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2. Uma intercessora em tempos de peste

Há 100 anos, preparava Deus a alma de uma santa menina, atacada nos pulmões por uma mortífera gripe, para ser intercessora dos que hoje sofrem nos seus os riscos de vida gerados pela COVID-19.

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No dia 20 de fevereiro, celebramos a morte de S. Jacinta Marto, vidente de Fátima e vítima da chamada gripe espanhola, uma doença com graves complicações pulmonares que, à semelhança do novo coronavírus, se espalhou rapidamente pelo mundo na segunda década do séc. XX, causando uma das maiores mortandades da história médica recente. Por isso, nada é mais oportuno do que recorrer a esta poderosa intercessora, que, tendo experimentado em si mesma os efeitos de uma doença devastadora, nos pode oferecer nestes tempos difíceis um socorro eficaz e cheio de compaixão.

Apesar das controvérsias sobre a origem da gripe espanhola [1], predomina a opinião de que a doença tenha-se propagado graças à intensa movimentação de soldados durante a I Guerra Mundial. O apodo “espanhola”, entre outras explicações, se deve ao fato de a Espanha, um dos poucos países neutros no conflito, ter sido o único a reportar os efeitos letais da pandemia, silenciados pelas nações beligerantes por medo de denunciar as próprias fraquezas e perdas humanas. Estima-se que o número de mortes causadas pela gripe supera em cinco vezes, pelo menos, as cerca de 10 milhões de vítimas de uma das guerras mais sangrentas dos últimos séculos.

Ao contrário do novo coronavírus, que representa um risco especial para os mais velhos, a gripe espanhola foi inesperadamente mortal para os mais jovens. Entre eles, estavam duas crianças: os irmãos Francisco e Jacinta Marto, que entraram não só para uma triste estatística, como vítimas de uma doença ainda sem cura, mas também para a história da Igreja, como videntes da Virgem de Fátima em 1917.

No caso de Jacinta, é relevante observar como a santa reagiu diante da doença. Em suas aparições, Nossa Senhora pediu várias vezes aos pastorinhos que fizessem penitência para reparar as ofensas contra Deus e alcançar a conversão dos pecadores. Ao saber da Virgem que estava pronta para ir para o céu, Jacinta quis permanecer por mais um tempo neste mundo, oferecendo sua doença pela conversão dos pobres pecadores. Mesmo sabendo que seriam inúteis os rudimentares e dolorosos procedimentos médicos disponíveis à época, Jacinta submeteu-se sem queixas. As enfermeiras que a assistiram nestes últimos momentos ficaram profundamente comovidas com tal exemplo de paciência, ainda mais admirável em uma menina tão debilitada e de tão pouca idade.

Neste centésimo aniversário de falecimento de S. Jacinta, celebrado justamente no contexto da pandemia do novo coronavírus, é necessário recordar que tais circunstâncias, por trágicas que sejam, podem sempre ser ocasião para crescermos mais em virtude, tornando-nos de fato os santos que Deus deseja. Estamos, é verdade, privados dos sacramentos; mas nada nos impede de pôr em prática as virtudes recebidas no Batismo e de intensificar nossa oração, nossa união a Jesus Cristo, nossas súplicas pelos doentes e falecidos, nossos sacrifícios em sufrágio pelas almas do Purgatório etc.

Assim como Jacinta, que não pôde receber a tempo o santo viático, também nós, impossibilitados por ora de receber a sagrada Eucaristia, podemos nos unir espiritualmente a Nosso Senhor, a fim de que, associados ao dEle, os nossos sacrifícios e privações se transformem em hóstia de amor e abandono.

Notas

  1. Uma das hipóteses atribui a origem da gripe a fazendeiros norte-americanos que teriam contraído uma variação do vírus da gripe suína (H1N1) e, recrutados para a I Guerra Mundial, acabaram transmitindo a doença em um campo de treinamento militar no Kansas. Outra hipótese afirma que a contaminação teria vindo da China, onde inúmeras pessoas, por já terem desenvolvido anticorpos, se tornaram vetores assintomáticos da doença.
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