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Christo Nihil Præponere"A nada dar mais valor do que a Cristo"
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Nesta aula, vamos falar sobre a Solenidade de Cristo Rei do Universo, instituída em 1925 pelo Papa Pio XI, através da encíclica Quas Primas. Convém salientar que a Igreja, desde os primeiros séculos, já reconhece que Cristo é Rei, com base na própria Sagrada Escritura. No diálogo com Pilatos, Jesus afirma: “O meu Reino não é deste mundo” (Jo 18, 36). Também o bom ladrão, na cruz, olha para Jesus e diz: “Lembra-te de mim quando entrardes no teu Reino!” (Lc 23, 42). No Apocalipse (19, 16), Nosso Senhor é apresentado como “Rei dos reis”. Enfim, amparada nas Escrituras e na Tradição, a consciência da Igreja acerca do Reinado de Cristo sempre foi muito clara.

No entanto, devido à crescente propagação do laicismo e, principalmente, em razão dos regimes anticristãos do início do século XX, o Papa Pio XI instituiu a Solenidade de Cristo Rei, com o intuito de recordar aos católicos a realidade do reinado espiritual de Nosso Senhor Jesus Cristo, mas também para consagrar as famílias e as nações a esse reinado.

De imediato, é necessário destacar que a Igreja sempre foi, e sempre será, contra o Estado laicista, no sentido de um governo que se autoproclama “neutro” (como se isso fosse possível), mas que, na prática, é anticristão e antirreligioso, quando não, explicitamente ateísta.

Para compreender as razões disso, basta olharmos para os dias atuais. Por exemplo, se você recomendar a alguém que busque a Confissão, certamente a pessoa se esquivará com a seguinte falácia: “Não preciso me confessar! Eu não tenho pecado! Eu não matei, não roubei...”. Por trás desse sofisma que está impregnado na sociedade contemporânea encontra-se o pressuposto de que pecado é sinônimo de crime, e por consequência, assimila-se a ideia de que pecado é somente aquilo que o Código Penal reconhece como ação criminosa. Todo aquele que pensa dessa forma, na prática, escolheu o Estado como a “autoridade espiritual” que “revela” em que consistem o bem e o mal, ou o que é pecado e o que não é. Parece inacreditável, mas justamente o Estado, com seus governantes cujo currículo é marcado pelo materialismo e pelo relativismo moral —, exerce o poder espiritual sobre a vida das pessoas, condicionando sua visão da realidade.

Assim, lenta e gradualmente, as pessoas vão assimilando as convenções estatais. A fonte da moral passa a ser a lei aprovada e interpretada pelo Estado. Está, aí, uma das grandes ofensas contemporâneas a Cristo Rei: quando as pessoas escolhem acreditar nos ditames arbitrários do Estado e ignorar as leis gestadas no coração amoroso de Nosso Senhor Jesus Cristo.

A origem de tal atitude remonta ao século XVII, quando, após o término da Guerra dos Trinta Anos, adotou-se o sofisma de que a religião deve ser considerada um “fato privado”, e aceitou-se a ideia de que os governantes devem exercer sua função sem observar princípios religiosos. Iniciou-se, assim, a concepção de “Estado laico” que, na prática, é usada como pretexto para a implantação de um “Estado laicista”, materialista e antirreligioso. Na verdade, a própria ideia de “Estado laico” é irrealizável, pois é impossível a constituição de um Estado sem que haja um poder espiritual acima dele.

Para exemplificar isso, basta olharmos para a questão do divórcio no Brasil, aprovado por lei em 1977. Embora a população brasileira, na época, fosse majoritariamente contrária ao divórcio, os parlamentares admitiram-no. Considerando que nem o povo nem a Igreja pleitearam tal aprovação, ela só ocorreu porque havia uma autoridade espiritual, no sentido de um poder educador, por trás daqueles que tomaram tal decisão. Algo semelhante ocorre em relação à constante tentativa de legalização do aborto no Brasil. Mesmo que a população brasileira seja totalmente contrária a essa abominação, a influência das organizações internacionais e das ONGs, financiadas por elas, faz com que muitos políticos assumam posturas pró-aborto. Para isso, sempre recorrem a eufemismos, como “interrupção da gravidez” e “saúde reprodutiva da mulher”, que são ensinados por aqueles que exercem um poder educacional sobre a classe política.

