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Consagração Total a Nossa Senhora

Os falsos devotos de Nossa Senhora

Assim como a verdade é única, em oposição a uma multiplicidade de erros, assim também a verdadeira devoção a Maria conta com uma série de falsificações e contrafações.

Nesta oitava aula do curso sobre a Consagração Total a Nossa Senhora, Padre Paulo Ricardo nos explica detalhadamente os sete tipos de falsos devotos que São Luís Maria Grignion de Montfort identifica em seu pequeno Tratado da Verdadeira Devoção. Façamos juntos este exame de consciência e vejamos se podemos mesmo ser contados no número dos verdadeiros devotos de nossa Mãe Santíssima.

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Agora que sabemos em que consiste a verdadeira devoção à Virgem Santíssima, estamos em condições de discernir, à luz dos princípios vistos ao longo das últimas aulas, quem não é um verdadeiro devoto. Tomaremos como ponto de apoio a pequena tipologia das chamadas falsas devoções estabelecida por São Luís Maria Grignion de Montfort no seu precioso Tratado. São sete, com efeito, as classes de falsos devotos que podemos encontrar. Vejamos, de forma bastante resumida, as notas características de cada um deles:

1.º) Os devotos críticos. — Trata-se daqueles que, no fundo, não têm fé. E isto quanto a dois extremos: ou por não crerem em nada ou por crerem em tudo, até no que não deviam. No primeiro caso, o devoto crítico olha com excessiva desconfiança para o que quer que diga respeito a aparições, milagres, sinais claros da ação de Deus em nossas vidas etc.; são fiéis que, de tanto pôr em dúvida os milagres e as histórias narradas em crônicas de ordens religiosas [1], podem chegar ao ponto de negar o poder e os privilégios com que o Senhor enriquece a própria Mãe. Torcem o nariz, como se soubessem mais do que a Igreja, aos mistérios da Imaculada Conceição, da Assunção ao Céu, da Mediação universal etc., julgando que tudo isso ou diminui o Filho ou exalta, além de toda justa medida, a Mãe. Há, no outro extremo, os que levados seja por vã curiosidade, seja por um certo “misticismo” acrítico e ingênuo, aceitam sem pensar toda nova aparição que por aí se divulgue. Estes, por excesso de credulidade, prestam um grande desserviço à verdadeira fé e ao que a Igreja pensa e crê a respeito de Maria.

2.º) Os devotos escrupulosos. — Já falamos desse tipo de devoto noutra oportunidade. Mencionamos que inclusive o Papa São João Paulo II, um homem de inegável espiritualidade mariana, sofreu durante a juventude este receio ou “remordimento” que induz o escrupuloso a deixar de honrar a Virgem, por medo de rebaixar a Cristo. No entanto, assim como a Lua não tira a glória do Sol, sem cuja luz ela sequer brilhava no céu, do mesmo modo a devoção a Nossa Senhora em nada diminui a Jesus; antes, pelo contrário, ajoelhar-se aos pés de Maria é reconhecer e venerar o que nela há de Deus, de quem recebe toda a sua formosura, todos os seus privilégios, todo o cúmulo de graças e virtudes que fazem dela o mais luminoso dos astros no céu da Igreja. Eis porque se pode dizer, com segurança, que toda honra tributada a Maria se dirige, em última análise, a Jesus e é a ele, fonte de todo bem e toda graça, que engrandece e glorifica.

3.º) Os devotos exteriores. — O devoto exterior, como o nome mesmo já indica, é aquele que está apegado aos sinais visíveis e às práticas externas da devoção. Escapulários, medalhas, correntes, récita mecânica de intermináveis fórmulas de oração etc.: é a isso que ele reduz a devoção a Nossa Senhora, sem ter sequer o cuidado de alimentar a devoção interna, que brota do coração e, por ser verdadeira, nos leva a amar de fato a Virgem Santíssima. O devoto exterior se assemelha, em alguma medida, a um pagão mal catequizado: ele professa, sim, o credo cristão, mas a sua vida espiritual, se é que a tem, se resume em observar externamente uma série de ritos cujo sentido ele ou não entende ou considera algo “mágico”. “Esse povo”, diz-lhe o Senhor, “vem a mim apenas com palavras e me honra só com os lábios, enquanto o seu coração está longe de mim” (Is 29, 13).

