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Consagração Total a Nossa Senhora

É necessário ser devoto da Virgem Maria?

Deus quis precisar de Maria para vir ao mundo. Foi por meio dela que recebemos o Filho unigênito e é só por suas mãos de Mãe que seremos entregues aos braços do Pai. Eis porque a devoção a Nossa Senhora é, segundo os desígnio de Deus, necessária a todo aquele que deseja ser salvo e santificar-se.

Mas como entender que Maria seja assim tão necessária? Isto não seria usurpar de Jesus o seu papel de único e exclusivo mediador e salvador? São estas as inquietantes perguntas que o Padre Paulo Ricardo aborda em mais uma aula do curso sobre a verdadeira devoção à Virgem Santíssima.

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Depois de termos visto os princípios fundamentais que subjazem à verdadeira devoção e os tipos de falsos devotos que existem, podemos perguntar-nos agora: será que, ao fim e ao cabo, a devoção à Virgem Maria, ainda que útil e recomendável, é verdadeiramente necessária para a nossa salvação? A pergunta pode parecer um pouca ociosa e do interesse, quem sabe, de um pequeno círculo de teólogos. Trata-se, no entanto, de uma questão de fundamental importância, já que nos permite dissipar alguns erros concernentes à noção de “salvação” que circulam hoje em dia.

Sabemos pela Revelação divina que nossos primeiros pais, ao desobedecerem a ordem de não comer do fruto da árvore do bem e do mal (cf. Gn 3, 3), perderam a felicidade que Deus lhes havia concedido nesta terra. É o que vemos representado de maneira clara na expulsão de Adão e Eva do jardim do Éden, guardado desde então por “querubins armados de uma espada flamejante” (Gn 3, 24). Ora, Deus, se assim o tivesse querido, poderia ter perdoado livre e gratuitamente esta primeira transgressão e, assim, devolver a nossos pais a felicidade que eles, por culpa própria, perderam para si e toda a sua descendência.

O Senhor, porém, que é justo e cheio de misericórdia, quis exigir uma reparação de estrita e rigorosa justiça que satisfizesse, por uma parte, o pecado de Adão e, por outra, salvasse o gênero humano do abismo em que se precipitara. Por esta razão, ele decretou enviar-nos na carne o seu próprio Filho unigênito (cf. Jo 1, 14), feito expiação, não só pelos nossos pecados, mas também pelos de todo o mundo (cf. 1Jo 2, 2). De fato, só um Deus que fosse homem e um homem que fosse Deus poderia satisfazer condignamente a falta de Adão, superar a distância infinita entre a terra e os céus e pagar integralmente, com o preço de seu sangue, a dívida que contraíramos [1]. É por isso que, na ordem da mais estrita e rigorosa justiça, a Encarnação redentora do Verbo era absolutamente necessária para que fôssemos salvos. Não há, pois, nem pode haver salvação senão através de Jesus Cristo.

Ora, o sacrifício de Nosso Senhor não se limitou a reparar uma falta contra a honra divina; ele foi, além disso, causa meritória da graça, em virtude da qual qual nos tornamos filhos adotivos de Deus, participantes da natureza divina (cf. 2Pd 1, 4), e herdeiros de uma felicidade imensamente superior àquela de que gozavam nossos primeiros pais antes da queda. Porque se ele nos fez filhos seus, fez-nos também herdeiros (cf. Rm 8, 17), e herdeiros de uma recompensa muito grande (cf. Gn 15, 1): ser felizes como ele mesmo, uno e trino, é feliz.

No entanto, toda essa obra grandiosa de amor e salvação, Deus não a quis realizar sem Maria; foi por ela, e só por ela, que o Filho unigênito veio ao mundo. “Porque o mundo era indigno, diz Santo Agostinho, de receber o Filho de Deus diretamente das mãos do Pai, ele o deu a Maria a fim de que o mundo o recebesse por meio dela” [2]. Ora, uma vez que Deus, imutável em seus decretos, não muda de conselho, é também por intermédio de Maria que ele quer salvar e santificar as almas [3]. Pois bem, se é por meio da Santíssima Virgem que o Pai determinou, por um lado, trazer-nos a redenção, operada por seu Filho natural, e, por outro, aumentar o número de seus filhos adotivos, segue-se que a devoção a Nossa Senhora é, por disposição divina, necessária para a nossa salvação e santificação.

Essa necessidade, contudo, não afeta de maneira indiscriminada todas as pessoas. Por tratar-se de uma necessidade hipotética, ou seja, que está em estrita dependência das disposições divinas, a devoção a Nossa Senhora só pode obrigar explicitamente aqueles que a conhecem e têm consciência de que a devoção que lhe devemos ter é querida por Deus como meio de salvação. Aqueles que, sem culpa própria, desconhecem a verdadeira e doce figura de nossa Mãe Santíssima, quer por ignorarem a Cristo e sua Igreja, quer por terem sido apresentados a uma caricatura distorcida da Virgem, podem, sim, ser salvos. Deus não manda o impossível nem nega a graça aos que, cumprindo os ditames da lei natural, buscam com empenho sincero seguir a própria consciência e fazer o que é justo, e só a ele cabe julgar os corações que, embora não tenham nunca ouvido falar de Cristo e sua Mãe, dificilmente resistiriam ao amor que nos inspira esse duplo tesouro [4].

Referências

  1. A. Royo Marín, Jesucristo y la Vida Cristiana. Madrid: BAC, 1961, p. 30, n. 29.
  2. São Luís M.ª G. de Montfort, Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem. 39.ª ed., Petrópolis: Vozes, 2009, p. 26, n. 16.
  3. Cf. Id., p. 30, n. 22.
  4. A. Royo Marín, La Virgen María. Madrid: BAC, 1968, pp. 388-389, n. 364.
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