A fonte da nossa ansiedade, em boa medida, está na forma como damos a conhecer as coisas no dia a dia. Imaginemos que alguém nos diga ou que leiamos em algum lugar: “João estava a caminho do hospital bastante preocupado”. A frase diz muito pouco, a informação é bastante limitada. E nosso cérebro não se contenta com essa limitação; ele passa a imaginar o resto. Por que João está preocupado? Será que está doente? Será que é coisa gravíssima, de vida ou morte? Não sabemos, mas imaginamos.
Então nos chega uma segunda frase: “Ele se sentia pressionado a resolver a situação”. Começa a parecer que o problema não é com o João, mas com outro. Não sabemos quem, mas imaginamos. Quem sabe um parente em estado grave… Ou quem sabe uma dívida hospitalar que será quitada… Mas aí dizem: “Ele nunca tinha resposta para tudo que os pacientes perguntavam”. Automaticamente já imaginamos João um médico. Nem paciente, nem visitante: médico. É um profissional competente preocupado em dar boas respostas àqueles que necessitam de seus cuidados. É médico, na certa.
No entanto, o interlocutor acrescenta: “Não era função do faxineiro responder às perguntas deles”. João não...



















