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Homilia Dominical
16 Set 2016 - 26:34

A ilusão de sermos felizes neste mundo

Está proibido falar de “céu” ou de “eternidade” para o homem moderno. O importante, alardeiam as ideologias materialistas de nossa época, é buscar a felicidade “aqui e agora”. Um breve exame da realidade, porém, seria o suficiente para vermos que a estratégia de “ser feliz neste mundo” não passa de uma grande ilusão. É o que Padre Paulo Ricardo ensina neste Testemunho de Fé, ao comentar o difícil Evangelho deste domingo, no qual Cristo nos narra a Parábola do Administrador Injusto.
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Homilia Dominical - 16 Set 2016 - 26:34

A ilusão de sermos felizes neste mundo

Está proibido falar de “céu” ou de “eternidade” para o homem moderno. O importante, alardeiam as ideologias materialistas de nossa época, é buscar a felicidade “aqui e agora”. Um breve exame da realidade, porém, seria o suficiente para vermos que a estratégia de “ser feliz neste mundo” não passa de uma grande ilusão. É o que Padre Paulo Ricardo ensina neste Testemunho de Fé, ao comentar o difícil Evangelho deste domingo, no qual Cristo nos narra a Parábola do Administrador Injusto.
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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc
16, 1-13)

Naquele tempo, Jesus dizia aos discípulos: "Um homem rico tinha um administrador que foi acusado de esbanjar os seus bens. Ele o chamou e lhe disse: 'Que é isto que ouço a teu respeito? Presta contas da tua administração, pois já não podes mais administrar meus bens'.

O administrador então começou a refletir: 'O senhor vai me tirar a administração. Que vou fazer? Para cavar, não tenho forças; de mendigar, tenho vergonha. Ah! Já sei o que fazer para que alguém me receba em sua casa quando eu for afastado da administração'.

Então ele chamou cada um dos que estavam devendo ao seu patrão. E perguntou ao primeiro: 'Quanto deves ao meu patrão?' Ele respondeu: 'Cem barris de óleo!' O administrador disse: 'Pega a tua conta, senta-te, depressa, e escreve cinquenta!'

Depois ele perguntou a outro: 'E tu, quanto deves?' Ele respondeu: 'Cem medidas de trigo'. O administrador disse: 'Pega a tua conta e escreve oitenta'.

E o senhor elogiou o administrador desonesto, porque ele agiu com esperteza. Com efeito, os filhos deste mundo são mais espertos em seus negócios do que os filhos da luz. E eu vos digo: usai o dinheiro injusto para fazer amigos, pois, quando acabar, eles vos receberão nas moradas eternas.

Quem é fiel nas pequenas coisas também é fiel nas grandes, e quem é injusto nas pequenas também é injusto nas grandes. Por isso, se vós não sois fiéis no uso do dinheiro injusto, quem vos confiará o verdadeiro bem? E se não sois fiéis no que é dos outros, quem vos dará aquilo que é vosso?

Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou odiará um e amará o outro, ou se apegará a um e desprezará o outro. Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro".

O Evangelho nos narra neste domingo a Parábola do Administrador Infiel que, antevendo sua demissão, começa a defraudar o patrão para garantir o próprio futuro. Surpreendentemente, Nosso Senhor elogia a atitude do mordomo, evidentemente não por sua desonestidade, senão por sua prudência: "E o senhor elogiou o administrador desonesto, porque ele agiu com esperteza". Santo Agostinho, comentando essa passagem, escreve: "O administrador prestes a ser demitido é louvado pelo senhor porque estava provendo o próprio futuro. Não devemos porém procurar imitá-lo em tudo, cometendo fraude contra nosso senhor para da mesma fraude distribuírmos esmolas" (Catena Aurea in Lucam, XVI, 2).

"Os filhos deste mundo", prossegue Jesus, "são mais espertos em seus negócios do que os filhos da luz". Com isso, Nosso Senhor divide a humanidade em duas facções — uma que põe suas aspirações nas riquezas deste mundo perecível, e outra que deposita sua esperança nos bens eternos. O que Ele lamenta, porém, é que os filhos das trevas sejam mais astutos que os seus discípulos. A "Imitação de Cristo" põe nos lábios do Senhor esse mesmo lamento (III, 1, 3-4), que deveria comover-nos:

"O mundo promete apenas coisas temporais e mesquinhas e é servido com grande ardor; eu prometo bens sublimes e eternos, e só encontro frieza nos corações dos mortais. [...] Por um pequeno salário se empreendem grandes viagens, e pela vida eterna muitos nem dão um passo sequer. Busca-se o lucro vil; por um vintém, às vezes, há torpes brigas; por uma ninharia e promessa mesquinha não se teme a fadiga, nem de dia, nem de noite. Mas que vergonha! Pelo bem imutável, pelo prêmio inestimável, para honra suprema e pela glória sem fim, o menor esforço nos cansa. Envergonha-te, pois, servo preguiçoso e murmurador, por serem os mundanos mais solícitos para a perdição que tu para a salvação."

Ainda na distinção entre "filhos do mundo" e "filhos da luz", é possível dizer que estes usam das coisas materiais para chegar às celestes, enquanto aqueles se servem das espirituais para conquistar prosperidade mundana. As palavras de Cristo, no entanto, são claras: "Usai o dinheiro injusto para fazer amigos, pois, quando acabar, eles vos receberão nas moradas eternas". A vida eterna é o fim, portanto; o dinheiro e as outras coisas desta vida, que vão acabar, não passam de meios. Daí Santo Agostinho dizer que "dinheiro injusto são todas as riquezas terrenas, venham de onde vierem". "Riquezas verdadeiras são aquelas de que Jó estava repleto quando, mesmo estando nu, tinha o seu coração cheio de Deus", ensina o doutor. "As outras, no entanto, chamam-se iníquas porque falsas, sendo cheias de pobreza e passíveis de perda: se fossem verdadeiras, ofereceriam segurança" (Ibid.).

Eis aí, portanto, uma importante lição a tirarmos desse Evangelho: se fossem bens verdadeiros, as coisas deste mundo ofereceriam segurança. Tudo aquilo de que dispomos nesta vida, no entanto, é certo que perderemos. Resta-nos, portanto, ou nos desapegarmos por completo das criaturas e corrermos em direção ao Criador, ou abraçarmos as riquezas caducas da terra — e perecermos com elas. Tertium non datur.

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