Ser santo é crescer na graça
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Direção Espiritual: Aprenda a Rezar

Ser santo é crescer na graça

Explica em que consiste a perfeição cristã: na participação real da vida divina, através da graça santificante. Mostra as obras extraordinárias de São Paulo, que se gloria da ação de Deus em si, e não das suas obras.

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Com alegria, inicia-se o curso Direção Espiritual: Aprenda a Rezar, segundo módulo de uma série de cursos de direção espiritual. O próprio nome do módulo já indica um objetivo bastante prático: será como um tutorial em que os alunos, tomados pela mão, aprenderão a rezar de forma frutuosa.

Por que é necessário tal módulo? Porque há inúmeras pessoas que rezam bastante, mas terminam sem mudar de vida, continuam com os mesmos pecados de estimação: fazendo fofoca, sendo impacientes, entregando-se à preguiça, contando piadinhas de duplo sentido, vendo tudo com malícia. Ou seja, a oração não está surtindo efeito na vida, e isso ocorre justamente porque creem estar rezando quando, na verdade, na maioria das vezes, estão apenas balbuciando palavras.

Quando Santa Teresa, grande mística, recebia notícia de que uma das suas monjas estava tendo sonhos, visões e êxtases, ela desprezava tudo isso e olhava para a vida da monja: se ela estivesse vivendo a paciência, a prontidão na obediência e o perdão ao inimigo, então era uma pessoa que realmente estava rezando.

Nisto já se percebe que a natureza da oração é totalmente diferente daquilo que as pessoas presumem que ela seja. No mundo pagão, por exemplo, pensa-se que a oração é uma forma de convencer a divindade a realizar os desejos daquele que reza. Nas religiões pagãs, predomina uma máxima totalmente inversa à da oração cristã: “Seja feita a minha vontade, assim na terra como no céu”.

Já na oração cristã, na qual predomina a conformidade à vontade de Deus, o mais importante é receber a Palavra de Deus e a ela se configurar. Nosso Senhor falou isso claramente na parábola do semeador: a semente da Palavra de Deus é semeada, caindo no pedregulho, no meio dos espinhos ou na terra boa. Neste último lugar, o fruto obtido é muito melhor, é a pessoa que se dispõe a ser mudada por Deus através da oração, ouvindo sua Palavra e a ela se conformando. Então, por definição, a oração visa transformar as pessoas.

Mas, para isso, além de falar, é necessário ouvir a Deus. A verdadeira oração estabelece um diálogo, não um monólogo, como infelizmente acontece muitas vezes em nossos atos de piedade. 

É justamente isso que pretendemos ensinar neste curso, a fim de que possamos realmente ouvir o Senhor, como exorta o livro do Deuteronômio (6, 4): Shemá Yisrael Adonai Elohêinu Adonai Echad, “Ouve, ó Israel! O Senhor, nosso Deus, é o único Senhor”, ou como nos diz o Salmo 94, rezado todos os dias no Invitatório da Liturgia das Horas: “Oxalá ouvísseis hoje a sua voz”. Essa escuta é o sonho de Deus para nós. 

Essa escuta da Palavra é o sonho de Deus para toda a humanidade, e aquilo que se deve fazer para que a oração obtenha frutos. Para isso, é fundamental ter um coração de discípulo, como diz a Sagrada Escritura: lev-shomer, um coração que escuta.

Deus está convidando a humanidade o tempo todo, e a humanidade não ouve. Quantas vezes Deus, durante o dia, chama as pessoas, mas elas não estão prontas para escutá-lo. Ouvem tantas outras coisas, celular, WhatsApp, fofoca… menos a Deus. O objetivo deste curso é aprender na oração a ouvir as disposições de Deus para, por Ele, deixar-se transformar.

Antes de ensinar os meios práticos para rezar com fruto, é necessário recapitular brevemente o módulo anterior, a fim de entender por que é indispensável viver em estado de graça para buscar a santidade.

Recapitulação

Não há edifício sem alicerce. O mesmo vale para a santidade, cujo fundamento é o estado de graça. Daí a insistência com que tratamos no módulo anterior da Confissão geral, meio seguro e aconselhável, sobretudo para quem se confessa pouco ou habitualmente mal, de ter uma garantia razoável, dentro do que é possível nesta vida, de estar na graça de Deus. Orientar pelos caminhos da perfeição cristã uma alma morta pelo pecado é tão insensato como ensinar técnicas de cultivo a quem não tem sequer uma semente.

A semente, nesse caso, é a graça santificante, dom infuso em nossas almas pelo qual somos elevados acima de nossa natureza humana para participar, de modo real mas não menos misterioso, da própria natureza divina. Pela graça, tornamo-nos capazes de realizar atos sobrenaturais de virtude, ricos aos olhos de Deus em valor meritório e satisfatório. É, por assim dizer, um prelúdio da glória, pois a graça nos leva a amar sem ver neste mundo aquele a quem amaremos no céu a rosto descoberto.

