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Homilia Dominical
25 Jun 2015 - 27:06

A Igreja é a mesma ontem, hoje e sempre

Quase dois mil anos depois de São Pedro e São Paulo, a Igreja permanece viva. Depois de todo esse tempo, porém, com tantas mudanças tendo acontecido no mundo, como entender que a Igreja Católica de hoje é a mesma do tempo dos Apóstolos? A mensagem de Cristo foi realmente guardada ou se perdeu no meio do caminho? Nesta pregação, Padre Paulo Ricardo explica por que, a exemplo de Jesus Cristo, a essência da fé católica é a mesma “ontem, hoje e sempre”.
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Homilia Dominical - 25 Jun 2015 - 27:06

A Igreja é a mesma ontem, hoje e sempre

Quase dois mil anos depois de São Pedro e São Paulo, a Igreja permanece viva. Depois de todo esse tempo, porém, com tantas mudanças tendo acontecido no mundo, como entender que a Igreja Católica de hoje é a mesma do tempo dos Apóstolos? A mensagem de Cristo foi realmente guardada ou se perdeu no meio do caminho? Nesta pregação, Padre Paulo Ricardo explica por que, a exemplo de Jesus Cristo, a essência da fé católica é a mesma “ontem, hoje e sempre”.
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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo Mateus
(Mt 16, 13-19)

Celebrar a Solenidade dos Apóstolos São Pedro e São Paulo significa lembrar, sobretudo, que a Igreja é apostólica. Para nós católicos, é uma realidade fácil de aceitar que a Igreja de hoje seja a mesma de dois mil anos atrás, exatamente a mesma fundada por Deus. Para os protestantes, porém, as igrejas, com “i” minúsculo, não passam de instituições frágeis fundadas pelos homens. Cristo mesmo não teria fundado nenhuma instituição visível, deixando aos Seus seguidores esse encargo. É por isso que, para os evangélicos, não é escândalo nenhum que alguém, ao discordar do pastor de sua igreja, decida fundar outra igreja. Igrejas, em sua concepção, são realmente como um “negócio”, um empreendimento que se começa e se acaba quando se bem entende.

Nós, ao contrário, cremos que a Igreja é um mistério instituído pelo próprio Senhor. Ela cresceu ao longo dos séculos como uma planta, com todas as suas dificuldades, mas tendo sempre a mesma vida divina dentro de si, graças à ação de seu Divino Fundador. Por isso, é possível dizer que a Igreja é a continuidade do corpo de Cristo na história.

Para entender como essa instituição – que aparentemente mudou tanto ao longo dos séculos – pode permanecer sendo a mesma Igreja Católica, fundada por Jesus Cristo (cf. Mt 16, 18), tomem-se como exemplo as nossas mães. Na sua juventude, as mulheres possuem uma aparência muito bonita, um corpo jovial e uma pele lisa e macia. Com o tempo, porém, a sua beleza física se esvai, o seu corpo vai decaindo e a sua pele começa a encher-se de rugas e estrias. Ainda que o seu aspecto exterior mude, porém, as mães permanecem as mesmas, conservam a sua identidade e os filhos continuam a amá-las ternamente. Quem quer que consiga perceber que, mesmo mudando as aparências, as pessoas não deixam de ser o que são, é capaz de compreender o conceito de substância. De fato, esse termo se refere a algo que não pode ser captado pelos sentidos, mas tão somente pela inteligência. O que a visão e os outros sentidos conseguem alcançar são apenas os acidentes das coisas. A sua substância, porém, o que lhes dá identidade, é algo invisível.

Assim acontece também com a Igreja. Hoje, quem vai ao Vaticano pode entrar em templos majestosos, como a Basílica de São Pedro, e o Papa Francisco, mesmo em sua humildade e despojamento, não ousa dispensar os seguranças de perto de si (afinal, ele, sendo o chefe visível da Igreja de Cristo, é muito visado pelos inimigos da fé). Nos primeiros anos da Igreja, porém, quem era São Pedro, senão um pescador pobre e analfabeto de Cafarnaum?

