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Consagração Total a Nossa Senhora

Que frutos produz a nossa consagração?

Se formos fiéis à nossa consagração a Maria, recorrendo a ela constante e filialmente, logo experimentaremos os maravilhosos frutos de santidade e configuração a Cristo que esta devoção produz. 

Em mais uma aula do nosso curso dedicado especialmente ao estudo do Tratado de São Luís Maria Grignion de Montfort, Padre Paulo Ricardo nos explica um a um os efeitos de uma consagração à Virgem Santíssima bem feita e fielmente vivida.

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Já tivemos ocasião de estudar o que é a consagração e quais são os seus motivos. Resta-nos abordar agora os efeitos que esta devoção toda particular produz em nossa alma. Dizemos “toda particular” porque, como deve ter ficado claro, não se trata de uma devoção como outra qualquer, mas, sim, do reconhecimento do papel salvífico desempenhado por Nossa Senhora na história da salvação e na santificação de cada alma. Nunca é demasiado lembrar, além disso, que o ato de consagração não é um ritual “mágico”, mas um ato que, se feito com a devida preparação e discernimento, há de repercutir em toda a nossa vida espiritual e, se vivido com perseverança e fidelidade, produzirá admiráveis frutos de santificação. Porque, uma vez consagrados à Virgem Santíssima, vamos sendo configurados a Jesus Cristo pela ação eficaz de sua Mãe sem mácula.

Se formos fiéis às práticas tanto exteriores quanto interiores desta devoção, recorrendo filial e constantemente a Maria, cresceremos antes de tudo nas duas virtudes que são como que o fundamento de toda a nossa vida espiritual, a saber: a humildade e a fé. Cresceremos na primeira pelo perfeito conhecimento e desprezo de nós mesmos que o Espírito Santo, por intermédio de Maria, nos irá inspirar, dando-nos a conhecer com cada vez mais profundidade o nosso fundo mau e corrompido [1]. Na segunda, pela participação na própria fé de Maria, “a maior que já houve na terra” [2]. Tudo isso, porém, há de ocorrer em nós, não a partir de nossas forças pessoais, mas com o doce auxílio e “empurrão” da Virgem. Vivendo habitualmente em sua presença, aprenderemos a humildade e a fé que ela mesma teve e exercitou.

Pois assim como o Senhor crucificado entregou sua Mãe ao discípulo amado e este àquela, assim também nós fomos entregues a Nossa Senhora e ela a nós. Foi-lhe confiado o nosso coração, para que dele cuide e o proteja, e ela, por sua vez nos foi entregue para que tomemos parte em suas virtudes e com ela aprendamos a ser santos: humildes como ela, que só foi superada pelo aniquilamento de seu Filho, e com uma firme e inquebrantável como a dela, segundo a nossa capacidade. E quanto mais alto quisermos que seja o nosso edifício espiritual, tanto mais profundos terão de ser os alicerces dessas duas virtudes.

Mas como a construção de tal edifício só é possível com o cimento da caridade, precisamos crescer também nesta outra virtude. É por isso que um dos outros efeitos que São Luís atribui à consagração bem vivida é o que ele denomina graça do puro amor. Ouçamos as belíssimas palavras do santo de Montfort sobre este ponto:

Esta Mãe do amor formoso (Ecli 24, 24) aliviará vosso coração de todo escrúpulo e de todo temor servil; ela o abrirá e alargará para correr pelo caminho dos mandamentos de seu Filho (cf. Sl 118, 32), com a santa liberdade dos filhos de Deus, e para nele introduzir o puro amor, de que ela possui o tesouro; de tal modo que não mais vos conduzireis, como o fizestes até aqui, pelo receio ao Deus de caridade, mas pelo puro amor, unicamente. Passareis a olhá-lo como vosso bondoso Pai, tratando de agradar-lhe incessantemente; com ele conversareis confidentemente, à semelhança de um filho com seu pai. Se, por acaso, o ofenderdes, humilhar-vos-eis em continente diante dele, pedir-lhe-eis perdão humildemente, lhe estendereis simplesmente a mão, e vos levantareis amorosamente, sem perturbação nem inquietação, e sem desfalecimentos continuareis a caminhar para ele [3].

Isso tudo, como não poderia deixar de ser, anda de mãos dadas com uma grandíssima confiança em Deus e em Maria. Eis mais um maravilhoso fruto da perfeita consagração. Nossa Mãe do Céu, apresentando-nos a Jesus Cristo e revestindo-nos de seus méritos e virtudes, irá curando pouco a pouco aquela ferida espiritual, triste sequela do pecado de nossos primeiros pais, que nos leva a olhar para Deus com desconfiança e nos paralisa no amor meramente servil.

O fruto talvez mais admirável e consolador é a comunicação íntima da alma e do espírito de Maria, no sentido de que, por estarmos tão unidos a ela, podemos receber as moções de sua própria alma, que de um modo místico e misterioso passa a estar em cada um de seus fiéis consagrados para neles glorificar o Senhor e, com seu espírito — ou seja, o cúmulo de suas graças —, regozijar-se em Deus, nosso Salvador [4]. É como se respirássemos com Maria, como o corpo respira o ar, e fôssemos pouco a pouco aumentando a capacidade de expansão de nossos pulmões, porque o Espírito Santo, vendo reproduzida em nosso íntimo sua querida Esposa, descerá sobre nós e nos encherá abundantemente de seus dons, fazendo-nos amar um pouquinho como ama aquele doce e Imaculado Coração. “Ah!”, suspira o santo de Montfort, “quando virá este tempo feliz em que Maria será estabelecida Senhora e Soberana nos corações, para submetê-los plenamente ao império de seu grande e único Jesus?” [5].

Meu caro irmão — diz ele, rematando o pensamento anterior —, quando chegará esse tempo feliz, esse século de Maria, em que inúmeras almas escolhidas, perdendo-se no abismo de seu interior, se tornarão cópias vivas de Maria, para amar e glorificar Jesus Cristo? Esse tempo só chegará quando se conhecer e praticar a devoção que ensino: “Ut adveniat regnum tuum, adveniat regnum Mariae” [6].

A exposição destes efeitos admiráveis de santidade não poderia ficar completa sem uma referência, ainda que breve, àquele fruto que, por constituir a finalidade mesma da consagração, é o mais importante e excelente: a transformação mística das almas à imagem de Jesus Cristo. A Virgem Santíssima, assim como foi o molde querido por Deus para gerar neste mundo o seu Verbo encarnado, do mesmo modo é a “fôrma” na qual o nosso coração será configurado ao de Jesus, a quem tanto mais glória tributaremos quanto mais perfeitamente configurados a ele estivermos: “Já não sou eu quem vive; é Cristo quem vive em mim” (Gl 5, 20).

Referências

  1. Cf. São Luís M.ª G. de Montfort, Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem. 39.ª ed., Petrópolis: Vozes, 2009, p. 204, n. 213.
  2. Id., p. 205, n. 214.
  3. Id., pp. 206-207, n. 215.
  4. Cf. Id., p. 207, n. 216.
  5. Cf. Id., p. 210, n. 217.
  6. Id., ibid.
  7. Id., p. 211, n. 217.
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