Nada disso é especulação teológica recente. Já São Pedro nos deixou linhas inesquecíveis sobre esse grande mistério:

O seu divino poder deu-nos todas as coisas que dizem respeito à vida e à piedade, por meio do conhecimento daquele que nos chamou pela sua glória e virtude. Por elas nos deu essas preciosas e magníficas promessas, a fim de que, assim, vos torneis participantes da natureza divina [gr. είας κοινωνοὶ φύσεως], fugindo da corrupção que há no mundo pela concupiscência (2Pd 1, 3s).

Apesar de inacessível em si mesma à inteligência humana, algo da natureza divina nos é dado a conhecer por analogia com as criaturas, sobretudo com as mais perfeitas delas, que são as de natureza intelectual — anjos e homens. Pois bem, é certo que a perfeição ou felicidade de cada ente consiste na posse do bem que lhe corresponde alcançar. No caso das criaturas intelectuais, a perfeição ou felicidade não pode estar senão na posse de um bem que lhes sacie plenamente as faculdades características: o intelecto, pelo conhecimento da verdade, e o apetite racional (ou vontade), pelo descanso no bem alcançado.

Também a felicidade de Deus consiste, analogamente, nos atos de inteligência e vontade pelos quais se conhece perfeitamente e goza de sua própria bondade infinita. Mas também sabemos, graças à Revelação cristã, que estes atos, em Deus, não são um voltar-se infecundo para si mesmo, mas dão lugar a uma comunhão inefável de pessoas: o Pai ingênito, conhecendo-se a si mesmo, expressa ab æterno toda a riqueza de seu ser por meio de um Verbo, ao qual, subsistindo sem divisão em sua única e mesma natureza, pode chamar verdadeiramente Filho, enquanto do vínculo que os une a ambos procede, por uma comum expiração de amor, o divino Espírito Santo.

Dessa mesma e excelsa felicidade, que olho jamais viu, nem ouvido ouviu nem imaginou alguma vez o coração humano (cf. 1Cor 2, 9), Deus gratuitamente nos chamou a participar: “Deus”, ensina o Concílio Vaticano I, “por sua infinita bondade, ordenou o homem a um fim sobrenatural, a saber: a participar dos bens divinos, que superam por completo a inteligência da mente humana” (Constituição dogmática “Dei Filius”, de 24 abr. 1870, c. 2). E como se trata da felicidade do próprio Deus uno-trino, é evidente que homem algum pode ter parte nela se não for de algum modo elevado e deificado, pois

[…] agora somos filhos de Deus, mas não se manifestou ainda o que seremos [um dia]. Sabemos que, quando Ele se manifestar, seremos semelhantes a Ele [na glória], porque o veremos como Ele é (1Jo 3, 2).

E o princípio de nossa divinização é o Batismo. Restituídos pelas águas santas à pureza espiritual, perdida outrora em Adão, somos enriquecidos com uma série de dons que nos capacitam a conhecer e a amar a Deus sobrenaturalmente. Trata-se de três virtudes teologais, por cujos atos nos unimos a Deus, dado serem três os principais atos de nossas duas potências espirituais, o intelecto e a vontade: a , hábito do intelecto, nos une a Deus pelo ato de entendimento, por anuência às verdades reveladas. Na vontade radicam as outras duas virtudes: a esperança, cujo ato é querer ou aspirar a Deus como bem sumamente árduo, mas possível; e a caridade, cujo ato é propriamente o amor a este bem [1]. 

É verdade que, na ordem da geração, o que vem primeiro é a fé, depois a esperança e por último a caridade, assim como primeiro é o conhecimento, depois a volição imperfeita e por último a volição perfeita; de fato, assim como a vontade só pode apetecer e chegar à posse do bem se lho apresentar antes o intelecto — nihil volitum nisi præcognitum, reza o adágio latino —, do mesmo modo a esperança só pode querer e a caridade só pode amar a Deus se Ele for conhecido pela fé.

Contudo, na ordem da perfeição, primeiro vem a caridade, que tem a Deus por objeto enquanto bem divino a ser amado em si mesmo com amor de benevolência; depois vem a fé, que tem a Deus por objeto enquanto verdade divina a ser conhecida sob a luz da graça; e por último vem a esperança, que tem a Deus por objeto enquanto bem divino a ser apetecido com amor de concupiscência. Por isso a santidade cristã, que se “mede” pelo grau de união a Deus, é proporcional à perfeição da caridade, a única virtude que nos une a Deus em si mesmo como o amante ao seu amado [2].

O pecado mortal, embora nem sempre destrua a virtude da fé, destrói não obstante a da caridade, tornando o homem incapaz de amar a Deus e sair pelas próprias forças dessa morte espiritual. Daí, uma vez mais, a importância que demos à Confissão geral no primeiro módulo, pois é pelo sacramento da Penitência que recuperamos a graças e as virtudes teologais, recebidas no Batismo mas destruídas ou calcificadas por nossos pecados. Longe de ser moralismo, confessar-se é o primeiro passo — aliás, imprescindível aos pecadores — na via da santidade e, pela misericórdia de Deus, em nossa jornada rumo à bem-aventurança eterna.

