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Homilia Dominical
11 Jul 2014 - 23:25

Quatro terrenos e duas cidades

Os quatro terrenos de que fala Jesus na famosa parábola do semeador dão origem a duas cidades: os três primeiros, fundados no amor de si até o desprezo de Deus, constroem a cidade mundana; o último, fundado no amor de Deus até o desprezo de si, funda a cidade de Deus, a única em que se é verdadeiramente feliz e onde é possível dar frutos.
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Homilia Dominical - 11 Jul 2014 - 23:25

Quatro terrenos e duas cidades

Os quatro terrenos de que fala Jesus na famosa parábola do semeador dão origem a duas cidades: os três primeiros, fundados no amor de si até o desprezo de Deus, constroem a cidade mundana; o último, fundado no amor de Deus até o desprezo de si, funda a cidade de Deus, a única em que se é verdadeiramente feliz e onde é possível dar frutos.
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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo
Mateus (Mt 13, 1-23)

O Evangelho deste Domingo é a famosa parábola do semeador. Em seu caminho, ele encontra quatro tipos de terreno. O primeiro, à beira do caminho, significa “todo aquele que ouve a palavra do Reino e não a compreende”: “vem o Maligno e rouba o que foi semeado em seu coração”. Trata-se de pessoas que sequer chegaram a entrar na Igreja; que se detêm diante das ruínas da Civilização cristã, sem saber qual edifício existia antes delas.

Essas pessoas precisam ser conquistadas para Nosso Senhor. Por isso, em outra passagem, Ele diz que tornará os que O seguem “pescadores de homens” [1]. O trabalho de evangelização é como uma pescaria. Para que o peixe fisgue o anzol, é necessária uma isca atraente. Do mesmo modo, para que se traga as pessoas para a Igreja, é preciso que elas se sintam atraídas pela boa nova de Cristo. Não se trata de desfigurar o Evangelho, tornando-o menos exigente e adequando-o aos gostos do mundo moderno, mas de apresentar a Palavra de uma forma que o homem compreenda que “não só de pão vive o ser humano, mas de tudo o que procede da boca do Senhor” [2]; que Nosso Senhor é a única resposta à fome que todo ser humano carrega dentro de si.

O segundo tipo de terreno é “aquele que ouve a palavra e logo a recebe com alegria; mas (...) quando chega o sofrimento ou a perseguição, por causa da palavra, ele desiste logo”. São as pessoas que não compreenderam a analogia do grão de trigo, que só dá frutos se cai na terra e morre [3]; que não entenderam que é impossível seguir Cristo sem abraçar a Cruz e o sofrimento. E isto, não porque gostemos de sofrer, mas porque somos convidados por Deus ao amor e, nesta vida, não é possível amá-Lo sem a experiência da dor e da morte.

Infelizmente, uma ideologia frequente entre pessoas de Igreja tem pregado que a Cruz é algo “medieval” ou “romanista”. Mas o Evangelho não é medieval, tampouco as palavras de Cristo: “Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome sua cruz, cada dia, e siga-me” [4] são romanas. Trata-se, ao contrário, de pagar o preço por ser discípulo de Cristo. Evidentemente, essa não é a primeira coisa a ser apresentada a quem ainda não conhece a Palavra, mas, mesmo no início do seguimento de Jesus, é preciso que a pessoa se disponha a uma renúncia. São Pedro e Santo André, por exemplo, ao serem chamados, conta o Evangelho, “deixaram as redes e o seguiram” [5].

O terceiro terreno do qual fala Nosso Senhor é o dos espinhos: trata-se daquele “que ouve a palavra, mas as preocupações do mundo e a ilusão da riqueza sufocam a palavra, e ele não dá fruto”. Embora tenham entrado na Igreja, essas pessoas entregam-se ao amor próprio desordenado, vivendo segundo a lei: “foge da dor, busca o prazer”. Imersas em suas preocupações, elas tentam, a todo o custo, fazer que a sua casa, construída na areia, não caia; que aquilo que é do mundo não passe. Cultivam a ilusão de que o acúmulo de riquezas pode dar-lhes a felicidade. Colocam o coração nos bens deste mundo, ao invés de elevarem o seu coração a Deus, como exorta a Liturgia: “Sursum corda! – Corações ao alto!”

Tragicamente, são muitas as pessoas dentro da Igreja que vivem assim. Enquanto o primeiro terreno de que fala Jesus nunca fez parte da Igreja e o segundo, embora tenha entrado nela, não lhe pertence mais, do terceiro apenas se diz que “não dá fruto”. Trata-se de pessoas sentadas nos bancos de nossas igrejas, mas contaminadas por uma mentalidade mundana, aquela que Santo Agostinho ponta como fundando a cidade dos homens: “Dois amores fundaram, pois, duas cidades, a saber: o amor próprio, levado ao desprezo de Deus, a terrena; o amor a Deus, levado ao desprezo de si próprio, a celestial” [6].

O quarto terreno, bom e fecundo, é o único sobre o qual se edifica a cidade de Deus. Refere-se a “aquele que ouve a palavra e a compreende. Esse produz fruto. Um dá cem, outro sessenta e outro trinta”. Para que o terreno de nosso coração seja assim, é preciso que procuremos compreender a Palavra de Deus – ao contrário do primeiro terreno –, que estejamos prontos para amar, abraçando de alguma forma a Cruz e o sofrimento – ao contrário do segundo – e, por fim, que renunciemos ao pensamento mundano, que pede que fujamos da dor e busquemos o prazer – ao invés do terceiro terreno. Sigamos esse itinerário e caminhemos juntos para a cidade celeste.

Referências

  1. Mt 4, 19
  2. Dt 8, 3
  3. Jo 12, 24
  4. Lc 9, 23
  5. Mt 4, 20
  6. De Civitate Dei, 2, XIV, XXVIII
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