Revelação e Fé

A Constituição Dogmática "Dei Verbum", em seu primeiro capítulo diz que: "pela revelação divina quis Deus manifestar e comunicar-se a Si mesmo e os decretos eternos de Sua vontade a respeito da salvação dos homens, para os fazer participar dos bens divinos, que superam absolutamente a capacidade da inteligência humana."

A Revelação, querida por Deus, é o momento em que Ele fala aos homens "como amigos, e com eles se entretém para os convidar à comunhão consigo e nela os receber." (CIC 142) O que deve o homem fazer diante desse convite, dessa intimidade com Deus? O mesmo número do Catecismo diz que "a resposta adequada a este convite é a fé."

A fé é o ato pelo qual o homem "submete completamente a sua inteligência e sua vontade a Deus. Com todo o seu ser, o homem dá seu assentimento a Deus revelador." (CIC 143) Assim, quando homem submete-se inteiramente a Deus, ele passa a obedecê-Lo, portanto, a "obediência da fé" é a resposta adequada ao convite que Deus faz aos seus amigos.

Sabendo, então, que a Revelação é um desejo de Deus para aproximar-se mais intimamente de seus filhos, dando-se a conhecer e, portanto, deixando-se amar, pois, quanto mais se conhece, mais se ama, o curso em questão tem a pretensão de estudar o documento da Igreja que fala sobre a realidade da fé e da Revelação, a "Dei Verbum".

Este curso faz parte da Teologia Fundamental, uma área se põe em diálogo com as demais na tentativa de explicar a razão, o motivo de nossa fé. O Catecismo nos diz que:

"O motivo de crer não é o fato de as verdades reveladas aparecerem como verdadeiras e inteligíveis à luz de nossa razão natural. Cremos por causa da autoridade de Deus que revela e que não se pode nem enganar-se nem enganar-nos. Todavia, para que o obséquio de nossa fé fosse conforme à razão, Deus quis que os auxílios interiores do Espírito Santo fossem acompanhados das provas exteriores de sua Revelação. Por isso, os milagres de Cristo e dos santos, as profecias, a propagação e a santidade da Igreja, sua fecundidade e estabilidade constituem sinais certíssimos da Revelação, adaptados à inteligência de todos, motivos de credibilidade que mostram que o assentimento da fé não é de modo algum um movimento cego do espírito." (CIC 156)

Fazer este curso é assemelhar-se, de certa forma, aos grandes santos da Igreja, principalmente Santo Anselmo e Santo Agostinho, que proferiu o melhor argumento para justificar os estudos: "eu creio para compreender e compreendo para crer melhor" (Sermão 43).