Diante dessas grandes diferenças de aparência na Igreja, os críticos dizem que não se trata da mesma instituição e que a verdadeira comunidade fundada por Cristo se perverteu no decorrer dos séculos. O erro desses detratores está em que se detêm apenas nos acidentes e realidades sensíveis da Igreja, ignorando que a sua substância, identidade e essência continuam as mesmas.

Foi a partir do filósofo alemão Friedrich Hegel († 1831) que os homens começaram a perder a noção de continuidade. Para esse pensador, a história seria uma “metamorfose ambulante”, com teses, antíteses e sínteses constantes e subsequentes, sem que a realidade tivesse uma substância e uma identidade. Influenciadas por esse pensamento, as pessoas começaram a viver sem raiz e sem tradição, sempre tentando “reinventar a roda” e criar novamente o que, no fundo, elas só precisavam aceitar da “democracia dos mortos” [1] e passar adiante.

A influência dessa filosofia na Igreja tem efeitos ainda piores do que nos assuntos puramente humanos. Quando se tenta subverter, além das verdades naturais, as próprias verdades reveladas por Deus, muito maiores são o caos e a confusão que se instalam. Quem entende, todavia, que a mudança dos acidentes não altera a substância das coisas, procura preservar a Igreja, os seus ensinamentos e tudo o mais que constitui a sua essência – e, quando intenta fazer alguma reforma, não é para destruí-la, senão para preservar-lhe a vida.

É inconcebível, portanto, que se queira reformar a Igreja quebrando a sua continuidade substancial. No tempo dos Apóstolos, é verdade, não havia Concílios Ecumênicos, Catecismos ou Congregação para a Doutrina da Fé. Em essência, porém, a fé dos primeiros cristãos deve ser a mesma que todos os católicos professam, em todos os lugares da terra e em todos os tempos (quod semper, quod ubique, quod ab omnibus). No decorrer da história, a Igreja pode ir tomando maior consciência de sua identidade e de sua doutrina, mas nada disso muda o que ela foi, é e sempre será.

Em sua Primeira Carta aos Coríntios, o Apóstolo dos gentios, ao transmitir as doutrinas da Eucaristia e da Ressurreição de Cristo, diz duas vezes: “Eu recebi do Senhor o que também vos transmiti” (11, 23); “De fato, eu vos transmiti, antes de tudo, o que eu mesmo tinha recebido” (15, 3). Apenas alguns anos após a ascensão de Cristo, já se dá a realidade da “tradição” (do latim tradere, que significa “entregar”): os discípulos de Cristo transmitem os Sacramentos e a Palavra, preocupando-se com serem fiéis ao que eles mesmos receberam. De fato, as expressões de São Paulo não são em vão: todos nós, como apóstolos de Cristo, devemos ser fiéis à mensagem que recebemos de nossos pais na fé. Afinal, sabemos – e cremos – que a palavra desses homens remonta ao próprio Senhor e, por isso, devem ser recebidas “não como palavra humana, mas como o que ela de fato é: palavra de Deus” (1 Ts 2, 13).

Ao celebrar São Pedro e São Paulo, essas duas colunas da Igreja, exultemos de alegria por pertencermos à “Igreja una, santa, católica e apostólica”; por pertencermos à única Igreja de Cristo, que, assim como seu Esposo, é a mesma ontem, hoje e sempre (cf. Hb 13, 8). Estejamos sempre dispostos a dar a nossa vida por essa mãe tão amorosa, a qual nos alimenta com a Palavra de Deus e com o próprio Senhor presente na Eucaristia.

Referências

  1. CHESTERTON, Gilbert K. Ortodoxia (trad. Almiro Pisetta). São Paulo: Mundo Cristão, 2008. p. 80: "A tradição pode ser definida como uma extensão dos direitos civis. Tradição significa dar votos à mais obscura de todas as classes, os nossos antepassados. É a democracia dos mortos. A tradição se recusa a submeter-se à pequena e arrogante oligarquia dos que simplesmente por acaso estão andando por aí."
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