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Homilia Dominical
15 Mar 2019 - 23:32

Transfigurados pelo Espírito Santo

Por que em toda Quaresma a Igreja proclama o evangelho da Transfiguração, senão para que sejamos capazes de reconhecer na cruz de Cristo, da Sexta-Feira Santa, a expressão do amor inigualável de Deus por toda a humanidade? Em mais esta meditação quaresmal, Padre Paulo Ricardo nos mostra como é o Espírito Santo, da nuvem, que vai tirar as vendas de nossos olhos e preparar-nos para o “êxodo” por que todos temos de passar, seguindo os passos de Nosso Senhor.
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Homilia Dominical - 15 Mar 2019 - 23:32

Transfigurados pelo Espírito Santo

Por que em toda Quaresma a Igreja proclama o evangelho da Transfiguração, senão para que sejamos capazes de reconhecer na cruz de Cristo, da Sexta-Feira Santa, a expressão do amor inigualável de Deus por toda a humanidade? Em mais esta meditação quaresmal, Padre Paulo Ricardo nos mostra como é o Espírito Santo, da nuvem, que vai tirar as vendas de nossos olhos e preparar-nos para o “êxodo” por que todos temos de passar, seguindo os passos de Nosso Senhor.
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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 9, 28-36)

Naquele tempo, Jesus levou consigo Pedro, João e Tiago, e subiu à montanha para rezar. Enquanto rezava, seu rosto mudou de aparência e sua roupa ficou muito branca e brilhante.

Eis que dois homens estavam conversando com Jesus: eram Moisés e Elias. Eles apareceram revestidos de glória e conversavam sobre a morte, que Jesus iria sofrer em Jerusalém.

Pedro e os companheiros estavam com muito sono. Ao despertarem, viram a glória de Jesus e os dois homens que estavam com ele.

E, quando estes homens se iam afastando, Pedro disse a Jesus: “Mestre, é bom  estarmos aqui. Vamos fazer três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias”. Pedro não sabia o que estava dizendo.

Ele estava ainda falando, quando apareceu uma nuvem que os cobriu com sua sombra. Os discípulos ficaram com medo ao entrarem dentro da nuvem.

Da nuvem, porém, saiu uma voz que dizia: “Este é o meu Filho, o Escolhido. Escutai o que ele diz!”

Enquanto a voz ressoava, Jesus encontrou-se sozinho. Os discípulos ficaram calados e naqueles dias não contaram a ninguém nada do que tinham visto.

Meditação. — 1. Como em todos os anos, o evangelho do 2.º Domingo da Quaresma fala da Transfiguração de Jesus. Tal costume litúrgico se deve ao fato de que estamos num período de preparação para a Páscoa, que requer as graças do Espírito Santo. Do mesmo modo, a Transfiguração do Senhor foi o momento em que Ele recebeu todas as graças para derramá-las sobre os Apóstolos e, assim, torná-los capazes de compreender o mistério da Paixão. No cimo da montanha, aquela nuvem luminosa, da qual se ouvia a voz do Pai, envolvia todo o rosto do Filho. Aquela nuvem era o Espírito Santo.

No Evangelho de São Lucas, os relatos da Transfiguração estão logo após os primeiros acenos de Cristo à sua morte na cruz. E, de fato, os discípulos ainda não haviam compreendido o que o Senhor queria dizer com aqueles discursos sobre “sofrimento” e “ressurreição ao terceiro dia”. Era preciso que o Espírito iluminasse suas inteligências para que pudessem reconhecer o “êxodo” de Jesus, cuja realização plena aconteceria em Jerusalém. Cristo, Moisés e Elias conversavam exatamente sobre essas coisas no momento da Transfiguração.

2. No capítulo 14 do Evangelho de São João, Jesus diz aos Apóstolos que o Espírito Santo iria ensinar-lhes “todas as coisas” (v. 26). Baseado nesse versículo, Santo Tomás de Aquino explica que, sem o Espírito Santo, nem mesmo a pregação de Cristo encarnado poderia ser eficaz. Todo ouvinte da Palavra precisa abrir-se à graça, caso queira inserir-se no mistério cristão. Do contrário, as suas meditações, leituras, novenas, jaculatórias etc. estarão todas fadadas ao fracasso. Por isso, precisamos subir à montanha com Nosso Senhor para dEle recebermos a graça da “nuvem luminosa” sobre nossos corações.

A Igreja repete o evangelho da Transfiguração na Quaresma para que sejamos capazes de reconhecer na cruz de Cristo, da Sexta-Feira Santa, a expressão do amor inigualável de Deus por toda a humanidade. O Espírito Santo é quem vai nos tirar todas as vendas dos olhos, movendo-nos para a união com Nosso Senhor. Devemos caminhar com Ele para a cruz a fim de, juntos com Ele, ressuscitarmos ao terceiro dia. Essa é a dinâmica do seguimento de Cristo. Temos de imitá-lo em tudo.

3. Jesus recebeu o Espírito Santo não porque precisasse, Ele mesmo, crescer em graça. Sendo da mesma natureza divina do Pai e do Espírito, o Filho encarnado já participava total e plenamente do mistério trinitário desde o momento da sua concepção no seio da Virgem Santíssima. Éramos nós que, cheios de distrações, precisávamos daqueles dons. De fato, estamos todos sujeitos à mesma situação de Pedro no monte: carregados de sono, corremos o risco de apenas reproduzir bobagens diante da Revelação do Senhor, como pessoas que não sabem o que dizem.

Se, portanto, o Espírito Santo não nos mover, seremos movidos pelas paixões da carne, pelos prazeres do mundo e as sugestões do diabo, como nos advertia a liturgia do último domingo. A Quaresma é, em razão disso, a oportunidade que temos de suplicar pelas graças desse mesmo Paráclito, sobretudo nas nossas comunhões eucarísticas, quando tocamos fisicamente o Corpo de Nosso Senhor. Assim, poderemos nos unir à cruz de Cristo, de acordo com o que ensina São Paulo na segunda leitura da Missa, oferecendo as pequenas mortificações do dia a dia, os sofrimentos e fracassos em expiação dos nossos pecados, a fim de que nosso fim não seja a perdição; nem o estômago, nosso deus; nem nossa glória, o que é vergonhoso. Em vez disso, que o nosso pensamento seja o de cidadãos do Céu (cf. Fl 3, 20)!

Oração. — Derramai sobre, nós, Senhor, a graça do vosso Espírito Santo, para que, iluminados pela Divino Paráclito, possamos reconhecer-vos como um Deus amoroso que tudo redime no sacrifício da cruz.

Propósito. — Meditar sobre a encíclica Dominum et Vivificantem, do Papa São João Paulo II.

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