4.º) Os devotos presunçosos. — A presunção desta classe de devotos é a consequência natural da superficialidade, alimentada por longo tempo, dos devotos exteriores. Quem não tem a sua devoção a Maria bem enraizada no coração, pouco se importa nem com a própria conversão nem com a necessidade viver conforme os Mandamentos da lei divina. Ostentando seu escapulário e suas medalhas, o devoto presunçoso abusa das promessas de Nossa Senhora, crendo totalmente que será salvo, à força destes “amuletos”, para viver, tranquilo e despreocupado, em seus vícios e mau comportamento. Acham que “Deus lhes perdoará, que não hão de morrer sem confissão, e não serão condenados porque recitam o terço, jejuam aos sábados” [2], consagram-se à Virgem Santíssima etc., e assim não só fazem injúria à Rainha do Céu como incorrem na justa ira do Rei do universo.

5.º) Os devotos inconstantes. — São aqueles que, diante da menor dificuldade (aridez, falta de gosto, cansaço, pouco tempo etc.), abandonam completamente a devoção. Ora, uma das razões mais comuns desta inconstância e falta de perseverança é a pretensão de querer fazer mais do que se é capaz. O devoto inconstante, não raro, é aquele que, sem ter ainda progredido na vida cristã, ou se enche de práticas externas, para cujo cumprimento uma dia inteiro seria pouco, ou presume entregar-se a grandes e heróicos sacrifícios — jejuns, vigílias, procissões, peregrinações, mortificações de toda sorte etc. —, quando na verdade lhe bastaria fazer tão pouco para agradar o Coração doce e compreensível de nossa Mãe Santíssima.

6.º) Os devotos hipócritas. — O devoto hipócrita, que talvez abunde mais em nossos tempos do que na época de São Luís Maria, é aquele que encobre o seu espírito mundano, para não dizer seus pecados e vícios, com véus, “correntinhas”, terços, gestos e ademanes de aparente piedade. O devoto hipócrita quer, sob o manto da Virgem, parecer aos olhos do mundo aquilo que, no fundo, ele sabe não corresponder à realidade de seu coração [3]. É muitas vezes devido à essa hipocrisia que tantas e tantas pessoas se afastam da Igreja ou passam a olhar com receio para a devoção a Nossa Senhora.

7.º) Os devotos interesseiros. — Os interesseiros, por fim, são aqueles falsos devotos que só recorrem ao socorro da Virgem Maria para pedir algum benefício temporal ou que a invocam com um espírito “mágico”, como se esta ou aquela oração, este ou aquele sacrifício, à semelhança de uma “moeda de troca”, tivessem por si sós o poder de “forçar” a vontade de Nossa Senhora a conceder-nos as coisas que desejamos. Estes, enquanto estão satisfeitos consigo, vivem esquecidos de Maria e a ela só voltam o olhar quando a necessidade lhes bate à porta.

Exorcizemos, pois, de nossa vida qualquer uma dessas atitudes tão daninhas e nada aceitáveis diante de Nossa Senhora. Que a nossa devoção à toda pura Mãe de Deus, mais do que grata à nossa sensibilidade tão instável ou um caminho para realizarmos a nossa vontade, seja interior, terna, santa, constante e desinteressada.

Referências

  1. Cf. São Luís M.ª G. de Montfort, Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem. 39.ª ed., Petrópolis: Vozes, 2009, p. 97, n. 93.
  2. Id., p. 101, n. 97.
  3. Cf. Id., p. 106, n. 102.
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