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A queda dos anjos

Na aula de hoje, além das verdades de fé, serão oferecidas explicações teológicas acerca da Queda dos Anjos, que é um assunto que desperta muito interesse desde sempre. A base para as explicações teológicas serão os escritos de Santo Tomás de Aquino.

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As explicações contidas no Catecismo são verdades da fé, portanto, não é possível tergiversar sobre elas. Para todos os outros assuntos existem as chamadas explicações teológicas, ou seja, esforços humanos empreendidos por grandes santos e doutores da Igreja, a fim de se compreender melhor a revelação ou a ação divina.

Na aula de hoje, além das verdades de fé, serão oferecidas explicações teológicas acerca da Queda dos Anjos, que é um assunto que desperta muito interesse desde sempre. A base para as explicações teológicas serão os escritos de Santo Tomás de Aquino.

O Catecismo diz que o homem não pecou por iniciativa própria. A narração da Criação corrobora essa ideia. O homem pecou porque se deixou seduzir por Satanás. Mas, quem é Satanás?

Mais uma vez é o Catecismo quem oferece a resposta dizendo que se trata de "… uma voz sedutora que se opõe a Deus e que, por inveja", seduziu os primeiros pais. Trata-se de um "anjo destronado". Ora, se é um anjo foi criado por Deus e, se foi criado por Deus, foi criado naturalmente bom. Trata-se, portanto, de uma criatura, não de um deus mau – um demiurgo -, ou de um ser que se encontra em igual paridade com Deus. Não. Esta é a primeira verdade que precisa ser absorvida: Lúcifer é um anjo, portanto, uma criatura inferior a Deus.

A pergunta que deve ser formulada em seguida é o que teria acontecido para que Lúcifer, um anjo bom, tenha decidido virar as costas para Deus e se tornar Satanás/Diabo. O Catecismo fala de uma desobediência angélica, de um pecado cometido por ele, que originou a Queda propriamente dita. Ele e os demais anjos que pecaram não foram poupados por Deus: "Com efeito, Deus não poupou os anjos que pecaram, mas lançou-os nos abismos tenebrosos do Tártaro, onde estão guardados à espera do Julgamento"(2 Pe 2, 4).

A Sagrada Escritura fala sobre uma batalha no céu, assim, com o auxílio da teologia de Santo Tomás de Aquino e da Summa Daemoniaca, do Padre José Antonio Fortea, é possível traçar algumas considerações. Em primeiro lugar, a narração da batalha contida no capítulo 12, do Apocalipse:

Houve então uma batalha no céu: Miguel e seus anjos guerrearam contra o Dragão. O Dragão batalhou, juntamente com seus Anjos, mas foi derrotado, e não se encontrou mais um lugar para eles no céu. Foi expulso o grande dragão, a antiga serpente, o chamado Diabo ou Satanás, sedutor de toda a terra habitada – foi expulso para a terra, e seus anjos foram expulsos com ele.

Se houve um tempo em que os anjos não haviam pecado e um tempo após o pecado, é possível dizer que os anjos viveram num espaço de tempo. Esse tempo é um tempo angélico, diferente do tempo como concebido pelo homem.

Nesse espaço de tempo anterior ao pecado, estima-se que Deus não havia se mostrado completamente aos anjos. O pecado só pode ocorrer quando não se vê a Deus, que é a verdade fulgurante, o sumo bem e cuja face é tão atraente e irresistível que o conceito de pecado não pode se aproximar. Assim, os anjos não tinham visto a Deus antes de pecarem. Apesar disso, os anjos são puro espírito e foram dotados com dons superiores aos concedidos aos homens, conforme já estudado. Eles tinham pleno conhecimento e entendimento. O que teria motivado, então, a desobediência deles? Santo Tomás sugere que Deus lhes revelou o plano de salvação dos homens, ou seja, que Jesus haveria de encarnar-se no seio de uma virgem, viver de forma humana e morrer na cruz. Tal plano teria sido encarado como absurdo, dado a majestade divina frente à pequenez humana. Lúcifer teria se recusado a servir o Deus Encarnado e convencido, por meio de mentiras, outros anjos. Isso teria motivado o "não servirei" proferido por ele e que precipitou a batalha narrada em Apocalipse.

Pelo fato de serem espíritos puros, a desobediência revestiu-se de radicalidade e de irrevogabilidade, ou seja, não há retorno para Satanás e seus demônios. Além disso, eles foram tomados por um ódio extremo contra Deus e contra os homens. O plano, então, é destruir a criação, não só instigando a morte física, mas, principalmente, a morte espiritual, a perdição da alma.

Se os anjos não possuem corpos, são puro espírito, como se deu a batalha descrita no Livro do Apocalipse? Santo Tomás diz que a espada flamejante de São Miguel Arcanjo é a Palavra de Deus e que a batalha se deu no campo das ideias. A luta foi espiritual, mas, nem por isso, menos sangrenta. A teologia diz que ambos os lados tiveram perdas. Pela Palavra, muitos anjos que estavam no caminho para a desobediência foram salvos e, pela mentira de Satanás, cujo apelido é "o pai da mentira", muitos anjos desobedeceram a Deus, perdendo-se para sempre. Há um certo sentido na afirmação de que a batalha deu-se no campo das ideias, pois é só o que Satanás pode oferecer: ideias. Com elas, ele tenta e consegue levar os homens ao pecado.

Deus não desejava que os seus anjos se perdessem. Por isso, durante um certo tempo, mandou-lhes a sua graça. Porém, sistematicamente eles a recusaram. E, como Deus respeita a liberdade de suas criaturas, em dado momento, cessou de mandar a graça. Deus virou as costas a Lúcifer e seus anjos. A partir daí, irrevogavelmente, eles se transformaram em Satanás e os seus demônios. Não havia mais o que se fazer, pois, a vontade deles estava de tal forma empedernida que somente existia um ódio profundo contra Deus e a criação.

Mas, todos os demônios odeiam a Deus com a mesma intensidade? É preciso pensar que, da mesma forma que os anjos pertenciam a uma hierarquia angélica, agora também, transformados em demônios obedecem a uma hierarquia. Pode-se pensar numa pirâmide invertida, na qual o posto mais fundo é ocupado pelo próprio Satanás, assim, quanto maior o grau de ódio que se tem a Deus, mais importante se é no Inferno.

A irrevogabilidade da decisão de Satanás foi coroada com a admissão dos anjos na presença divina, ou seja, Deus mostrou-se aos anjos bons, encerrando assim, para todos, o tempo angélico. Os anjos que permaneceram ao lado de Deus, assim estarão por toda eternidade, da mesma forma, os anjos que acompanharam Satanás na desobediência permanecerão por todos os séculos assim.

A lição mais importante dessa batalha para o ser humano é que Deus envia a cada um a sua graça, desejando ardentemente que, livremente, o homem escolha amá-lo. Porém, essa chance encerra-se com a morte, quando então o destino do homem é selado para toda a eternidade. Cada homem é livre para escolher de que lado ficará.

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