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Homilia Dominical
13 Jul 2018 - 24:06

Padre, seja pai!

Ao escolher os doze Apóstolos e instituir o sacerdócio católico, Nosso Senhor não lhes deu apenas poderes especiais, mas também os chamou, desde o começo, a levarem um “estilo de vida” diferente, despojado e feito de renúncias. Nesta pregação, Padre Paulo Ricardo reforça a todos os seus irmãos padres a necessidade de se oferecerem a Deus como vítimas a fim de viverem plenamente a própria vocação. Assista a fortaleça a sua fé na paternidade espiritual dos sacerdotes!
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Homilia Dominical - 13 Jul 2018 - 24:06

Padre, seja pai!

Ao escolher os doze Apóstolos e instituir o sacerdócio católico, Nosso Senhor não lhes deu apenas poderes especiais, mas também os chamou, desde o começo, a levarem um “estilo de vida” diferente, despojado e feito de renúncias. Nesta pregação, Padre Paulo Ricardo reforça a todos os seus irmãos padres a necessidade de se oferecerem a Deus como vítimas a fim de viverem plenamente a própria vocação. Assista a fortaleça a sua fé na paternidade espiritual dos sacerdotes!
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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos
(Mc 6, 7-13)

Naquele tempo, Jesus chamou os doze, e começou a enviá-los dois a dois, dando-lhes poder sobre os espíritos impuros.

Recomendou-lhes que não levassem nada para o caminho, a não ser um cajado; nem pão, nem sacola, nem dinheiro na cintura. Mandou que andassem de sandálias e que não levassem duas túnicas.

E Jesus disse ainda: “Quando entrardes numa casa, ficai ali até vossa partida. Se em algum lugar não vos receberem, nem quiserem vos escutar, quando sairdes, sacudi a poeira dos pés, como testemunho contra eles!” Então os doze partiram e pregaram que todos se convertessem. Expulsavam muitos demônios e curavam numerosos doentes, ungindo-os com óleo.

Meditação. — 1. Jesus tinha muitos seguidores. Nas páginas sagradas, encontramos vários relatos sobre as “multidões” que O acompanhavam e, na ânsia de que fossem curados das enfermidades físicas ou espirituais, ouviam atentamente Seus discursos. Cristo acolhia a todos com atenção e generosidade, pois via que eram ovelhas sem pastor e necessitavam da salvação. Para ajudá-los, Ele elegeu doze homens e os enviou “dois a dois”, como narra o Evangelho deste domingo, “dando-lhes poder sobre os espíritos impuros”.

A escolha dos doze Apóstolos é o fundamento do sacerdócio católico. Jesus instituiu o ministério apostólico para perpetuar a sua missão de redimir e santificar a humanidade. Ele lhes deu o poder de “perdoar pecados” (Jo 20, 22-23), “expulsar demônios” (Mc 6, 13) e, sobretudo, oferecer o mesmo sacrifício da cruz na Santa Missa, que deviam celebrar em sua memória (cf. Lc 22, 19). Pelo sacramento da Ordem, esse mesmíssimo poder foi transmitido aos bispos e padres, que hoje o exercem na pessoa de Cristo e em benefício de toda a Igreja.

É natural, portanto, que os leigos tenham profunda admiração, respeito e amor pelos sacerdotes. Afinal, eles (os bispos e os padres) não são apenas funcionários da Igreja — como no caso dos pastores protestantes —, mas legítimos representantes de Cristo, ainda que demonstrem falhas e defeitos. E se, em alguns casos, os fiéis precisarem “manifestar aos sagrados pastores a sua opinião acerca das coisas atinentes ao bem da Igreja”, devem, contudo, fazê-lo com “a reverência devida aos pastores, e tendo em conta a utilidade comum e a dignidade das pessoas” (Catecismo da Igreja Católica, n. 907). Os bispos e os padres são alter Christus porque se puseram à parte para receber “uma investidura feita pelo próprio Cristo para a sua Igreja” (Catecismo da Igreja Católica, n. 1538). Quem os ofende, ofende igualmente Jesus.

