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96. Um padre disse que posso me masturbar. E agora?

A masturbação continua sendo uma grave ofensa a Deus, fonte de muitos males para o homem, ainda que lamentavelmente a mentalidade hedonista tenha adentrado até mesmo nos confessionários.

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No mundo atual em que a erotização chega às raias do inimaginável, a masturbação tem sido vista como um "direito". Segundo a cartilha da UNESCO "Juventude e Sexualidade", por exemplo, são "consideradas estratégias de sexo seguro a automasturbação, a masturbação mútua, o uso de preservativos, [...] entre outras."

Diante dessa mudança de atitude em relação à masturbação, pode-se pensar, às vezes, que o ensinamento da Igreja é algo ultrapassado, que já não encontra justificativas para os dias de hoje. Trata-se, porém, de um juízo falso. Diz o Catecismo da Igreja Católica em seu número 2352:


"Por masturbação entende-se a excitação voluntária dos órgãos genitais para daí retirar um prazer venéreo. Na linha duma tradição constante, tanto o Magistério da Igreja como o sentido moral dos fiéis têm afirmado sem hesitação que a masturbação é um ato intrínseca e gravemente desordenado. Seja qual for o motivo, o uso deliberado da faculdade sexual fora das normais relações conjugais contradiz a finalidade da mesma. O prazer sexual é ali procurado fora da relação sexual requerida pela ordem moral, que é aquela que realiza, no contexto dum amor verdadeiro o sentido integral da doação mútua e da procriação humana."

É claro que para se "formar um juízo justo sobre a responsabilidade moral dos sujeitos, e para orientar a ação pastoral, deve-se ter em conta a imaturidade afetiva, a força de hábitos contraídos, o estado de angústia e outros fatores psíquicos ou sociais que podem atenuar, ou até reduzir ao mínimo, a culpabilidade moral." (idem) Contudo, não resta qualquer dúvida de que a masturbação é um ato pecaminoso e que, como tal, deve ser evitado.

Infelizmente, a mentalidade moderna adentrou até mesmo no seio da Igreja e, não raro, se encontram orientações até mesmo de sacerdotes no confessionário concordando ou incentivando essa grave conduta. E a literatura católica não fica atrás. Felizmente a Santa Sé agiu com rigor ao condenar o livro Just Love – A Framework for Christian Sexual Ethic (New York: Continuum, 2006), escrito pela Irmã Margaret A. Farley, pertencente à Congregação das Irmãs da Misericórdia das Américas.

O referido livro, após ser submetido ao processo canônico legal foi reprovado por conter erros doutrinários sérios que poderiam levar os fiéis leitores à confusão e ao pecado. O livro trata basicamente das questões afetivas: masturbação, união homossexual, divórcio, segunda união etc. Além de compreender de maneira equivocada o papel do Magistério, a autora, especificamente sobre a masturbação, escreve:


"A masturbação (...) geralmente não comporta nenhum problema de caráter moral. (...) Este é sem dúvida o caso de muitas mulheres que (...) encontraram um grande bem no prazer buscado consigo mesmas – e talvez exatamente na descoberta das suas próprias possibilidades em relação ao prazer -, algo que muitas nem tinham experimentado e nem mesmo conhecido no tocante às suas relações sexuais ordinárias com maridos ou amantes. Neste sentido, é possível afirmar que a masturbação de fato favorece as relações muito mais do que as obstacula. Por isso a minha observação conclusiva é que os critérios da justiça, assim como os apresentei até agora, pareceriam aplicáveis à escolha de provar prazer sexual auto-erótico somente enquanto esta atividade pode favorecer ou danificar, mantém ou limita, o bem-estar e a liberdade de espírito. E esta resta amplamente uma questão de caráter empírico, não moral" (p. 236).

A Santa Sé condenou tal pensamento, posto que em desacordo com a doutrina bimilenar da Igreja. E o fez da seguinte maneira:


"Estas afirmações não são conformes à doutrina católica: "Na linha duma tradição constante, tanto o Magistério da Igreja como o sentido moral dos fiéis têm afirmado sem hesitação que a masturbação é um ato intrínseca e gravemente desordenado». «Seja qual for o motivo, o uso deliberado da faculdade sexual fora das normais relações conjugais contradiz a finalidade da mesma». O prazer sexual é ali procurado fora da «relação sexual requerida pela ordem moral, que é aquela que realiza, no contexto dum amor verdadeiro, o sentido integral da doação mútua e da procriação humana. Para formar um juízo justo sobre a responsabilidade moral dos sujeitos, e para orientar a ação pastoral, deverá ter-se em conta a imaturidade afetiva, a força de hábitos contraídos, o estado de angústia e outros fatores psíquicos ou sociais que podem atenuar, ou até reduzir ao mínimo, a culpabilidade moral."

O sexo, para ser sadio, deve ser vivido dentro da realidade espiritual, por isso a Igreja pede que haja o sacramento indissolúvel do matrimônio, pois a aliança de amor consolidada por ele é que faz com o que sexo não seja algo problematizante, mas sim pleno de sentido e satisfação. Sem o sentido espiritual, o sexo se torna um fim em si mesmo, gerando frustração, insatisfação e tristeza.

Todo aquele que foi batizado é chamado a viver a castidade, seja qual foi o seu estado de vida: esposo, viúvo ou virgem. A masturbação constitui, portanto, uma grave ofensa a essa castidade para a qual todos são chamados por Deus. Viver a sexualidade de maneira desordenada, implica numa experiência de morte, de insatisfação e de tristeza que marca o sexo quando ele é feito sem a alma, sem Deus.

A lei continua em vigor, a masturbação continua sendo uma grave ofensa a Deus e, se praticada, fonte de muitos males para o homem, ainda que lamentavelmente a mentalidade hedonista tenha adentrado até mesmo nos confessionários.

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