade do latim dentro da Igreja?

Antes de mais nada, é preciso deixar claro que todos os Papas sempre insistiram no uso da língua latina. O próprio Papa João XXIII às vésperas do Concílio Vaticano II, publicou a Carta Apostólica Veterum Sapientiae, que foi assinada de forma solene, no altar de São Pedro, o que mensura a importância do seu conteúdo. E ela dizia que os seminários deveriam se empenhar ainda mais no ensino e no estudo do latim, de modo que os seminaristas fossem capazes até de compor poesias.

Depois do CVII, a pedido da Sacrosanctum concilium, foi dado mais espaço à língua vernácula dentro da liturgia. Mas, de forma alguma isso significava o desprezo do latim, pelo contrário, significava a valorização da língua comum, mas que fosse ensinado ao povo as respostas e os cantos mais populares na língua latina.

O próprio Papa Bento XVI justifica a criação da Pontifícia Academia na introdução do Motu Próprio, que a seguir transcrevemos:

1. A língua latina foi sempre tida em grandíssima consideração pela Igreja Católica e pelos Romanos Pontífices, os quais promoveram assiduamente o seu conhecimento e difusão, tendo feito dela a própria língua, capaz de transmitir universalmente a mensagem do Evangelho, como já respeitavelmente afirmado pela Constituição Apostólica Veterum sapientiae do meu Predecessor, o Beato João XXIII.
Na realidade, desde o Pentecostes a Igreja falou e rezou em todas as línguas dos homens. Contudo, as Comunidades cristãs dos primeiros séculos usaram amplamente o grego e o latim, línguas de comunicação universal do mundo no qual viviam, graças às quais a novidade da Palavra de Cristo encontrava a herança da cultura helênico-romana.
Depois do desaparecimento do Império romano do Ocidente, a Igreja de Roma não só continuou a servir-se da língua latina, mas dela se fez de certa forma patrocinadora e promotora, quer em âmbito teológico e litúrgico, quer no da formação e da transmissão do saber.
2. Também na nossa época, o conhecimento da língua e da cultura latinas resulta necessário como nunca para o estudo das fontes nas quais se baseiam, entre outras, numerosas disciplinas eclesiásticas tais como, por exemplo, a Teologia, a Liturgia, a Patrística e o Direito Canônico, como ensina o Concílio Ecumênico Vaticano II (cf. Decr. Optatam totius, 13).
Além disso, nesta língua são redigidos, na sua forma típica, precisamente para evidenciar a índole universal da Igreja, os livros litúrgicos do Rito romano, os Documentos mais importantes do Magistério e as Atas oficiais mais solenes dos Romanos Pontífices.
3. Na cultura contemporânea observa-se contudo, no contexto de um debilitamento generalizado dos estudos humanistas, o perigo de um conhecimento cada vez mais superficial da língua latina, verificável também no âmbito dos estudos filosóficos e teológicos dos futuros sacerdotes. Por outro lado, precisamente no nosso mundo, no qual grande parte é ocupada pela ciência e pela tecnologia, verifica-se um renovado interesse pela cultura e língua latinas, não só naqueles Continentes que têm as próprias raízes culturais na herança greco-romana. Esta atenção torna-se muito significativa porque não abrange só ambientes acadêmicos e institucionais, mas diz respeito também a jovens e estudiosos provenientes de Nações e tradições bastante diversas.
4. Torna-se portanto urgente apoiar o compromisso por um maior conhecimento e um uso da língua latina mais competente, quer no âmbito eclesial, quer no mais vasto mundo da cultura. Para dar realce e ressonância a este esforço, são oportunas como nunca a adoção de métodos didáticos adequados às novas condições e a promoção de uma rede de relações entre Instituições académicas e entre estudiosos, a fim de valorizar o rico e multiforme património da civilização latina.
A fim de contribuir para a consecução de tais finalidades, seguindo as pegadas dos meus venerados Predecessores, com o presente Motu Próprio instituo hoje a Pontifícia Academia de Latinidade, dependente do Pontifício Conselho para a Cultura. Ela é regida por um Presidente, coadjuvado por um Secretário, por mim nomeados, e por um Conselho Acadêmico."

Não estudar latim é cortar relacionamento com dezoito séculos de Cristianismo, uma vez que os três primeiros séculos da Igreja aconteceram em língua grega, pois era uma época em que o oriente da Igreja era mais férvido em ideias e obras literárias, o próprio Novo Testamento e a Carta de São Paulo aos Romanos foram escritos em grego. Gradualmente, porém, foi ocorrendo a latinização da Igreja e iniciou-se a produção de obras em latim.

Importante frisar também que, se o desejo é adotar a hermenêutica da descontinuidade, rompendo com o passado e afirmando que a Igreja começou cinquenta anos atrás, é evidente que não se desejará o latim. Entretanto, o Papa Bento XVI já falou claramente que essa postura de ruptura não é adequada.

No Brasil, recomendamos o livro Gramática Latina, do Professor Napoleão Mendes de Almeida. A partir da edição nº 30, ela traz as respostas dos exercícios. É uma obra importantíssima e útil para o aprendizado do latim. O Santo Padre quer que todos estudem latim, cabe a nós atendê-lo.

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