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A última profecia

Pela boca de Caifás, o Antigo Testamento pronuncia suas últimas palavras, antes de ser selada, no sangue do Cordeiro, a Nova e Eterna Aliança: “É melhor um só morrer pelo povo do que perecer a nação inteira”, a fim de que sejam reunidos os filhos de Deus dispersos pelo mundo.

Texto do episódio
229

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo 11, 45-56)

Naquele tempo, muitos dos judeus que tinham ido à casa de Maria e viram o que Jesus fizera, creram nele. Alguns, porém, foram ter com os fariseus e contaram o que Jesus tinha feito. Então os sumos sacerdotes e os fariseus reuniram o Conselho e disseram: “Que faremos? Este homem realiza muitos sinais. Se deixamos que ele continue assim, todos vão acreditar nele, e virão os romanos e destruirão o nosso Lugar Santo e a nossa nação”. Um deles, chamado Caifás, sumo sacerdote em função naquele ano, disse: “Vós não entendeis nada. Não percebeis que é melhor um só morrer pelo povo do que perecer a nação inteira?” Caifás não falou isso por si mesmo. Sendo sumo sacerdote em função naquele ano, profetizou que Jesus iria morrer pela nação. E não só pela nação, mas também para reunir os filhos de Deus dispersos. A partir desse dia, as autoridades judaicas tomaram a decisão de matar Jesus. Por isso, Jesus não andava mais em público no meio dos judeus. Retirou-se para uma região perto do deserto, para a cidade chamada Efraim. Ali permaneceu com os seus discípulos. A Páscoa dos judeus estava próxima. Muita gente do campo tinha subido a Jerusalém para se purificar antes da Páscoa. Procuravam Jesus e, ao reunirem-se no Templo, comentavam entre si: “Que vos parece? Será que Ele não vem para a festa?”

O Evangelho de hoje nos coloca nas anteportas da Semana Santa, ao ser finalizado com a interrogação do povo acerca de Jesus: “Que vos parece? Será que Ele não vem para a festa?”

Nesse capítulo do Evangelho de São João, o Sumo Sacerdote Caifás pronunciou uma profecia, dizendo: “Vós não entendeis nada. Não percebeis que é melhor um só morrer pelo povo do que perecer a nação inteira?”. Caifás não falou por si mesmo, mas sendo sumo sacerdote em função naquele ano, profetizou que Jesus iria morrer pela nação.  

É interessante notarmos um contraste entre Caifás e São Pedro, as duas “pedras” que desempenham a função de Sumo Sacerdote: Caifás, do Antigo Testamento, condena Jesus; já Pedro, o Papa escolhido por Cristo para edificar a Sua Igreja, professa a fé, dizendo: “Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo” (Mt 16, 16).

 O poder sacerdotal do Antigo Testamento sai da boca do próprio Caifás, mesmo contra sua vontade, fazendo uma profecia: um homem precisa morrer pelo povo inteiro para que este não pereça. Jesus, de fato, irá morrer no nosso lugar. Aqui, é como se Caifás tivesse lido as profecias do Antigo Testamento que falavam de Cristo, o qual carregou sobre si as nossas dores e pecados.

 A voz do Antigo Testamento é cessada, portanto, com essa chave de leitura magistral. O que vivemos até então era profecia, agora veio a Redenção. Jesus, a própria Palavra que se fez carne, assume os nossos pecados, nossas misérias e nossa morte para que possamos participar de sua vida divina.

Portanto, com um coração cheio de fé e da graça de Deus, atravessemos a soleira da porta deste tempo extraordinário que é a Semana Santa. Vivamos esse momento de uma forma especial, intensificando a nossa oração, a nossa penitência e o nosso amor por Nosso Senhor, para bem celebrarmos os santos e divinos mistérios da nossa salvação.

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