Falávamos na última aula sobre o ciclo da ansiedade e adiantamos que, agora, vamos começar a tratar do componente cognitivo, o que é fundamental para sabermos lidar com as emoções — aquelas que acontecem no sistema límbico, o andar de baixo do cérebro — sem precisar recorrer a paliativos exteriores, como o álcool, a droga, a internet, a pornografia etc.
Já vimos que, do ponto de vista cerebral, é a parte de cima, o chamado córtex, que lida com os pensamentos e, portanto, é responsável por manejar as emoções. Acontece que o córtex pode agir de forma funcional ou disfuncional. E ele é disfuncional quando, por exemplo, queremos obsessivamente controlar uma situação, o que termina por nos deixar ansiosos. Ou seja, a ansiedade pode ser gerada se o córtex lidar com certa emoção de forma ruim, ou pode ser coibida se o córtex lidar com ela de forma boa.
Para entendermos o que seria essa forma ruim e essa forma boa, tomaremos como base a famosa obra The Master and His Emissary, do psiquiatra, neurocientista e de certa forma filósofo britânico Iain McGilchrist [1]. Ele escreveu esse livro, bastante compendioso, ao longo de 20 anos. É uma detida análise de como...



















