Já vimos um pouco de como a medicina descreve a ansiedade lendo o que diz o DSM-5. Agora, veremos o que é a ansiedade do ponto de vista filosófico, de modo que possamos distinguir o que é a ansiedade normal e como ela pode se manifestar de forma disfuncional e perturbadora. Para tanto, vamos recorrer ao Doutor Angélico, Santo Tomás de Aquino, que toca nesse tema na “Suma Teológica”, mais especificamente na “Prima Secundae”, a primeira parte da segunda parte, na questão 41, dedicada ao temor [1].
A ansiedade, portanto, é uma forma de medo. Daí que seja preciso iniciar a análise definindo o que é o medo. Mas, para defini-lo, não podemos cair no erro comum de psicólogos e filósofos contemporâneos de abstrair que existe uma coisa chamada bem e uma coisa chamada mal. As nossas paixões — aquilo que se chama hoje de reação emocional — decorrem do nosso contato com o mal e com o bem. O bem nós desejamos, nós o amamos; o mal, que é o que nos prejudica, nós repelimos. Portanto, não podemos falar de ansiedade sem considerar a existência objetiva do bem e do mal, porque esse estado é justamente uma resposta ao nosso medo de perder um bem, de ser prejudicado por um...



















