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Homilia Dominical
4 Nov 2016 - 25:47

Ser santo: ficção ou realidade?

Será a perfeição um caminho real e possível? Ou, ao contrário, trata-se apenas de um “ideal abstrato” e, no fim das contas, inatingível? Os santos católicos alcançaram realmente a perfeição de vida ou não passam de “pecadores disfarçados”? Venha assistir conosco a este Testemunho de Fé e descubra o “caminho de perfeição” que Deus tem preparado para cada um de nós!
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Homilia Dominical - 4 Nov 2016 - 25:47

Ser santo: ficção ou realidade?

Será a perfeição um caminho real e possível? Ou, ao contrário, trata-se apenas de um “ideal abstrato” e, no fim das contas, inatingível? Os santos católicos alcançaram realmente a perfeição de vida ou não passam de “pecadores disfarçados”? Venha assistir conosco a este Testemunho de Fé e descubra o “caminho de perfeição” que Deus tem preparado para cada um de nós!
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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt
5, 1-12a)

Naquele tempo, vendo Jesus as multidões, subiu ao monte e sentou-se. Os discípulos aproximaram-se, e Jesus começou a ensiná-los: "Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus. Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados. Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus! Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem, e, mentindo, disserem todo tipo de mal contra vós, por causa de mim. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus".

Infelizmente nem todos os cristãos acreditam na santidade, pelo menos não do modo como a Igreja Católica sempre a entendeu e ensinou aos seus filhos. É com grande desconfiança, de fato, que a maior parte dos protestantes enxerga a veneração dos santos e os pedidos de intercessão que os católicos fazem com tanta frequência àqueles que morreram em Cristo depois de terem levado uma vida exemplar de virtudes. Assim é porque, na visão do revolucionário Martinho Lutero, pai do movimento protestante, a justificação pela fé (cf. Rm 1, 16) não operaria uma verdadeira transformação no ser humano: permanecendo profundamente pecador, aquele que crê seria justificado por uma sentença divina que tão somente encobre as suas faltas. Ser santo não passaria, portanto de uma ficção, como uma "maquiagem" ou uma máscara; no fundo, todos são como sempre foram, "abomináveis, rebeldes e incapazes de qualquer boa obra" (Tt 1, 16).

Que somos "incapazes de qualquer boa obra", no entanto, qualquer pessoa com o mínimo senso de realidade, ainda que não seja cristã, é capaz de admitir e proclamar de cima dos telhados. O filósofo existencialista e ateu Jean-Paul Sartre, por exemplo, em uma peça intitulada Le Diable et le Bon Dieu ("O Diabo e o Bom Deus"), retrata com vivas cores o desespero que sente todo homem diante de sua profunda miséria e incapacidade de amar. Extrair disso porém a mesma conclusão fatalista de Lutero — que a santidade é impossível — significa desesperar do próprio auxílio divino, que realmente vem em socorro à nossa fraqueza, operando em nós o querer e o fazer (cf. Fl 2, 13). Somos justificados portanto pela fé, mas também pelas obras, pois são elas o fruto maduro de nossa união com Deus, o resultado de nossa cooperação com a graça que vem do alto.

Deus não pede a seus filhos, além disso, que cumpram coisas impossíveis. Se no Antigo Testamento Ele ordena: "Sede santos, porque eu sou santo" (Lv 20, 7), e depois repete pela boca de seu divino Filho o mesmo apelo: "Sede perfeitos, como o vosso Pai celeste é perfeito" (Mt 5, 48), é porque a santidade, longe de ser um ideal inalcançável, trata-se realmente de um caminho real e possível. Nesse processo, como já dito, o grande protagonista não somos nós, mas Deus mesmo, que intervém nas coisas humanas com a sua graça. Disso advém a necessidade de rezarmos sempre e sem jamais desanimar, pedindo a Deus que nos dê "o pão nosso de cada dia". Só fortalecidos por Ele poderemos responder-lhe o grande amor manifestado por nós na Paixão, Morte e Ressurreição de seu divino Filho.

Determinemo-nos pois a buscar com afinco a vida de perfeição, como a empresa mais importante de nossa vida. Desesperemos de nós mesmos, assim como fizeram os santos e, com profunda humildade, recorramos sempre ao bom Deus, com confiança filial. Ele, que não se deixa vencer em misericórdia e generosidade, "quer que todos se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade" (1Tm 2, 4). Se nem todos alcançam o mesmo destino de glória, é por culpa própria que não o fazem. O Céu é verdadeiramente nosso amigo e, se correspondermos a essa amizade, é lá que moraremos por toda a eternidade, com todos os santos e santas da Igreja.

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