2. O sacramento da Ordem não confere apenas um “poder sagrado”, mas traz consigo uma “exigência sagrada”. Antes de enviar os Apóstolos, Jesus manifestou-lhes exigências gravíssimas, renúncias radicais que deveriam ser feitas pelo êxito da missão: “Recomendou-lhes que não levassem nada para o caminho, a não ser um cajado; nem pão, nem sacola, nem dinheiro na cintura. Mandou que andassem de sandálias e que não levassem duas túnicas”. Trata-se de um estilo de vida, pelo qual os sacerdotes identificam-se plenamente com a pessoa de Jesus. Eis a razão do celibato e de tantas outras promessas que o seminarista faz no dia da sua ordenação. Por amor a Jesus e às Suas ovelhas, o sacerdote católico deixa “irmãos, irmãs, pai, mãe, mulher, filhos, terras e casa” (Mt 19, 29).

Na história da Igreja, inúmeros sacerdotes deram exemplo dessa entrega, deixando esposa, emprego, casa, enfim, uma vida de conforto e regalias, para se entregarem ao ministério da salvação das almas. Em outras palavras, esses homens não imitaram Jesus apenas no exercício da liturgia, oferecendo o sacrifício eucarístico. Eles mesmos se sacrificaram, como Cristo se sacrificou; foram sacerdotes e vítimas ao mesmo tempo.

A nota mais particular do sacerdócio católico é exatamente esta: não se trata apenas de oferecer a vítima no altar, como faziam os sacerdotes do Antigo Testamento; os bispos e os padres, para serem verdadeiros sacerdotes, devem também ser a vítima imolada no altar. Essa é, e deve ser, a identidade mais profunda dos ministros de Cristo, e a primeira fidelidade pedida ao sacerdote — qualquer que seja o seu gênero de vida e de apostolado — é continuar a crer no seu próprio mistério e perseverar na fé quanto a este dom de Deus que ele recebeu” (São João Paulo II, Discurso ao clero, aos religiosos, às religiosas e aos catequistas do Gabão, 17 de fevereiro de 1982, n. 2).

3. Não faltam dificuldades para os sacerdotes viverem o seu ministério: a escassez de recursos, as provações da paróquia, a solidão, as perseguições, as tentações da carne e as próprias limitações pessoais. Tudo isso pode provocar desânimo e até desespero. E se o padre não está convencido sobre a sua própria vocação, nem acredita na graça que o acompanha constantemente, sobretudo nos desafios, ele facilmente se perde na vida fácil, nos consolos e, misericórdia!, nos pecados mortais. Exemplos assim, infelizmente, existem aos montes.

Ademais, os modismos teológicos que tentam reinventar o sacerdócio cristão também incidem negativamente sobre a vida dos sacerdotes, afastando-os da dimensão oblativa de sua entrega. A vida sacerdotal acaba se resumindo aos fastos das vestes litúrgicas e outras atividades que, embora sejam boas, não traduzem completamente o sentido da vocação. Os padres acabam não se diferenciando em nada dos pastores protestantes, razão pela qual muitos já defendem o fim do celibato, como se a ordenação de homens casados fosse resolver o problema das vocações.

Os padres, mais do que nunca, precisam aprender a ser pais. Esse é o problema vocacional que deve ser resolvido. No fundo, as quedas de tantos sacerdotes devem-se a uma má formação espiritual e humana, que não os preparou para a paternidade. Um pai se sacrifica pelos seus filhos. Todos os grandes padres da Igreja foram grandes pais espirituais, doando-se inteiramente pela salvação dos seus filhos. Convencidos desse mistério, e enraizados na vida íntima com Cristo, os padres podem enfrentar com maior disposição e vigor os desafios da vocação.

Os leigos, neste sentido, prestam um grande favor aos legítimos pastores quando, além de exortá-los, rezam e oferecem sacrifícios por eles. Aproveitemos a liturgia deste domingo para, mais uma vez, manifestarmos nossa fé nos ministros de Deus, que perpetuam na história o único sacerdócio de Cristo.

Oração.Meu Bom Pai, em cujos ministros ordenados encontro o único sacerdócio de vosso Filho Jesus, fazei de nossos pastores, bispos e padres, verdadeiros pais espirituais, que se sacrificam amorosamente pela salvação das almas. Assim seja!

Propósito. — Oferecer um sacrifício pela santificação dos sacerdotes.

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