A necessidade deste módulo

Não é possível passar por esse processo de elevação sobrenatural, que leva a participar da natureza divina, sem uma verdadeira vida de oração pela qual se chegue a conhecer e amar a Deus de modo a ser por Ele transformado. É assim que fizeram os grandes santos, cujas vidas foram configuradas à de Cristo a partir da oração. 

Isso é notório, por exemplo, quando olhamos para os acontecimentos da vida de São Paulo, relatados no capítulo 11 da Segunda Carta aos Coríntios:

Muitas vezes, em perigo de morte, recebi dos judeus quarenta chicotadas menos uma, três vezes fui batido com varas, uma vez apedrejado, três vezes naufraguei, passei uma noite e um dia em alto mar, fiz inúmeras viagens com perigos de rios, perigos de ladrões, perigos da parte dos meus compatriotas, perigos da parte dos pagãos, perigos nas cidades, perigos nas regiões desertas, perigos no mar, perigos por parte dos falsos irmãos, trabalhos e fadigas, inúmeras vigílias, fome, sede, frequentes jejuns, frio e nudez (2Cor 11, 23-27).

Diante dessa lista de sofrimentos, inevitavelmente surge o questionamento: Como é possível um ser humano passar por isso tudo e reagir de tal modo, amando a Deus e perdoando a seus inimigos? São Paulo, traído pelos próprios cristãos, açoitado e maltratado, ainda assim foi capaz de dizer: “A caridade de Cristo nos impele. A alegria de saber que Um morreu por todos” (2Cor 5, 14); e aos gálatas explica a razão de agir assim: “Eu vivo, mas já não sou, é Cristo que vive em mim” (Gl 2, 20). Isso é a santidade, agir divinamente como Nosso Senhor agiria.

O que levou esse homem a ser assim? Como essa alma foi tão transformada por Deus? Isso tudo é fruto da oração. Antes de sair em missão, São Paulo ficou muito tempo recolhido em oração no deserto da Arábia (cf. Gl 1, 17). Ele mesmo reconhece a importância da oração em seu ministério no no capítulo 12 da Segunda Carta aos Coríntios

Importa que me glorie? Na verdade, não convém! Passarei, entretanto, às visões e revelações do Senhor. Conheço um homem em Cristo que há catorze anos foi arrebatado até o terceiro céu. Se foi no corpo, não sei. Se fora do corpo, também não sei; Deus o sabe. E sei que esse homem — se no corpo ou se fora do corpo, não sei; Deus o sabe — foi arrebatado ao paraíso e lá ouviu palavras inefáveis, que não é permitido a um homem repetir. Desse homem eu me gloriarei, mas de mim mesmo não me gloriarei, a não ser das minhas fraquezas (2Cor 12, 1-5).

Observa-se, portanto, que São Paulo não se gloria dos seus feitos como missionário, mas sim dos efeitos da oração, daquilo que Deus realizou em sua vida pela oração.

Por isso a necessidade de aprender a rezar para se deixar transformar pelo Senhor e, assim, cada vez mais tornar-se participante da natureza divina (consortes divinae naturae), como diz São Pedro na sua já mencionada Segunda Carta. Quem assim faz não deixa de ser humano, mas se abre à ação sobrenatural da graça, de modo que passa a se comportar de forma divina, como fizeram os santos. Porém, sem rezar isso jamais acontecerá.

Nesse sentido, o presente módulo não consiste na mera exposição de técnicas — obviamente, é preciso conhecer técnicas e a própria natureza humana —, senão que a finalidade do curso é conseguir dispor a natureza humana para se abrir à ação da graça de Deus e, assim, ser por ela transformada.

Os santos são testemunhas dessa transformação. O grande Santo Agostinho, antes da sua conversão, quando ainda estava em pecado mortal, antes de ser batizado, ao ouvir e meditar sobre a vida dos santos, disse: Si isti et istae, cur non ego, ou seja, “se esses santos e santas fizeram isso, por que não eu?” Cur non ego, “Por que não eu?” São estas as palavras que devem ecoar no coração de cada aluno durante esta nova jornada que se inicia, a fim de que, impelido pelo desejo de santidade, possa crescer na intimidade com Deus.

Nota

  1. A esperança distingue-se, pois, da caridade como o movimento em direção ao fim (motus in finem) se distingue da posse do fim, isto é, de sua consecução (coaptatio ad finem).
  2. Dado que um ato é tanto mais meritório quanto mais perfeita é a virtude de que é ato (cf. De virt. card. 3), pode-se estabelecer um terceiro critério de ordenação entre as virtudes teologais, também do ângulo da perfeição. Assim, a virtude mais perfeita de todas é a caridade, cujo ato é o amor a Deus em si mesmo, ao passo que a esperança é mais perfeita do que a , já que a esperança de certa forma direciona ou move os nossos afetos a Deus, enquanto pela fé é Deus quem passa a estar presente em nós ao modo de objeto conhecido (cf. STh I-II 68, 8c.).
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