Observa-se, portanto, que sempre há um poder espiritual acima do Estado que exerce influência sobre seus governantes. Essa autoridade espiritual deve ser de Nosso Senhor Jesus Cristo; se não o for, sempre haverá um poder substituto, que é exercido pelo Anticristo, Satanás.

Ao menos no plano teórico, o Estado laico seria aquele no qual há uma autonomia civil no governo da sociedade, sem que haja uma religião oficial. No entanto, isso não significa que as ações dos governantes são “neutras”, no sentido de que não sofrem nenhum tipo de influência educacional.

Aí entra o conceito de laicismo, essa ideologia que ludibria os cristãos, sobretudo os católicos, exigindo deles um silêncio sepulcral acerca de sua fé e de seus valores, ao passo que ateus, agnósticos, materialistas e relativistas possuem total liberdade para se expressar, inclusive para ofender, ridicularizar e perseguir os cristãos. Na prática, a suposta sociedade “neutra” consiste em uma horda de anticristãos organizados que se mobilizam para fazer com que o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo seja extirpado da vida pública.

Se deixarmos essas pessoas implantarem suas pretensões absurdas, logo mais elas serão capazes de implodir a estátua do Cristo Redentor, com o pretexto de que o Estado é laico; e, em seu lugar, erigirão um monumento a Satanás, justificando que as minorias precisam ter o direito de se expressar. Nós, católicos, precisamos abrir os olhos para essa realidade clamorosa: a sociedade atual se autoproclama como laica, mas, na verdade, é laicista.

Se houvesse essa pretensa neutralidade, a Igreja teria liberdade para pregar e para converter as pessoas, mas ela não a possui. Nessa “sociedade ideal”, a Igreja poderia formar católicos profundamente convertidos, a fim de que ocupem funções estratégicas dentro da sociedade, até mesmo, como governantes.

Na Encíclica Quas Primas, que institui a Solenidade de Cristo Rei, o Papa Pio XI afirma de forma peremptória: “Erraria gravemente aquele que negasse a Cristo homem o poder sobre a realidade civil”. Obviamente, não cabe à Igreja instaurar um governo ou gerir o Estado; sua missão é evangelizar todas as pessoas, inclusive os governantes, formando-os de acordo com a fé e a moral católicas.

A principal dificuldade dessa missão é que a sociedade contemporânea já é pós-cristã, diferentemente do tempo de São Paulo, que evangelizou povos que ainda não conheciam Jesus Cristo. Nós vivemos em uma civilização que já foi apresentada a Nosso Senhor, mas que escolheu renegá-lo. O próprio Cristo já havia anunciado essa realidade: “Se eu não tivesse vindo e não tivesse falado, eles não teriam pecado. Se eu não tivesse feito entre eles as obras que nenhum outro fez, eles não teriam pecado, agora, porém, eles viram essas obras e odiaram a mim e a meu Pai” (Jo 15, 22-24). Nesse sentido, observamos constantemente a vida de Cristo sendo escarnecida, seus milagres sendo ridicularizados e sua imagem sendo submetida a atos blasfemos. Enfim, a sociedade contemporânea, de forma inescrupulosa, arranca a coroa de Cristo Rei e a entrega a Satanás.

Indo de encontro a esse cenário, a Solenidade de Cristo Rei recorda-nos que o ensinamento de Nosso Senhor possui influência na esfera civil. Cristo deve reinar sobre todos os corações, a fim de que, assim, reine sobre todos os Estados. Portanto, essa solenidade contraria o laicismo, que tem predominado em todos os países, principalmente no Brasil, de tal modo que os cristãos são censurados e sua atuação é relegada à esfera privada, ao passo que os anticristãos, materialistas e revolucionários possuem púlpito e audiência nas escolas e universidades.

Compreendamos, pois, de uma vez por todas, que não existe Estado espiritualmente neutro. O que existe é a seguinte realidade: uma vez que a influência educacional de Cristo, ou do Anticristo, reina nos corações das pessoas, ocorrerão as implicações políticas desse reinado. Assim, ou os ensinamentos de Jesus são aceitos ou são negados, pois vivemos em um mundo que já recebeu o ensinamento de Jesus. Deste modo, o poder espiritual que as pessoas exercem, na educação, ou é submisso a Cristo ou revoltado contra Ele.

Que tenhamos a capacidade de nos entregar a Nosso Senhor Jesus Cristo e suplicar que Ele governe os nossos corações, para, assim, governar o mundo.

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